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“Não
me bebas sem razão.
Não me distribuas sem honra.”
Mestre Joaquim José de Andrade Neto
A
UDV vem sendo recriada na Terra por determinação superior e nela permanece
ora por períodos curtos, ora por períodos longos, sempre se manifestando
na forma mais pura e elevada. Porém, quando as pessoas não demonstram
grau para trabalhar com essa força e tentam usá-la de acordo com seus
interesses pessoais, ela se recolhe nas brumas do tempo, desaparecendo
temporariamente.
Sua
origem encontra-se nos primórdios da civilização humana, quando Caiano,
discípulo e
assistente do Rei Salomão, recebeu deste o sétimo segredo da Natureza,
ou seja, a União do Vegetal, e, com ela, a chave da palavra perdida para
entrar em contato com a Força Superior e penetrar nos encantos da Natureza
Divina.
De
posse desse segredo, Caiano vem reencarnando na Terra em diversos destacamentos,
procurando, a cada vez, restaurar a União do Vegetal, trazendo os homens
das trevas para a luz, da ignorância para o Conhecimento, da ilusão para
a realidade. Neste século, retornou no corpo e no nome de José Gabriel
da Costa para uma vez mais recriá-la. Da cidade de Coração de Maria, Bahia,
onde nasceu, ele dirigiu-se já em idade madura para Porto Velho, Rondônia,
com o objetivo de trabalhar como seringueiro na Floresta Amazônica, e
lá acabou reencontrando o chá Oaska, também conhecido por Vegetal. Com
a comunhão, começou a recordar-se de suas vidas passadas, e a partir de
então ficou três anos examinando essas revelações. A partir de 1961, já
consciente de sua missão como MESTRE Gabriel, começou a distribuir o chá
e a doutrinar pessoas.
Nessa
época, já tendo recebido as chamadas e os ensinamentos sobre como contactar
a Força Superior através da Oaska, ele constituiu em Porto Velho uma sociedade
que recebeu o nome de Associação Beneficente União do Vegetal.
Alguns anos depois, devido à incompreensão por parte de autoridades policiais
e por conveniência jurídica, acabou mudando esse nome para Centro Espírita
Beneficente União do Vegetal.
De
origem humilde, MESTRE Gabriel enfrentou durante a sua vida muitas dificuldades,
e lutou heroicamente pela sobrevivência e sustento da mulher e de seus
oito filhos. Todos os que o conheceram puderam sentir a beleza e a luminosidade
de seu espírito, e quem não teve esse privilégio pode vislumbrar sua força
espiritual através das centenas de chamadas que ele trouxe para a União
do Vegetal e através do conforto espiritual proporcionado por seus ensinamentos,
os quais revelam, sobretudo, o verdadeiro sentido da existência.
Apesar
dos obstáculos, o MESTRE dedicou-se integralmente à obra espiritual que
lhe estava destinada, e deixou, antes de desencarnar, dezenas de
associados provenientes de diversos Estados do país e doze pessoas
incumbidas de distribuir
o Vegetal, as quais apenas simbolicamente iriam dar continuidade ao seu
trabalho até que chegasse quem estava destinado a ser o seu legítimo representante.
Com
o desencarnamento de MESTRE Gabriel, a UDV continuou funcionando sob a
sua supervisão espiritual. Porém, o fato de a Ordem não contar naquele
momento com a presença de um Mestre encarnado deu início a acontecimentos
que indicavam que alguma coisa estava prestes a ocorrer, como se a União
do Vegetal aguardasse o preenchimento de uma lacuna ocasionada pela ausência
de quem sabe o que faz, por que e para que o faz.
Com
efeito, esses indícios de transformação acabaram dando origem a um novo
ciclo, que teve início em 1981 (dez anos após o desencarnamento de MESTRE
Gabriel) com a constituição, por Mestre Joaquim José de Andrade Neto,
do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal, em Campinas, São Paulo.
A
CONSTITUIÇÃO DO CENTRO ESPIRITUAL
BENEFICENTE UNIÃO DO VEGETAL
Para compreender um fato é
preciso, muitas vezes, identificar suas origens e o contexto em que ele
ocorreu.
No
caso da constituição do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal
por Mestre Joaquim, é fundamental conhecer alguns acontecimentos que tiveram
lugar a partir de sua chegada em 1975 à cidade de Porto Velho, para onde
ele se dirigiu em busca da União do Vegetal. É com o objetivo de trazer
esclarecimento sobre esse assunto que relataremos a história desde o início.
A
chegada a Porto Velho
Em 1975, quatro anos após
o desencarnamento de MESTRE Gabriel, chegou a Porto Velho, procedente
de Campinas, Joaquim José de Andrade Neto, na época com vinte e cinco
anos, à procura da Oaska, da qual ouvira falar por intermédio de um conhecido.
Foi recebido pelo então representante geral da União do Vegetal, mestre
João Ferreira de Sousa, conhecido como mestre Joanico, o qual marcou uma
Sessão para o dia 17 de abril especialmente para atendê-lo.
Ao
beber o Vegetal como sócio adventício na então Sede Geral, templo José
Gabriel da Costa, na época em construção, numa Sessão da qual participaram
mais de trinta pessoas, Joaquim José de Andrade Neto, convidado a falar,
provocou emoção nos presentes quando discorreu sobre a missão da União
do Vegetal na Terra e sua ligação pessoal com ela, manifestando ainda,
de forma marcante e significativa, seu reconhecimento e determinação em
servir à Ordem. Concluiu a exposição com as seguintes palavras: “O poder
do mal é grande, mas a coroa pertence ao Bem”.
Terminada a Sessão, que havia
sido dirigida por mestre Joanico, ele disse:
- Mestre, eu vi tudo.
Ao que mestre Joanico respondeu:
- O senhor não viu nada. Isso
é só o começo.
Voltando o olhar para uma
faixa, exposta num busto do MESTRE Gabriel, na qual estavam inscritas
as letras UDV é OBDC, indagou:
- O que significam essas letras?
Ouviu a seguinte resposta:
- Um dia o senhor vai saber.
- Tu o dizes! - sentenciou,
e despediu-se com um forte aperto de mão e um olhar que expressava grande
gratidão pelo copo de fogo líqüido que ainda iluminava seu espírito.
O encontro entre o hoje Mestre
Joaquim e mestre Joanico foi tão forte que, no dia que se seguiu ao dessa
primeira Sessão, mestre Joanico lhe deu, atendendo a um pedido seu, uma
quantia de Vegetal equivalente a um copo para que a levasse consigo, atitude
inédita em alguém cujo comportamento primava pelo rigor no trato com as
coisas relacionadas com a União do Vegetal. Agiu desta maneira em obediência
à força da burracheira, motivado por um reconhecimento instintivo de que
se encontrava diante de alguém destinado a cumprir uma missão significativa
na União do Vegetal.
Tal atitude, porém, não foi
compreendida pelos demais discípulos, e acabou provocando ciúme em algumas
pessoas que tinham dificuldade para aceitar os acontecimentos. E este
foi apenas o início de uma série de incompreensões que culminaram posteriormente
na constituição do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal. No
entanto, essa entrega do Vegetal a Mestre Joaquim teve grande importância
devido à influência que a presença do poderoso líqüido teve junto a ele
nos acontecimentos que se seguiram.
Em
busca do mandado de segurança
Naquela mesma ocasião, Mestre
Joaquim manifestou a mestre Joanico a sua vontade de participar de uma
Sessão em Manaus antes de retornar a Campinas, e este prontificou-se então
a escrever duas cartas apresentando-o ao representante e ao presidente
do Núcleo dessa cidade.
No
dia seguinte, de posse das cartas, Mestre Joaquim viajou para Manaus no
barco Intendente João Elias, no qual, além da tripulação, apenas ele e
um passageiro viajavam.
Durante
os dois primeiros dias da viagem, Mestre Joaquim e o outro passageiro
não conversaram. Este, que viajava em uma rede ao seu lado, ocupava-se
durante todo o tempo com a leitura da Bíblia, enquanto o Mestre lia um
livro intitulado Uma aventura na mansão dos Adeptos Rosa-Cruzes, presente
de um senhor que ele conhecera num hotel, de nome David, delegado do Círculo
Esotérico da Comunhão do Pensamento de Porto Velho.
No
segundo dia, Mestre Joaquim leu em voz alta a última frase do livro, que
era de São Paulo Apóstolo (Corínthios), fechando-o em seguida. E qual
não foi a surpresa de seu companheiro de viagem ao ouvir exatamente a
mesma frase que estava lendo na Bíblia! Depois desse acontecimento, iniciou-se
uma conversação através da qual Mestre Joaquim soube que esse passageiro
se chamava Inácio Mendes, que havia sido dono de um jornal em Porto Velho
e que não só conhecera MESTRE Gabriel como também participara de algumas
sessões (motivado principalmente por problemas de saúde) dirigidas por
ele.
O
Sr. Inácio contou-lhe que, na ocasião, o Vegetal lhe fizera bem, mas que,
como era pessoa de posses, membro do Rotary e da Maçonaria, havia
sido desestimulado por conhecidos a freqüentar a União do Vegetal pela
maneira humilde como ela se manifestou naquela fase de sua história. E,
ao saber que o Mestre dirigia-se a Manaus para participar de uma Sessão,
disse-lhe que também ele viajava com destino a essa cidade, na qual pretendia
fazer um tratamento de saúde. Manifestou então sua vontade de beber o
Vegetal novamente, e pediu-lhe que intercedesse junto ao representante
do Núcleo no sentido de que a sua participação fosse permitida.
Mestre
Joaquim concordou e, ao chegar a Manaus, despediu-se do Sr. Inácio Mendes,
ficando com o endereço de sua filha para posteriormente contactá-lo. Procurou
pelo presidente e pelo representante do Núcleo da União do Vegetal dessa
cidade, e este, durante o encontro, decidiu que no dia seguinte, terça-feira,
dia 22 de abril, seria realizada uma Sessão extra para atendê-lo. A autorização
para que também o Sr. Inácio comungasse o Vegetal foi concedida e o Mestre
compareceu ao Templo levando-o consigo.
Durante
esta Sessão, surgiu o assunto das dificuldades que a União do Vegetal
vinha tendo em função da incompreensão, por parte de autoridades policiais,
quanto à distribuição do chá. O Sr. Inácio pediu a palavra e disse que
discorrer acerca de tais problemas não fazia mais sentido, uma vez que
existia um mandado de segurança, assinado por nove desembargadores, autorizando
a utilização do chá Oaska em rituais religiosos. Acrescentou, ainda, que
esse mandado havia sido impetrado pelo então advogado da Ordem, Sr. Jerônimo
Santana, o qual, inclusive, fora indicado por ele próprio. Contou também
haver sido por sugestão desse mesmo advogado, e por conveniência jurídica,
que a denominação Centro Espírita fora adotada. E explicou que esse documento
se encontrava na Secretaria de Justiça, em Brasília, e que quem poderia
fornecer mais informações a esse respeito era o próprio Jerônimo Santana,
que naquela época lá se encontrava.
A
notícia do mandado causou espanto e alegria nos presentes, pois há muitos
anos ele havia se extraviado e desde então ninguém conseguira localizá-lo.
Diante
da necessidade de que alguém fosse até a Capital Federal em busca do documento,
Mestre Joaquim prontificou-se a viajar para lá com esse objetivo. Em Brasília,
contactou o Sr. Jerônimo Santana (que posteriormente chegou a ser governador
de Rondônia) e, em seguida, dirigiu-se à Secretaria de Justiça, onde permaneceu
o dia todo devido à dificuldade de localizar o mandado, a qual se devia
ao fato de que este havia
sido impetrado no nome de Associação Beneficente União do Vegetal.
De
posse desse documento, Mestre Joaquim retornou a Campinas, de onde enviou
uma cópia do mesmo a Porto Velho e outra a Manaus. Ele levou uma terceira
consigo ao do Núcleo de São Paulo (1), onde participou de uma Sessão, a qual
teve lugar um dia após a sua chegada. O mandado de segurança, que respalda
juridicamente as atividades da União do Vegetal2, foi usado numa defesa
publicada por representantes do Centro num jornal de Porto Velho de 15
de setembro de 1977. A confiança que o mestre geral representante daquela
época depositou em Mestre Joaquim desde o primeiro encontro entre ambos
constitui um sinal da harmonia deste com a manifestação do mistério que
envolve a União do Vegetal, mistério esse que a partir de então desencadeou
uma constelação de acontecimentos significativos, sem contar os que ainda
virão.
UDV
é OBDC
Alguns meses se passaram e,
por ocasião de sua terceira viagem a Porto Velho, no dia seguinte ao de
uma Sessão de festa, Mestre Joaquim pergunta a mestre Joanico:
-
O senhor sabe o significado de UDV é OBDC ?
Após
olhar por alguns segundos seu interlocutor em silêncio, ele respondeu:
-
Não, senhor.
Essa
atitude franca e sincera veio a reforçar a amizade e o respeito mútuo.
Em seguida, Mestre Joaquim pediu um pedaço de papel e um lápis e, sentando-se
com ele junto à mesa, escreveu o significado das letras, dando a explicação
necessária, diante da qual mestre Joanico ficou perplexo, pensativo e
silencioso. E fez o mesmo com mais seis associados que já pertenciam ao
quadro de mestres, os quais tampouco conheciam o seu significado. No caso
destes, no entanto, a revelação foi recebida com um misto de espanto e
incômodo. Hoje, depois de milhares de horas de burracheira e de rigorosa
observação da natureza humana, Mestre Joaquim sabe que os ensinamentos
hierofânticos do Senhor não devem ser entregues “de bandeja” às pessoas,
mas sim descobertos por elas próprias.
Alguns membros mais antigos
que conviveram com MESTRE Gabriel sabem que ele sentenciara:
- Quem descobrir o significado
destas letras, esse é o Mestre.
Portanto, o desvendar desse
significado, o qual se deu em três graus de saber (um dos quais já foi
revelado), veio a confirmar o grau de convicção do Mestre acerca da importância
do tesouro espiritual que, a partir de então, passou a estar sob sua guarda.
A União do Vegetal em Campinas
No Núcleo de São Paulo, Mestre
Joaquim, ainda na condição de discípulo, comungou o Vegetal durante um
ano, período no qual continuou a receber revelações significativas a respeito
da União do Vegetal através de burracheiras iniciáticas que vinham reforçar,
cada vez mais, sua firmeza e determinação em servi-la.
Já nessa época, premido pela
necessidade, ele advertia sobre os desvios na doutrina e no comportamento
dos discípulos, desvios esses que eram fruto de um excesso de liberalismo
combinado com um envolvimento do então dirigente com a filosofia de uma
seita indiana. O fato de ele ter percebido esse choque de doutrinas acabou
provocando a sua decisão de desligar-se do Núcleo dessa capital. No entanto,
permanecia ainda filiado à Sede Geral, em Porto Velho. Alguns meses depois,
a distribuição do Vegetal em São Paulo é suspensa pela Sede Geral, e o
Mestre, em mais uma de suas viagens a Porto Velho, recebe, em 1976, autorização
para distribuí-lo em Campinas.
É importante ressaltar que
Mestre Joaquim recebeu essa autorização apenas um ano após haver começado
a freqüentar a União do Vegetal, e antes mesmo de que houvesse participado
de qualquer Sessão instrutiva1. É que as longas conversações mantidas
com o então representante geral foram suficientes para fazer com que este
sentisse que havia encontrado alguém capaz de cumprir e de fazer cumprir
a lei da UDV. Além disso, Mestre Joaquim, como observador da natureza,
aprendeu, através das chamadas e do Vegetal, a trazer de si os ensinamentos
necessários para dar continuidade aos trabalhos da Ordem, descobrindo
o segredo de como penetrar nos mistérios dos encantos da Minguarana.
Esta nova prova de confiança
do mestre geral representante em relação a Mestre Joaquim constitui mais
uma atitude inédita em sua carreira na representação, haja vista ao tempo
que ele costumava demorar para autorizar a abertura de novos núcleos,
tal como, por exemplo, ocorreu com o Núcleo de Brasília.
No Pré-Núcleo de Campinas,
como instrutor, Mestre Joaquim deu continuidade à sua missão distribuindo
o Vegetal durante treze meses, durante os quais procurou sempre seguir
à risca os ensinamentos da UDV. Porém, como todo aquele que se dispõe
a aplicar a lei é incompreendido, o Mestre continuou a ser alvo de críticas
e julgamentos por parte de alguns integrantes do Centro, sobretudo porque
procurava mostrar aos discípulos que o processo de Iniciação implica uma
substancial mudança de hábitos, inerente a uma visão espiritual da vida.
Durante esse período, o Pré-Núcleo
de São Paulo foi reaberto, e o seu então dirigente chegou a atender dois
discípulos de Campinas que haviam sido punidos por infringência à Lei
da União do Vegetal, permitindo-lhes participar de Sessão. Agindo por
conta própria, sem a autorização de Mestre Joaquim, aquele representante,
com tal atitude, estava estimulando a desobediência, subvertendo a ordem
e contribuindo para a desunião. Além disso, ele distribuía o Vegetal a
outras pessoas residentes em Campinas, o que não fazia sentido, já que
nesta cidade havia um Representante autorizado para desempenhar essa função.
Assim agia por ver equivocamente em Mestre Joaquim o causador do fechamento
do Núcleo da capital paulista no ano anterior, opinião que era compartilhada
também por outros integrantes do mesmo. E então, embaçados por esse julgamento
e dominados pela revolta, incentivavam a insubordinação nos demais discípulos,
tentando convencê-los de que a lei da União do Vegetal não deveria ser
cumprida de forma rigorosa. Com isso, infringiam a mesma Lei, esquecendo-se
por completo dos ensinamentos do MESTRE Gabriel expressos em sua Convicção1
os quais determinam que não podemos julgar, censurar ou nos revoltar.
Tais divergências na linha
de doutrinação, acrescidas de intrigas, provocaram um conflito entre o
Pré-Núcleo de Campinas e a representação geral em Porto Velho, a qual,
não conseguindo escapar às influências dos que se sentiam incomodados
com a presença do Mestre, acabou suspendendo a distribuição do Vegetal
em Campinas.
O que mais evidencia o fato
de que a presença do Mestre não era conveniente para alguns integrantes
é o motivo - comprovadamente fútil - encontrado para tentar justificar
o fechamento do Núcleo: a questão de a camisa da União do Vegetal (trajada
nas sessões) ser usada para dentro das calças, quando, segundo o representante
geral, ela deveria ser usada para fora. É preciso esclarecer, no entanto,
que no Pré-Núcleo de Campinas o uniforme era usado para dentro não por
insubordinação, mas devido à falta cometida pela Administração Geral em
não ter anexado, aos Boletins do Centro, o artigo que regulamentava o
assunto. Mestre Joanico, durante sua visita a Campinas, procurou em vão
por tal artigo, e constatou que ele não havia sido enviado pela Sede Geral.
Essa questão poderia ter sido resolvida com uma simples determinação,
a qual teria sido prontamente cumprida.
Ciente da decisão da sede
geral de suspender a distribuição do Vegetal em Campinas (tomada por ocasião
do regresso de mestre Joanico a Porto Velho, antes do qual ele passara
pelo Núcleo de São Paulo), Mestre Joaquim acatou-a plenamente, devolvendo
todo o material da UDV que estava em seu poder, inclusive o Vegetal. E
embora tenha sempre se dedicado à Ordem desde o seu encontro com ela neste
corpo, contribuindo para sua organização em todos os sentidos, o Mestre
em nenhum momento lamentou o ocorrido, mesmo porque ele sabe que em tudo
está o mistério de Deus.
A forma como ocorreu o fechamento
do Pré-Núcleo, através de alegações que não explicam nem justificam o
fato, constitui um farto material para reflexão. Os acontecimentos a ele
relacionados foram tão significativos que acabaram por desencadear o fim
de um ciclo e o início de outro, nascido sob a égide da vontade de Deus.
Em
busca da conciliação
Após observar durante um ano
a direção que os acontecimentos vinham tomando, Mestre Joaquim se deu
conta da impossibilidade de continuar filiado ao Centro, uma vez que o
regime hierárquico verticalista da União do Vegetal havia sido substituído
por outro, de natureza política, em função do qual prevaleciam os interesses
individuais. Pediu então desligamento, por escrito, consciente de sua
decisão.
Transcorrido
mais um ano, ele viajou a Porto Velho, pela sexta vez desde sua chegada
em 1975, com o objetivo precípuo de ver esclarecida a questão da suspensão
da distribuição do Vegetal em Campinas. Esperava que, àquela altura, a
administração geral já tivesse tido tempo suficiente para reconhecer o
engano em que consistira a sua decisão. Procurava, com isso, proporcionar
aos representantes do Centro uma chance de se retratarem, para que, futuramente,
não viessem a alegar que ele não havia esgotado todas as tentativas de
conciliação.
Mestre
Joaquim dirige-se então ao mestre geral (que não era mais mestre Joanico,
visto que ele perdera a eleição para mestre geral) para propor-lhe a realização
de uma Sessão durante a qual, dentro da luz do Vegetal, pudessem examinar
o assunto. Mestre Joanico intercede a seu favor, solicitando ao representante
que realize uma Sessão para se resolver o impasse, pois o fechamento do
Núcleo de Campinas era para ele motivo de arrependimento. Prova disto
é que, alguns meses depois, ele chegara a enviar a Mestre Joaquim, atendendo
a um pedido seu, doze mudas de Mariri Tucunacá, atitude que lhe ocasionou
sérios problemas perante a representação geral. No entanto, a proposta
para a realização da Sessão foi recusada, e através dessa recusa Mestre
Joaquim pôde sentir no então representante o medo da prestação de contas,
fruto da falta de convicção nas decisões anteriormente tomadas.
É
sintomático que esse representante de Porto Velho fosse o mesmo que, anos
antes, quando em visita ao Núcleo de São Paulo, havia sido indagado por
Mestre Joaquim (que, na época, ainda na condição de discípulo, bebia o
Vegetal pela sétima vez) do porquê de estar dirigindo uma Sessão sem a
camisa da União do Vegetal. Ele, não conseguindo se explicar, agradeceu
a lembrança. Mas, apesar do agradecimento, não demonstrou, por ocasião
dessa nova visita do Mestre a Porto Velho, a devida nobreza de espírito,
já que, por razões inexplicáveis, recusou-se a atendê-lo, embora soubesse
que se tratava de um ex-dirigente de Núcleo que viajara quatro mil quilômetros
para resolver uma questão que não envolvia só a ele, mas também a outras
pessoas que estavam privadas da comunhão do Vegetal há mais de dois anos.
Além
disso, qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade teria percebido
e levado em conta, naquela situação, o forte vínculo de Mestre Joaquim
com a União do Vegetal, demonstrado desde a sua chegada através de atitudes
significativas de fidelidade e dedicação. É digno de nota, por exemplo,
o fato de que ele, em menos de três anos, tivesse viajado quarenta e oito
mil quilômetros (o correspondente a seis viagens de ida e volta a Porto
Velho), às suas expensas, para tratar de assuntos exclusivamente relacionados
à UDV, dando início a um trabalho de organização e estruturação da mesma.
A
recusa do representante impediu que a questão da redistribuição do Vegetal
por Mestre Joaquim fosse examinada e decidida dentro do âmbito do próprio
Centro, dado que lhe fechou a porta de acesso a ele e eliminou, assim,
toda e qualquer chance de entendimento. E ao se omitir de tratar de um
assunto que se encontrava sob sua responsabilidade com o objetivo de se
ver livre da presença do Mestre na UDV, essa mesma pessoa acabou provocando
a intervenção espiritual de MESTRE Gabriel, conforme veremos a seguir.
A
intervenção de MESTRE Gabriel
Ainda em Porto Velho, Mestre
Joaquim fica convencido de que os representantes do Centro dessa cidade
não estavam preparados para dar continuidade à obra de MESTRE Gabriel,
e retorna a Campinas decidido a aguardar pacientemente o novo rumo que
os acontecimentos haveriam de tomar.
Um
ano depois (e três após o fechamento do Núcleo de Campinas), no dia 24
de junho de 1981, ele realiza uma Sessão com o Vegetal preparado com os
cipós das mudas de Mariri enviadas por mestre Joanico e as folhas de um
pé de chacrona que este também lhe havia presenteado por ocasião da segunda
viagem que fizera a Porto Velho. Essa foi a primeira Sessão de preparo
realizada em Campinas. Nessa ocasião, recebe ordem superior e autorização
espiritual de MESTRE Gabriel para constituir, aos 22 de julho do mesmo
ano, o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal. Somente desse modo
seria possível evitar o desvio da doutrina da UDV, preservando-se, assim,
seus ensinamentos.
De
acordo com a determinação superior recebida, o nome do Centro deveria
permanecer praticamente o mesmo. Apenas a palavra Espírita deveria ser
substituída por Espiritual, uma vez que a primeira remete ao Espiritismo,
ou seja, à doutrina de Allan Kardec, que, como se sabe, se ocupa da comunicação
com espíritos desencarnados, enquanto que a UDV tem por objetivo proporcionar
ao homem o conhecimento de seu próprio espírito, desvendando-lhe o passado
em outras encarnações e reconduzindo-o à sua origem divina.
Algumas
pessoas, recusando-se a aceitar a presença do mistério no Vegetal, indagam
como pode ser possível que Mestre Joaquim tenha recebido autorização espiritual
de MESTRE Gabriel para constituir o Centro Espiritual sendo que este já
estava desencarnado. Mas o fato é que ele a recebeu, e não apenas a autorização,
mas também, ainda na mesma Sessão, a estrela, símbolo do grau de Mestre.
Quanto à forma como isso ocorreu, trata-se de um segredo que pertence
às pessoas que estavam presentes naquela Sessão.
Cabe esclarecer que quando
a estrela está verdadeiramente no coração, ela representa o símbolo da
união, que é luz, paz e amor, símbolo este que o discípulo só recebe quando
aprende a amar o próximo como a si mesmo. E o sinal de que uma pessoa
já chegou a este ponto é a presença constante de um estado de espírito
elevado, caracterizado pela ausência de manifestações de desrespeito ao
semelhante, tais como ofensas, calúnias, censuras e julgamentos; enfim,
de um estado de espírito pleno de solidariedade e de disposição de contribuir
para a evolução do próximo.
Ressentimento
e revolta
A constituição do Centro Espiritual,
ocorrida em 1981, gerou revolta em meio a alguns dos integrantes do Centro
Espírita. A partir dessa data, durante vários anos, eles se indispuseram
contra o Mestre e procuraram difamá-lo tanto em âmbito interno (isto é,
junto aos seus próprios associados) através de panfletos que insistiam
na idéia de que ele seria um usurpador, como em público, através da mídia,
da qual lançaram mão a cada vez que alguma obra da União do Vegetal era
publicada.
Dezessete anos depois, desprovidos
da devida coragem para reconhecerem seus erros e se renderem à incontestável
autoridade moral e supremacia espiritual do Mestre, membros do Centro
Espírita optaram pela forma mais indigna e vil de vingança, a impetração
de uma ação judicial contra o Centro Espiritual reivindicando o direito
de propriedade exclusiva dos nomes União do Vegetal e Oaska junto ao Instituto
Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Para justificar essa reivindicação,
apoiaram-se na existência de um registro de propriedade comercial sobre
esses nomes.
É
compreensível e perfeitamente aceitável que se exija exclusividade de
uso de um nome destinado a ser marca de algum produto de natureza mercantilista.
Mas, em se tratando de algo de origem milenar e que, além de tudo, não
é propriedade de quem quer que seja mas sim um patrimônio espiritual da
humanidade, essa exigência de exclusividade carece totalmente de razão
de ser. No caso específico dos nomes Oaska e União do Vegetal, há ainda
o agravante de que eles fazem parte das tradições indígenas da América
do Sul há séculos, tal como consta em diversas obras de etnobotânica,
antropologia e História. Não por acaso, quando nos Estados Unidos alguém
teve a idéia de tentar patentear o chá, a tentativa não apenas redundou
em fracasso mas gerou ainda grande indignação em meio à população indígena
e a diversas organizações ecológicas do continente americano.1
O
fato é que, ao optar por mover a ação, o Centro Espírita deixou evidente
que seus objetivos não são de natureza espiritual, mas sim comercial.
E, como se isso não bastasse, pisoteou ainda a própria lei da União do
Vegetal, pois traiu os ensinamentos do MESTRE que se encontram registrados
num documento denominado Convicção do Mestre, publicado em 1967 no jornal
Alto Madeira, em Porto Velho, Rondônia.
Esse
documento narra um episódio da vida de MESTRE Gabriel em que ele foi preso
injustamente e de maneira arbitrária pelo então delegado de polícia de
Porto Velho por estar preparando e distribuindo o Vegetal a alguns de
seus discípulos, e evidencia que ele era contrário à prática da mobilização
judicial. Consta que estes tentaram impetrar uma ação judicial contra
o referido delegado alegando invasão domiciliar após as 22 horas, mas
que foram desestimulados pelo MESTRE a tomarem qualquer atitude no sentido
de punir judicialmente o autor de sua prisão, pois se o fizessem não estariam
agindo com luz, paz e amor.
E
se MESTRE Gabriel declinou da vontade de punir judicialmente aqueles que
o prenderam, como seria de se esperar então que ele viesse a agir num
caso em que o acusado é um homem que vem fazendo cumprir sua palavra e
trabalhando para tornar a União do Vegetal conhecida e respeitada mundialmente,
e que, além disso, vem trazendo a público, por meio de dezenas de obras,
os ensinamentos recebidos através da Oaska?
O
processo judicial impetrado contra o Centro Espiritual Beneficente União
do Vegetal ainda se encontra em andamento, mas, independentemente de seu
resultado, o Mestre Joaquim José de Andrade Neto continuará cumprindo
sua missão de maneira magistral, tal como sempre a cumpriu, mantendo-se
permanentemente em sintonia com a Força Superior e recebendo dela toda
a inspiração e a sabedoria necessárias para conduzir os trabalhos da Ordem.
Como homem consciente que é, ele sabe que a decisão jurídica em questão,
por mais que possa garantir a exclusividade de uso do nome da União do
Vegetal à outra parte, não lhe garantirá jamais a presença do mistério
em suas atividades nem a autoridade espiritual inerente ao grau de Mestre
a nenhum de seus membros. Ao contrário, aqueles que, agindo de forma truculenta
e retaliadora, outorgam aos homens o direito de decidir sobre questões
de natureza divina, esquecendo-se de que nestes casos a mão humana é indesejável,
acabam impedindo, por suas próprias atitudes, que o poder de Deus os penetre.
Distanciam-se, por conseguinte, dos Seus elevados atributos de luz, paz
e amor.
Em
síntese, a constituição do Centro Espiritual, ao invés de gerar revolta,
deve ser motivo de reflexão e exame, uma vez que a lei da União do Vegetal
existe para ser cumprida,
e não violada. E aqueles que cometem uma infringência não podem nem devem
eximir-se de seus efeitos, dos quais estarão livres somente a partir do
momento em que reconhecerem de coração suas atitudes inconseqüentes. Só
a partir de então poderão desfrutar do conforto que seus espíritos tanto
necessitam.
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MESTRE Gabriel durante o preparo do
Vegetal em Porto Velho, RO na
década de sessenta
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Mestre Joaquim distribuindo o Vegetal
quarenta anos depois em Campinas, SP
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Nota
1. O norte-americano
Loren Miller agiu de forma semelhante à do Centro Espírita, tentando obter
a patente da Ayahuasca (corruptela de Oaska usada pelos índios). Seu objetivo
era torná-la produto exclusivo da empresa Plant Medicine Corporation,
tendo, por causa disso, sido notícia internacional durante alguns anos.
Em 1986 ele obteve essa patente, mas o fato provocou o repúdio das comunidades
indígenas. A Confederação Indígena das Comunidades Amazônicas (COICA)
solicitou o cancelamento da mesma, apoiado no fato de que a bebida já
vem sendo usada por índios há séculos. Durante o 5º Congresso da COICA,
em maio de 1997, oitenta delegados representantes de quatrocentas tribos
amazônicas se posicionaram contra o patenteamento. Finalmente, no dia
3 de novembro de 1999, depois de grande parte do mundo também haver feito
o mesmo, o PTO (United States Patent and Trademark) o rejeitou, levando
em consideração o sentido sagrado da bebida para as comunidades indígenas
e o fato de elas a usarem há muitas gerações.
INÍCIO
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