|


Matéria
publicada no anuário
cultural Humanus I, ano 2000
Oaska, o Misterioso
chá da Amazônia

Considerado
o Grande Avatar pela sua poderosa capacidade de despertar a divindade
no homem, o chá Oaska, composto a partir de duas plantas da Floresta
Amazônica e comungado em rituais religiosos desde eras remotas,
ganha cada vez mais adeptos em toda a América do Sul, nos Estados
Unidos e na Europa. O que atrai estas pessoas é o poder de atuação
desse misterioso líqüido no espírito humano, que lhes possibilita
conhecer o verdadeiro significado da existência, recordar-se de
suas vidas passadas e aprender a construir um futuro melhor a partir
da consciência adquirida.
Iluminando
a humanidade através dos séculos e deixando sinais de sua doutrina
em inúmeras religiões do planeta, a UNIÃO DO VEGETAL (UDV), a Ordem
Religiosa que distribui o chá em seus rituais religiosos e que é
também a mais antiga do mundo, ressurge no final do século XX inaugurando
a era de Aquário pelo seu poder de fazer superar as ilusórias divergências
e as rotulações religiosas, no sentido de despertar os homens para
a legítima e única dimensão da espiritualidade: a união.
Deste modo,
o chá Oaska representa a esperança para um mundo onde a desunião
e o desequilíbrio tomaram proporções tão inauditas que se torna
difícil conceber uma solução para ele. Embora para muitos a existência
de um chá dotado de tamanho poder possa parecer algo impossível,
ele existe, e em território nacional, encontrando-se à disposição
de todos os que têm busca espiritual. Requisito para experienciar
esse poder? Uma boa dose de coragem para se enfrentar. E como recompensa,
a avaliação de toda uma vida dentro da dimensão espiritual, além
da força suficiente para livrar-se do falso e do ilusório. A
luz em sua própria casa
Em 1974, dois jovens saíram de um mosteiro budista do Rio de Janeiro
com o objetivo de empreender uma viagem a um templo do Tibete em
busca de algo que os auxiliasse na conquista do autoconhecimento.
Baseando-se em informações contidas em livros e em algumas revistas
de cunho espiritualista, alimentavam
a esperança de que lá encontrariam o caminho espiritual que
aqui ainda não haviam conseguido encontrar.
Após uma estafante viagem de quase uma
semana, constituída de algumas dezenas de horas de vôo, embarques
em trens, ônibus e navios, além de uma longa escalada a pé pelas
montanhas do Himalaia, chegaram afinal ao templo tibetano, situado
num dos inúmeros picos dessa cordilheira.
Faltava apenas a entrevista com o Lama,
que ocorreu dois dias depois da chegada. Assim que foram recebidos
por ele, expressaram-lhe suas inquietações a respeito da busca pelo
verdadeiro caminho da espiritualidade, a qual os motivara a fazer
tão longa jornada. O ancião os fitava sem nada dizer, até que, após
um longo silêncio, revelou:
– A Grande Luz
que durante tanto tempo clareou o Oriente deslocou-se para o Ocidente.
Encontra-se na América do Sul, no país maior. Só lá poderão encontrar
o que procuram.
Os dois peregrinos não podiam acreditar
no que estavam ouvindo: tanto trabalho e esforço, tanto dinheiro
e tempo gastos para terem de ouvir que a Grande Luz estava no Brasil!
Não sabiam se ficavam desolados ou felizes diante de tão forte revelação,
mas não tiveram outra alternativa senão regressar.
Em 1989, a história se repete, desta vez
com dois profissionais de São Paulo. Um professor de Tai Chi Chuan,
estudioso da filosofia oriental, convenceu um amigo seu, gerente
industrial, a acompanhá-lo até um mosteiro de linha tibetana na
Índia à procura de um certo monge do qual ele ouvira falar, pois
acreditava ser sua
doutrina religiosa a mais próxima da verdade. O monge, da mesma
forma que o outro fizera no Tibete quinze anos antes, revelou-lhes
que a luz que eles procuravam se encontrava aqui no Brasil...
Os dois primeiros viajantes, alguns meses
depois de sua chegada, relataram o fato à pessoa que um ano depois
encontraria a Oaska e após seis se tornaria o dirigente da União
do Vegetal: o Mestre Joaquim José de Andrade Neto, que sempre sentira
e soubera que o caminho da verdadeira espiritualidade se encontra
na própria América do Sul. Os outros dois que passaram por experiência
semelhante contaram o ocorrido para o proprietário de uma academia
de Tai Chi Chuan; e esta pessoa, no ano seguinte, encontraria a
União do Vegetal e se tornaria discípulo do Mestre. Assim, a grande
boa nova para o habitante do continente sul-americano é a presença
desse chá neste mesmo contintente, fato esse que pode poupá-lo de
ter que se deslocar até o Himalaia, à Índia ou a outros lugares
em busca da experiência com o sagrado.
Aliás, os episódios ocorridos com esses
brasileiros são simbólicos, na medida em que a primeira revelação
proporcionada pela Oaska é a de que a luz tão procurada pelo homem
se encontra em sua própria casa, ou seja, no interior de si mesmo.
Também Lídia Carmeli, discípula que é jornalista e ex-professora
de yoga, passou por experiência semelhante, tendo ido até à Índia
e lá permanecido quatro meses em busca do autoconhecimento: “Não
dá nem para comparar as inúmeras horas que despendi com exercícios
de meditação e yoga com um minuto de experiência com a Oaska: a
experiência é tão forte e grandiosa que depois da minha primeira
Sessão eu ria de mim mesma por ter esperado alcançar o êxtase em
terras tão distantes e através de exercícios meramente mentais.”
Adriana Simon, também discípula, sintetiza da seguinte forma o impacto
que representou para ela encontar-se pela primeira vez sob o efeito
do chá: “Quatro horas de experiência com a Oaska foram suficientes
para me dar as respostas existenciais que eu há anos procurava.
Quando já estava tendo crises de depressão, descobri
todas as respostas dentro de mim mesma.”
Assim, a Floresta
Amazônica, considerada “o pulmão verde do mundo”, além de contribuir
para a qualidade de vida do homem no nível físico através da purificação
do ar, ainda favorece a sua qualidade de
vida no nível espiritual, justamente por abrigar, dentre
as milhares de espécies vegetais que a compõem, as duas plantas
surpreendentes com as quais o chá Oaska é preparado, o Mariri e
a Chacrona, cujos efeitos podem representar a solução para os problemas
humanos. Esse fato explica a atração que inúmeros povos de outros
continentes sentem pela gigantesca mata sul-americana, ainda que
desconhecendo o mistério que ela guarda em seu seio. A busca pelo
êxtase
A busca pelo sentimento de plenitude do ser – o êxtase – é uma característica
da natureza humana, de modo que a esperança de experimentá-lo jamais
se extingue. Essa esperança é que deu origem às religiões e ao que
de melhor se criou na arte, nas ciências e na filosofia. Paradoxalmente,
a busca pelo êxtase também levou o homem a descaminhos. Veja-se,
por exemplo, o caso do grande número de pessoas de uma das gerações
do nosso século que arriscou sua saúde física e mental em experiências
alucinógenas na ilusão de que as mesmas poderiam lhes proporcionar
a ligação com algo transcendental.
Tais pessoas
ignoravam, sem dúvida, que o êxtase é infinitamente mais do que
sensações de bem estar acompanhadas de visões. A necessidade de
senti-lo está relacionada à busca pelas respostas para as questões
existenciais. Sem saber exatamente o que está fazendo neste mundo,
o homem encontra dificuldades para traçar diretrizes ou princípios
de vida e, mais ainda, para ser fiel a esses princípios. E é justamente
essa carência de respostas que explica a existência das guerras,
das perseguições, da escravidão e de outras aberrações que marcam
a História da Civilização. Nesse sentido, a consciência do porquê
da vida é algo imprescindível para a conquista da harmonia da espécie
humana na Terra.
No entanto, embora
a experiência do êxtase faça parte dos anseios recônditos de cada
um, o caminho que conduz a ele é dos mais difíceis, porque só é
possível senti-lo quando o canal de acesso ao Sublime se encontra
desobstruído. E isso só acontece quando conseguimos transcender
os estreitos limites de nosso pequeno ser individual e enxergar
adiante de nós mesmos, descobrindo os liames invisíveis que nos
ligam a todos os outros seres e a toda a natureza. Ângela Regina
Canazza Corrêa, professora de música e associada à União do Vegetal
há quatro anos, esclarece: “A Oaska é capaz de nos fazer chorar
por toda a humanidade, amando intensamente cada homem que existe
no mundo, e ainda nos prepara para podermos contribuir para a regeneração
desse grande organismo do qual somos parte integrante.”
Mas até chegar
a esse ponto há uma longa travessia a ser realizada dentro de si
mesmo, para a qual a Oaska é considerada o mais eficaz dos instrumentos.
Ao comungá-la, o discípulo normalmente tropeça nas faltas do passado,
enxerga a queda e constata suas fraquezas, manhas e maldades. Os
membros da UDV afirmam que a lucidez adquirida nessa caminhada é
suficiente para diagnosticar problemas espirituais e questões mal
resolvidas. E como as pessoas sempre se julgam melhores do que elas
realmente são, não é raro que levem um susto diante da constatação
dos entulhos acumulados durante anos. Porém, depois da limpeza,
o espírito se rejubila e se eleva: “Tive que atravessar o inferno
que eu mesmo havia criado para chegar ao paraíso”, declara a maioria
dos que já comungaram o misterioso líqüido.  Clique aqui
Oaska:
espelho espiritual
Pode parecer ilógico, absurdo ou fictício, mas a verdade é que duas
plantas nativas da Floresta Amazônica, o cipó Mariri e o arbusto
Chacrona, quando cozidas com água e preparadas por um Mestre que
faz parte da história destas plantas sobre a Terra, produzem um
chá que tem efeitos surpreendentes na vida das pessoas, conferindo-lhes
a capacidade de enxergarem a si mesmas espiritualmente como se estivessem
se olhando num espelho. Assim, a Oaska atua como instrumento de
justiça divina de forma infalível, revelando a cada um o seu estado
espiritual.
O efeito surpreendente desse misterioso
líqüido no espírito humano tem o nome de burracheira, experiência
capaz de mudar completamente a vida de uma pessoa, tal a força das
verdades existenciais que traz à tona. Por esse motivo, não é difícil
deduzir que o discipulado através da Oaska não seja fácil, mesmo
porque não são todos os que procuram a Verdade; e, dos que a procuram,
só alguns conseguem suportá-la, ainda mais em se tratando, como
é o caso, de enfrentar a força da verdade no plano espiritual, o
que é bem mais sério.
A maioria das pessoas, infelizmente, ainda
prefere fugir de si a ouvir a própria consciência, e para isso há
uma série de recursos à disposição, como os entorpecentes (o álcool,
tabaco e outras drogas); a psicoterapia, que é um meio de fuga mais
sofisticado; ou, ainda, a televisão, que atua de forma mais sutil,
absorvendo muitas horas no dia-a-dia das pessoas. São diferentes
formas de adiar o auto-exame que deve ser feito. A Oaska
tem o poder de desmontar o castelo de ilusão criado por tais
recursos e apresentar a cada um, com nitidez incontestável, o espetáculo
do seu desequilíbrio. E de tal enfrentamento não há como fugir:
o acerto de contas torna-se uma ordem inexorável. Esse é o primeiro
passo para o autoconhecimento.
Além desse importante diagnóstico, o discípulo
adquire força e coragem
para operar em si as mudanças necessárias. Trata-se de um serviço
completo, só restando à pessoa fazer jus à clareza recebida, cumprindo
em seu cotidiano o que deve cumprir e deixando de fazer aquilo que
não deve.
A conquista paulatina do discernimento
através desse processo contínuo de auto-avaliação contribui para
que as pessoas evitem cometer desatinos , e essa retidão de conduta
certamente contribuirá para atrair a boa sorte em suas vidas. Efeitos morais e éticos da Oaska nos discípulos A
Oaska, por trazer à tona a consciência espiritual, torna evidentes
e nítidos os verdadeiros valores humanos e, com isso, contribui
para que cada um adquira uma conduta cada vez mais reta e equilibrada.
Seus efeitos são, portanto, de integração familiar e social. E,
ao mesmo tempo em que espiritualiza o homem, cobra-lhe atenção redobrada
em sua vida, apontando-lhe os deveres de filho, irmão, cônjuge,
pai, profissional e membro social. “Não conheço nada tão eficiente
para nos elevar e ao mesmo tempo nos manter com os pés no chão”,
declara Eduardo Müller de Sá, membro da UDV há cinco anos. Outro
membro, Marcos Francisco Marchini, empresário, se confessa surpreso
com as suas próprias mudanças: “Nunca havia atingido um estado tão
intenso de sensibilização em relação às pessoas que me cercam. Agora,
cada pessoa na minha frente é para mim alguém especial e merece
uma atenção especial”, afirma ele. Assim, cada um que comunga a
Oaska enxerga a sua parte, ou seja, o que lhe compete fazer dentro
dos seus deveres e, mais do que isso, sente o peso dessa responsabilidade.
E a cobrança da burracheira acontece na proporção exata do que o
discípulo pode e deve fazer no grau em que se encontra. A verdade
é que, se cada pessoa cumprisse o seu dever de forma integral e
eficiente, certamente os problemas humanos seriam abolidos da face
da Terra e o homem alcançaria um novo estágio de evolução.
Os associados da União do Vegetal, ao se
darem conta da gravidade de suas omissões ou dos desvios que vinham
cometendo há anos, querem a todo custo repará-los. Alguns sentem
essa necessidade a partir da primeira Sessão, como é o caso de uma
novata que viajou mais de 1.000 kilômetros para buscar o filho que
ela abandonara há três anos e que deixara com o ex-marido; de um
associado que confessou à esposa todos os seus adultérios; e de
uma jovem que procurou o pai para uma reconciliação após dez anos
de inimizade. Além disso, no quadro de associados da União do Vegetal
constam casais que, antes da experiência com o chá, já estavam separados
ou prestes a separar-se, e filhos que se indispunham com os pais,
além de ex-drogados, ex-alcoólatras e ex-desocupados, todos tendo
passado por esse mesmo processo de auto-exame e amadurecimento espiritual
proporcionado pela Oaska, e desfrutando atualmente da integração
com a família e com a sociedade. Começando
de si mesmo
Na burracheira as imperfeições do ser humano são enxergadas com
os olhos do espírito, e nessa dimensão o homem descobre uma lucidez
até então desconhecida, a espiritual, que é, aliás, a única capaz
de fazê-lo compreender que tudo o que é horrível no mundo tem por
causa o horrível que cada um tem dentro de si. Em outras palavras,
ele compreende que, para mudar o exterior, é preciso começar do
interior. Tendo isso por princípio e diretriz de vida, todos os
associados da União do Vegetal são unânimes em afirmar que a lição
mais importante da vida espiritual é a de que o único inimigo do
homem está dentro dele mesmo, e que justamente por não saber disso
é que ele cai no engano de julgar que os inimigos são os outros.
Assim, os que chegam à União do Vegetal com idéias revolucionárias
logo se deparam com a ordem inexorável, vinda da própria consciência,
de primeiro mudarem a si mesmos antes de quererem mudar o mundo,
pois compreendem que quem consegue mudar a si mesmo já está, na
verdade, começando a mudar o mundo.
Por isso, as revelações da Oaska trazem
consigo a exigência de virem a ser incorporadas à vida cotidiana
e de se transformarem nas diretrizes éticas norteadoras da conduta
de quem as recebe. Este é o preço de todo verdadeiro conhecimento
espiritual: uma vez constatada a verdade, quem tentar fugir dela
terá sempre de prestar contas à sua consciência, que é o mais rigoroso
de todos os juízes. Sob a luz da Oaska, este acerto de contas é
tão marcante que aquele que não conseguir se harmonizar com a própria
consciência certamente não conseguirá continuar a sua caminhada
na vida espiritual.
Como conseqüência dessa cobrança, o discípulo
revê todos os seus valores e, a partir dessa nova concepção de vida,
passa a policiar seus pensamentos, palavras e atitudes. O próprio
conceito de honestidade, por exemplo, começa a ser encarado de forma
bem mais ampla. “Ser honesto não é só não roubar, como pensam as
pessoas. Para se chegar ao ponto de ser honesto espiritualmente
é preciso parar de mentir, de omitir, de enganar, de tirar vantagens
e de usar de manha para conseguir as coisas”, esclarece o Mestre.  Clique
aqui
Burracheira
e mirações
As imagens contempladas durante a burracheira recebem a denominação
de mirações e podem se manifestar de formas infinitamente variadas:
ora são duradouras, ora fugazes; ora nítidas, ora dotadas de tênues
contornos; ora de aparência assustadora, ora de grande beleza. Muitas
vezes as mirações revelam fatos do passado, às vezes de um passado
anterior à atual encarnação. E, conforme a necessidade, até mesmo
o futuro pode ser revelado. Em todas é possível encontrar um significado;
todas pedem uma decifração. Mas a forma pela qual elas revelam seus
conteúdos é também extremamente variável: às vezes são bastante
claras e diretas; às vezes são enigmáticas e oraculares. Por este
motivo, os discípulos podem precisar do auxílio do Mestre para conseguir
compreender o seu significado.
Na verdade, as mirações constituem recursos
de ilustração utilizados pela burracheira para
revelar ensinamentos
e o estado de espírito de cada um. Porém, as revelações também podem
se manifestar através de sentimentos, de sensações ou de inúmeras
outras formas. As palavras do Mestre, por exemplo, são fonte inesgotável
de revelações, como também o são os acontecimentos da vida diária,
desde que corretamente interpretados.
Apesar de ser a miração apenas uma das
possíveis manifestações da burracheira, é comum acontecer de pessoas
procurarem a UDV imaginando que a Oaska é bebida com o único objetivo
de se “ver coisas”. Muitas vezes estas pessoas, após uma experiência
marcante com a Oaska, afirmam que não tiveram burracheira pois “não
viram nada”. Este tipo de idéia é, em grande medida, o efeito de
uma série de publicações a respeito de experiências com chás preparados
com Mariri e Chacrona sem a orientação do Mestre. Os relatos que
estas publicações trazem praticamente se resumem à descrição de
visões de formas exóticas e coloridas. Em muitos casos esses relatos
estão impregnados daquela espécie de misticismo selvático tipo “exportação”,
muito em moda ultimamente. Proliferam então os xamãs voadores furando
os ares em direção ao arco-íris, os animais falantes de pelagem
iridescente e os pequenos seres espirituais da floresta. Outros
depoimentos não vão além de uma descrição cansativa de padrões geométricos
complexos e coloridos ou de formas abstratas esvoaçantes em contínua
metamorfose. Tudo isto não é senão uma prova tanto da falta de orientação
das pessoas que preparam e ingerem aquelas beberagens como do escasso
alcance espiritual das mesmas. Elas podem produzir visões, mas isso
não quer dizer que estas provenham da burracheira, mesmo porque
a burracheira é um efeito exclusivo da Oaska. E a Oaska só pode
ser produzida pelas mãos do legítimo Mestre Geral Representante
da União do Vegetal, e não por curiosos.
De nada adianta
ter visões se não se pode ter a compreensão trazida pela burracheira;
e quem bebe a Oaska sabe perfeitamente que é bem melhor ter burracheira
sem ter mirações do que ver muitas coisas sem ter burracheira. As
origens  Clique
aqui
A possibilidade de certas plantas comporem um chá capaz de nos revelar
o sentido de nossa vida é algo que o homem moderno – que desaprendeu
a reverenciar a natureza e se tornou insensível aos seus mistérios
– reluta em aceitar. De fato, não se pode demonstrar por meio de
argumentos lógicos que haja esta possibilidade. Porém qualquer esforço
de demonstração é desnecessário, uma vez que o chá existe e é acessível
a todos os que quiserem comprovar os seus poderes e aprender com
ele.
Na verdade, como
demonstram fartas evidências apontadas por antropólogos e etnobotânicos,
a utilização de uma bebida composta pelo Mariri e pela Chacrona
já existia antes mesmo do início da civilização ocidental. Este
fato nos leva a indagar como é possível que em época tão remota
tivesse sido descoberto que, da união de duas plantas específicas,
selecionadas dentre as centenas de milhares de espécies que compõem
a Floresta Amazônica, resultaria um líqüido com os poderes surpreendentes
da Oaska, cujo benefício à humanidade supera o de todo o conhecimento
tecnológico acumulado por nossa civilização. Tal descoberta, que
não poderia ser obra do acaso e da experimentação, é uma indicação
de que o surgimento da Oaska só pode ter sido fruto da intervenção
direta da Força Superior que governa a natureza.
Só mesmo a Oaska
poderia desvendar o mistério de sua própria origem. E o chá misterioso
revela que esta origem remonta à mais antiga cultura indígena, no
primeiro alvorecer da cultura humana. Foi nesta época que Salomão,
o Rei da Ciência, com a sua sabedoria inspirada, realizou a união
entre o Mariri e a Chacrona e entregou o fruto dessa união, que
é o chá Oaska, ao seu fiel vassalo Caiano, que, ao bebê-la, adquiriu
a consciência espiritual e se tornou o primeiro Oasqueiro, ou seja,
a primeira pessoa a comungar e a distribuir a Oaska na Terra. Nesta
ocasião, Caiano recebeu de Salomão o sétimo segredo da natureza,
a União do Vegetal e, com ela, a chave da palavra perdida, que permite
entrar em contato com a Força Superior e penetrar nos encantos da
natureza divina.
Desde então,
Caiano, sempre demonstrando grande abnegação, humildade e amor pela
humanidade, vem se reencarnando sucessivamente na Terra e cumprindo
sua missão de restaurar a União do Vegetal e de trazer aos homens
a luz do verdadeiro conhecimento espiritual. Neste século, ele reencarna
em Coração de Maria, Estado da Bahia, com o nome de José Gabriel
da Costa, tendo se tornado conhecido na UDV como MESTRE Gabriel.
De origem humilde,
MESTRE Gabriel se desloca, quando adulto, para a cidade de Porto
Velho, em Rondônia, a fim de trabalhar como seringueiro na Floresta
Amazônica. No seringal boliviano chamado Guarapari, bebe o chá sagrado,
o qual lhe permite recordar-se de sua missão e de suas encarnações
passadas. Em 1961, após passar três anos examinando as revelações
recebidas, MESTRE Gabriel recria a UDV, dando início ao seu trabalho
de doutrinação e de distribuição do misterioso líqüido. Em 1971
ele desencarna deixando um precioso legado espiritual, em virtude
do qual as gerações futuras hão de lembrar o seu nome com gratidão
e reverência. O
Ritual A
Oaska é comungada exclusivamente nas sessões da União do Vegetal,
as quais têm duração de quatro horas e são dirigidas pelo Mestre
ou por quem for designado a representá-lo. A presença do Mestre
dirigindo a Sessão e a observância ao ritual são imprescindíveis
à concentração e ao auto-exame, garantindo também a harmonia do
ambiente e a elevação espiritual do discípulo.
Após haverem bebido a Oaska, os participantes
da Sessão permanecem sentados até o final do ritual. O Mestre faz
então as chamadas (cantos iniciáticos) de abertura e, em seguida,
inicia os trabalhos de doutrinação espiritual, os quais podem ser
intercalados com músicas contendo ensinamentos, selecionadas conforme
a necessidade. Nessas ocasiões o discípulo tem oportunidade de ouvir
aquilo que ele mais precisa ouvir, uma vez que o Mestre atua como
um canal de ligação com a Força Superior, de onde vêm todos os ensinos
espirituais.
Encerrada a doutrinação, os participantes
têm oportunidade de, mediante pedido verbal, se expressar e fazer
perguntas ao Mestre. No prazo previsto do ritual, este entoa
as chamadas de encerramento e dá por encerrada a Sessão. O
Preparo

Clique aqui
Clique
aqui
O chá comungado nas sessões é preparado pelos próprios membros da
União do Vegetal sob a orientação do Mestre, num ritual que constitui
um verdadeiro culto à natureza. Os homens colhem o Mariri, que,
em seguida, é raspado, amassado e desfiado. As mulheres colhem as
folhas da Chacrona e lavam-nas, uma a uma.

Clique aqui
Clique aqui
O Mestre dispõe então o Mariri e a Chacrona em caldeirões e verte
sobre eles água suficiente para a fervura. Depois que o Vegetal
é distribuído e comungado, são feitas as chamadas de abertura e
é aceso o fogo sob os caldeirões. Com a chamada da União, o Mestre
invoca a luz e a força, que são assimiladas pelo Vegetal e gravadas
em sua memória.  Clique
aqui
Esse fenômeno mágico através do qual um líqüido adquire a propriedade
de fazer o poder de Deus se manifestar no espírito humano só é possível
graças à intermediação que o Mestre realiza entre o plano espiritual
e o mundo físico. É por isto que a existência da Oaska na Terra
tem como condição essencial a presença de um Mestre consciente e
recordado espiritualmente na direção do seu preparo e distribuição.
Sem isso, o resultado pode ser um chá feito de Mariri e Chacrona,
mas certamente não será Oaska, ou seja, não será provido dos seus
efeitos misteriosos. E sem a verdadeira Oaska não há como experienciar
a burracheira.  Clique
aqui
Quanto aos demais participantes do preparo, exige-se de todos, durante
os trabalhos, um alto nível de compenetração e de atenção. Cada
um deve cuidar para que suas atitudes, palavras e seus pensamentos
estejam sempre em sintonia com o dirigente e com a seriedade do
trabalho que se está realizando.  Clique
aqui
Fazenda
Rei Salomão  Clique
aqui
A Fazenda Rei Salomão é uma experiência de organização de uma irmandade
comunitária, na qual os associados da União do Vegetal podem
desfrutar de uma vida saudável pautada pelo respeito mútuo e pelo
amor à natureza. Está situada no município de Tapurah, Estado de
Mato Grosso, no centro geográfico da América Latina, em plena Floresta
Amazônica, abrangendo 500 hectares de extensão. É também o primeiro
núcleo rural da UDV e, como tal, conta com um Centro de Ensino e
Produção Agrícola (CEPA), entidade que é implementada em cada núcleo
rural da União do Vegetal
e cujas funções prioritárias são o cultivo do Mariri e da Chacrona,
bem como o ensino das técnicas de plantio destes vegetais, com os
quais se realizará o preparo do chá que será comungado em todos
os núcleos da UDV. Além de trabalhar por esses objetivos, os CEPAs
desenvolvem atividades destinadas a possibilitar a autonomia e a
auto-suficiência do grupo e atender às necessidades da sociedade
local.
Esses Centros têm também o objetivo de
despertar o homem para a importância do trabalho físico (considerado
na União do Vegetal um requisito de purificação inerente ao aperfeiçoamento
espiritual), iniciando-o na prática do uso do prumo, do nível, do
esquadro, do compasso e da enxada. Cada CEPA deverá implantar uma
escola, que, além de instrução primária, fornecerá cursos técnicos
sobre os fundamentos da agricultura e da construção civil. Cada
Centro contará ainda com um Posto de Saúde, o qual, assim como a
escola, atenderá tanto a demanda interna da UDV como a da comunidade
circunvizinha.
As condições inóspitas da mata já foram
vencidas, e hoje os moradores e visitantes da Fazenda Rei Salomão
podem desfrutar do ambiente paradisíaco que a natureza oferece e
de todo o conforto de que dispõem na cidade. Sua produção abrange
leite e derivados, além de diversos produtos hortifrutigranjeiros,
tais como banana, abacaxi, limão, caju, laranja, mamão, jaca, mandioca,
milho, raiz de lótus, palmito, e também mel. Faz parte ainda da
cultura agrícola dessa fazenda uma variedade enorme de plantas medicinais,
como guaco, boldo, sálvia, camomila, hortelã, melissa, etc. Mas
a sua principal produção, sem dúvida, são as duas plantas que compõem
a Oaska, o Mariri e a Chacrona, as quais são cultivadas em grande
extensão e com um cuidado todo especial pelos associados da UDV.
A Fazenda, entre outras coisas, permite
ao homem da cidade descobrir o encanto do campo: respirar um ar
isento de resíduos industriais e de fumaça de automóveis, banhar-se
em águas de fontes cristalinas, pescar em rios largos e silenciosos
e caminhar por estradas ladeadas por árvores frondosas em contato
com aves e animais silvícolas. Permite-lhe arar a terra, escolher
o que quer plantar e, depois do cultivo, preparar e comer o que
plantou. Permite-lhe também descobrir o encanto que os relacionamentos
humanos possuem quando cada um está centrado em si e cumprindo a
sua parte.
O grande destaque da paisagem da Fazenda
Rei Salomão é um belíssimo lago, no centro do qual pode-se ver tremular
num mastro a bandeira azul da União do Vegetal. Ao seu redor, estende-se
um amplo jardim com plantas ornamentais e árvores frutíferas. Num
suave aclive encontra-se um conjunto sóbrio e harmonioso de edificações,
e, emoldurando todo este jardim, está a imponente floresta virgem,
como um vasto oceano verde cheio de vida. Em nome do respeito à
natureza, a UDV declarou toda a área de floresta virgem pertencente
à Fazenda como reserva ecológica, preservando-a assim de qualquer
tipo de agressão. Instalações
e recursos  Clique
aqui
A Fazenda Rei Salomão demonstra que o respeito à natureza não está
em contradição com a utilização da tecnologia: graças a décadas
de dedicação por parte da Administração Geral da UDV, ela hoje se
encontra bem equipada. Sua Sede administrativa conta com os recursos
da telefonia e da informática, e seu refeitório de 500 m² possui
anexa uma moderna cozinha industrial. Estão também edificados o
Templo (onde são realizadas as sessões da UDV), diversos alojamentos
constituídos de apartamentos confortáveis para os residentes fixos
ou temporários, além de escritórios, secretaria e tesouraria.
 Clique
aqui
Clique
aqui
As funções desempenhadas pelos moradores da Fazenda visam não apenas
manter suas boas condições como também ampliar as instalações e
acomodações da mesma. Nesse sentido, esses associados colaboram
para a expansão da obra, uma vez que propiciam condições para que
a Fazenda possa acolher um número grande de pessoas, inclusive do
exterior, tal como já vem acontecendo. Com esta finalidade, cuidou-se
de treinar equipes para cobrir cada área de trabalho: a de edificações,
a de alimentos, a de limpeza, a de manutenção elétrica e hidráulica
e a que cuida da plantação do Mariri e da Chacrona. Um sino de grande
porte anuncia o café da manhã às 6 horas, o almoço às 12 e o jantar
às 19, sendo as refeições servidas no refeitório central.
 Clique
aqui Clique
aqui
A Constituição do Centro Espiritual
Beneficente União do Vegetal
 Clique
aqui
MESTRE Gabriel ocupa o vértice superior da hierarquia da UDV, sendo
a fonte de todos os ensinamentos desta. Por ter recebido a União
do Vegetal das mãos do seu autor, o Rei Salomão, ele é o guardião
espiritual dos segredos da Oaska, e esta se encontra indissoluvelmente
ligada a ele. O cozimento conjunto do Mariri e da Chacrona só resulta
no misterioso chá quando realizado sob sua supervisão e a serviço
da obra que lhe foi confiada pela Força Superior. A Oaska é, por
sua vez, o veículo pelo qual o MESTRE se faz presente na Terra,
iluminando o caminho trilhado pela União do Vegetal.
Após seu desencarnamento, ocorrido em 1971,
MESTRE Gabriel continua a orientar os passos da União do Vegetal,
mas a sua intervenção passa a se dar através de um representante.
Por isto existe na UDV o cargo de Mestre Geral Representante, cujo
titular é o responsável pela continuidade de sua obra. O Mestre
Geral Representante está ligado ao MESTRE Gabriel por um vínculo
de absoluta fidelidade e obediência, constantemente renovado e confirmado
pelo poder da Oaska.
Percebe-se que representar o MESTRE não
é tarefa simples. Tampouco é simples a tarefa de escolher a pessoa
que deverá desempenhar este mister, daí o fato de essa escolha,
da qual depende a continuidade da UDV na Terra, não poder ficar
a cargo de terceiros. O próprio MESTRE é quem convoca o seu Representante,
e se não pode fazê-lo pessoalmente, o faz através do mistério. A
força misteriosa da Oaska faz chegar a pessoa certa ao lugar certo.
Foi o que aconteceu em 1975 em Porto Velho, quando um jovem chamado
Joaquim José de Andrade Neto, que participava pela primeira vez
de uma Sessão do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, tendo
sido convidado a falar, discorreu sobre a União de uma forma absolutamente
surpreendente. Nessa ocasião, ele expressou a sua firme determinação
de servir de forma incondicional a União do Vegetal, com a qual
demonstrou possuir uma relação pessoal aparentemente inexplicável,
uma vez que bebia a Oaska pela primeira vez.
Desde então, o referido jovem, que mais
tarde se tornaria conhecido como Mestre Joaquim, não deixou jamais
de agir de acordo com as palavras que proferiu naquela Sessão, trabalhando
incansavelmente em prol da União. Inúmeras têm sido as suas demonstrações
de amor e dedicação à UDV, e eloqüentes os muitos sinais de que
sua presença na UDV é obra do mistério que permeia toda a história
da Oaska.
Ocorre, porém, que o zelo com que Mestre
Joaquim sempre cuidou da preservação da integridade dos ensinamentos
do MESTRE Gabriel, denunciando os abusos cometidos por aqueles que
se diziam discípulos da UDV, passou a constituir motivo de revolta
por parte dos mesmos, que viam ameaçados os seus interesses pessoais.
Essa situação deu origem a uma série de acontecimentos, os quais
tornaram inevitável a decisão do Mestre de se desligar do Centro
Espírita Beneficente União do Vegetal.
Consciente de que a humanidade corria o
risco de perder mais uma vez a ligação com os mistérios da Oaska
(como já ocorrera em outras ocasiões ao longo da História da UDV
na Terra), o Mestre percebeu que a responsabilidade pela preservação
desta ligação se encontra exclusivamente em suas mãos. Realizou
então em 1981 uma Sessão no dia de São João, na qual recebeu ordem
superior e autorização espiritual do MESTRE Gabriel para constituir
novamente a UDV.
Segundo a determinação superior, a data
da nova constituição deveria ser o dia 22 de julho do mesmo ano,
e a palavra “Espírita”, que remete à doutrina kardecista, deveria
ser substituída pelo termo “Espiritual”, que melhor expressa o sentido
da doutrina da UDV.
Desde que foi
constituído, o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal é
o único baluarte da UDV na Terra. E o Mestre Geral Representante
da UDV, Mestre Joaquim José de Andrade Neto, o único depositário
da autoridade e do conhecimento necessários para orientar o preparo
e a distribuição da Oaska.
Pelo canal de ligação com a Força Superior que o Mestre mantém
sempre aberto, ele vem recebendo as revelações sobre todos os elos
que compõem a história milenar desse misterioso chá. E enquanto
houver na Terra alguém capaz de receber esta tradição e, com ela,
a consciência clara da importância e da missão da UDV, a história
da Oaska não terá fim.

Matéria publicada no anuário
cultural Humanus III, ano 2002
União
do Vegetal
a religião do sentir

A União do
Vegetal, também conhecida como Irmandade da Rosa, é instrumento
de transmissão aos homens de ensinamentos que, pela clareza e força
com que atuam em seu espírito, têm o poder de conduzi-los
à prática dos mesmos. Essa prática é ordenada pela Força
Superior e ocorre na vida do discípulo de forma paulatina, à proporção
que sua consciência espiritual é ampliada.
Os ensinamentos a respeito de como se
conduzir sobre a Terra são trazidos por alguém que já alçançou essa
consciência: trata-se de um Mestre, que é quem cultiva, prepara,
distribui e, como todos
os seus discípulos, bebe um chá misterioso denominado Oaska, fruto
da união de dois vegetais, o cipó Mariri e o arbusto Chacrona, ambos
encontrados na Floresta Amazônica. O chá é utilizado nas sessões
da Ordem com fins exclusivamente religiosos e sob a responsabilidade
do Mestre. Seu poder é incontestável, e a experiência vivida sob
seu efeito, inesquecível. Com a Oaska, abre-se a porta ao desconhecido,
e nesta nova dimensão o homem resgata a memória de sua esquecida
aliança com o Criador. À primeira vista, pode parecer impossível
às pessoas a existência de um líqüido mágico que as faça despertar
para a vida espiritual e lhes descortine uma nova e mais elevada
concepção de vida. Mas a Oaska existe, e em território nacional,
ao alcance de todos os que buscam a verdade sobre os fenômenos existenciais
e sobre seu próprio destino. Sua importância consiste em proporcionar
aos homens limpeza espiritual e autoconhecimento. Só os que bebem
esse chá podem falar sobre tão sagrada experiência. A estes, que
com seus mistérios e encantos são agraciados, não é dado dizer a
outros Sinta o que eu sinto, pois o imperativo do verbo sentir simplesmente
não pode ser cumprido. Mas poderão dizer “Beba e sinta o que eu
sinto!”
A
história da Oaska “Não
me bebas sem razão.
Não me distribuas sem honra.” Mestre Joaquim José de Andrade Neto
Em época antediluviana existiu um rei denominado Inca. Este rei
tinha uma conselheira, uma mulher misteriosa que se chamava Oaska.
Esta mulher, que conseguia prever acontecimentos e que sabia o que
as outras pessoas não sabiam, orientava o rei em tudo o que ele
fazia. Um dia Oaska desencarnou e foi então sepultada. Passados
alguns dias o rei, sentindo-se desorientado sem a sua conselheira,
foi até a sua sepultura e encontrou, nascida naquele lugar, uma
árvore desconhecida, diferente de todas as outras árvores. Examinando-a,
disse:
– Se nasceu na
sepultura de Oaska, é Oaska.
Depois de muitos
e muitos anos, nasceu no reinado do rei Inca um menino que recebeu
o nome de Tiuaco. Ele chegou ao ponto de ser marechal de confiança
do rei. Um dia o rei convidou Tiuaco para vir visitar a sepultura
de Oaska. O marechal, sabendo do ocorrido com a mulher misteriosa,
o acompanhou. Chegando à sepultura de Oaska, o rei disse:
– E se nós fizéssemos
um chá das folhas de Oaska? Quem sabe conseguiríamos falar com o
seu espírito e saber dos seus segredos e mistérios! Vamos experimentar!
Tirou umas folhas,
preparou o chá e disse a Tiuaco:
– Tiuaco, bebe
o chá e vê se tu consegues falar com o espírito de Oaska para saber
dos seus segredos e mistérios.
Tiuaco bebeu
o chá. A força de Oaska então se apresentou e cresceu tanto que
Tiuaco não resistiu e fez a passagem dentro da força e da luz. E
o rei então não pôde fazer outra coisa senão sepultar o seu marechal.
Depois,
com o tempo, o rei também desencarnou e o reinado ficou transformado
em tapera. Muitos e muitos anos depois nasceu um menino que recebeu
o nome de Salomão. Este menino era tão dotado de Ciência e de sabedoria
que chegou a ser chamado de “curioso”, quando, na verdade, era inteligente,
sendo que até hoje combate a curiosidade.
Salomão estudou
de si e tornou-se o rei da Ciência. Um dia, chegou aos ouvidos de
Salomão a história da mulher misteriosa. E só ele mesmo, como rei
da Ciência, poderia descobrir os mistérios e segredos de Oaska.
Vem então Salomão acompanhado de seu vassalo Caiano para a descoberta
dos mistérios. Chegando à sepultura de Oaska, pegou uma folha da
árvore e disse:
– Essa que nasceu
na sepultura de Oaska, da qual fizeram um chá que deram a Tiuaco,
o qual bebeu e morreu, vem denominar-se Chacrona, que quer dizer
chá temeroso, temeroso para quem não o respeita.
Em seguida dirigiu-se
à sepultura de Tiuaco e, encontrando ali um cipó, confiou que nele
existia o marechal, e disse:
– Tiuaco é Mariri.
A palavra indígena Mariri quer dizer marechal. Tiuaco é marechal.
Salomão tirou
então uns pedaços do cipó Mariri e umas folhas da Chacrona e com
eles preparou um chá. Realizava, nesse momento histórico para a
humanidade, a União do Vegetal, a união do Mariri com a Chacrona.
Em seguida, disse a seu vassalo Caiano:
– Caiano, receba
a comunhão do Vegetal e siga firme para receber os segredos da Oaska
e todos os mistérios do Vegetal. Quando sentir que a força do chá,
que é a burracheira, seja demasiada a ponto de não poder suportá-la,
lembre-se de Tiuaco, que é Mariri, é o rei da força.
Caiano bebeu
e sentiu a Oaska se manifestando, e a força cresceu tanto que ele,
sufocando num tempo de burracheira, lembrou-se da palavra do Mestre
e chamou Tiuaco. Depois Caiano diz a Salomão:
– Mestre, eu
entrei nos encantos e vi tudo.
Salomão repreende
Caiano, esclarecendo que os encantos são da Natureza Divina e vivem
fechados, e que só é possível neles entrar com a autorização da
Natureza Divina. E ensina-o a trazer a chamada de abertura Minguarana,
permitindo a Caiano entrar nos encantos da Natureza Divina e receber
todos os segredos e mistérios do Vegetal.
Assim, Caiano
se recordou e se tornou consciente, sendo, a partir de então, o
primeiro oaskeiro.
Texto inicial
da história da Oaska trazida através da recordação por MESTRE Gabriel,
recriador da União do Vegetal neste século e seu guia espiritual
A União do Vegetal
(UDV) remonta aos primórdios da civilização humana e vem sendo recriada
desde então na Terra através de seus agentes responsáveis. Quando,
porém, as pessoas se distanciam da pureza de seus ensinamentos,
ela se recolhe nas brumas do tempo, desaparecendo temporariamente.
A doutrina da
UDV é trazida de inesgotável fonte, a memória de seus Mestres, iluminando
a todos os que a recebem. E tão significativa tem sido sua presença
no mundo que seus ensinos podem ser identificados nas doutrinas
de inúmeras Ordens religiosas, as quais até hoje apresentam ensinamentos
revelados pela Oaska.
Em tempos recentes,
a União do Vegetal foi recriada por José Gabriel da Costa, o MESTRE
Gabriel, fato que ocorreu em 1961, e teve de ser novamente constituída
vinte anos depois, por determinação superior, pelo Mestre Joaquim
José de Andrade Neto. Com o nome de Centro Espiritual Beneficente
União do Vegetal, ela tem sua Sede Geral em Campinas, São Paulo.
E além da Sede Geral, que se situa no distrito de Barão Geraldo,
em que os discípulos são atendidos em dois templos, conta ainda
com três áreas rurais. Uma delas é a Fazenda Rei Salomão, em Mato
Grosso, com 500 hectares, e as outras duas se situam na região de
Campinas, uma das quais no bairro Tozan, onde se encontra o Núcleo
Supairunã, e a outra numa montanha no subdistrito de Joaquim Egídio
(a 20 km de Campinas), com 25 hectares. Todas as áreas já contam
com a infra-estrutura necessária.
Nesses locais,
os discípulos têm a oportunidade de colocar em prática os ensinamentos
recebidos do Mestre através de trabalho físico, intelectual e espiritual.
A disciplina é desenvolvida em todos os sentidos, procurando-se
aperfeiçoar o comportamento através da assiduidade, da pontualidade
e da capacidade de cumprimento da própria palavra, entre outras
virtudes.
As atividades
desenvolvidas permitem que os mais jovens descubram suas aptidões
profissionais, dado que as ocupações podem abranger áreas diversas
como a agricultura, a horticultura, a construção civil, o paisagismo
e a informática, entre outras. Todos aprendem a trabalhar respeitando
a natureza e procurando fazer um bom proveito dos seus recursos.
Nos núcleos o
Mestre organiza atividades que fazem parte de um contínuo processo
de aprendizagem espiritual, trazendo a todos o verdadeiro autoconhecimento.
E assim, ele vem permanentemente orientando e conduzindo seus discípulos
a uma compreensão cada vez maior da verdade. Oaska,
o chá da recordação
burracheira e
mirações
Durante a burracheira, a força estranha que atua no espírito através
da Oaska, cada um enxerga suas próprias imperfeições com os olhos
do espírito, e nessa dimensão adquire-se uma lucidez até então desconhecida.
Compreende-se, entre outras coisas, que tudo o que existe de horrível
tem por causa o horrível que cada um tem dentro de si. Em outras
palavras, torna-se claro que para mudar o exterior é preciso começar
do interior. Tendo isso por princípio de vida, os discípulos da
União do Vegetal são unânimes em afirmar que a lição mais importante
da vida espiritual é a de que o único inimigo do homem está dentro
dele mesmo, e que somente quando não se sabe disso é que se pode
cair no engano de julgar que os inimigos são os outros.
Assim, os que chegam à UDV com idéias revolucionárias
logo se deparam com a ordem inexorável, vinda da própria consciência,
de primeiro mudarem a si mesmos antes de quererem mudar o mundo.
Compreendem, afinal, que quando se consegue mudar a si mesmo já
se está começando a mudar o mundo.
Por isso, as revelações da Oaska trazem
consigo a exigência de virem a ser incorporadas à vida cotidiana
e se transformarem nas diretrizes éticas norteadoras da conduta
de quem as recebe. Este é o preço do autoconhecimento espiritual:
uma vez constatada a verdade, quem tentar fugir dela terá sempre
de prestar contas à sua consciência, e a própria consciência é o
mais rigoroso de todos os juízes. Sob a luz da Oaska, este acerto
de contas é tão marcante que aquele que não consegue harmonizar-se
com a própria consciência certamente não conseguirá continuar a
sua caminhada na vida espiritual.
Como conseqüência dessa cobrança, o discípulo
revê todos os seus valores e, a partir da nova concepção de vida
que assim alcança, começa a policiar seus pensamentos, palavras
e atitudes. O próprio conceito de honestidade, por exemplo, começa
a ser encarado de forma bem mais ampla: “Ser honesto não é apenas
não roubar, como pensam as pessoas. Para chegar ao ponto de ser
honesto espiritualmente é preciso parar de mentir, de omitir, de
enganar, de tirar vantagens e de usar de manha para conseguir as
coisas”, esclarece o Mestre.
As imagens contempladas
durante a burracheira recebem a denominação de mirações. Elas revelam
ensinamentos e refletem o estado de espírito de cada um,
podendo manifestar-se de formas infinitamente variadas: ora
são duradouras, ora fugazes; ora nítidas, ora dotadas de tênues
contornos; ora de aparência assustadora, ora de grande beleza. Muitas
vezes as mirações revelam fatos do passado, às vezes de um passado
anterior à atual encarnação. E, conforme a necessidade, até mesmo
o futuro pode ser revelado. Em todas é possível encontrar um significado;
todas pedem uma decifração. A forma pela qual elas revelam seus
conteúdos é também extremamente variável: às vezes são bastante
claras e diretas; às vezes são enigmáticas e oraculares. Por este
motivo, os discípulos precisam do auxílio do Mestre para decifrar
seus significados e sua relação com os acontecimentos da vida cotidiana. Relato
de experiência com o chá Oaska
de uma discípula de origem judaica
Ah, esse meigo
e sublime Messias...
“Lembro-me de
que, durante os meus primeiros meses na UDV, talvez por estar ainda
impregnada das tradições judaicas e sobretudo por ter morado por
mais de uma década em Israel, não conseguia me sensibilizar com
Jesus, mantendo-me totalmente apática em relação à Sua história
e às Suas palavras. Meu coração parecia ser de pedra. Porém, aos
poucos, fui tendo a oportunidade, através da comunhão com a Oaska,
de fazer um exame minucioso das minhas origens. Foi um período difícil,
em que, sem intervenções ou interferências, fiz uma revisão da bagagem
ancestral que eu carregava. A partir desse auto-exame, comecei a
entender o porquê do sofrimento do povo judaico e do meu próprio
sofrimento.
Foi
numa Sessão de Páscoa, há seis anos, que tive uma miração realmente
significativa a respeito desse assunto. Vi uma mulher com um bebê
no colo no momento em que Jesus fazia a Via Crucis. Essa miração
não durou muito tempo, pois senti que eu não estava ainda preparada
para ver mais. Soube que aquela mulher era eu, mas não compreendi,
naquela ocasião, a razão de estar vendo aquilo.
Anos mais tarde,
após ter vivido várias horas a mais de burracheira, depois de ter
ouvido durante várias sessões as preciosas administrações do Mestre
e de ter recebido do Vegetal inúmeros puxões de orelha espirituais,
aquela miração voltou. No início quis resistir, dizendo a mim mesma
que aquela mulher não era eu. Porém, a força estranha que me envolvia
me transportou novamente àquela época: encontrava-me no ano 33,
andando pelas ruas da velha Jerusalém, com o bebê no colo. Minha
própria história me era relatada através de imagens que apareciam
como um filme fotográfico sendo instantaneamente revelado. Sentimentos,
nomes e sensações me eram conhecidos. Houve então uma luta entre
minha mente, que tentava analisar tudo aquilo de forma lógica, e
meu espírito, que buscava a verdade, doesse o que doesse. Mas como
o poder da Oaska consiste justamente em fazer prevalecer o espírito,
foi ele quem venceu, e eu pude então continuar a viver plenamente
a grandiosidade dessa experiência.
Soube que meu
nome era Sheiva, e que tinha oito filhos e um marido estudando na
ieshiva, uma espécie de escola para formação de rabinos. Meus pensamentos
e atividades eram banais e voltados à vida doméstica. Um tumulto
de pessoas chamou a minha atenção, e me aproximei delas. Após algum
tempo a criança começou a chorar e eu pensei então em me retirar,
mas de repente percebi que estava cercada de pessoas que gritavam
impropérios e de outras que choravam silenciosamente, movendo a
cabeça em sinal de que não acreditavam no que estava acontecendo.
Senti necessidade de perguntar a um ancião que estava perto de mim
o motivo de tudo aquilo, mas não tive tempo de emitir som algum,
porque naquele momento presenciei tudo o que tinha que presenciar
para sentir que minha vida, até então, havia sido uma coisa oca
e sem sentido.
Aquele homem,
ou, melhor dito, o Homem, passou ao meu lado, carregando uma cruz,
com o corpo ensangüentado. Subitamente, senti minha respiração suspensa
e os pés enraizados naquele lugar. Não conseguia me mover. Apertei
então fortemente meu filho contra o peito, pressentindo ser aquele
acontecimento um dos mais importantes que a História iria registrar.
Nesse instante
da burracheira, soube que minhas angústias, as mesmas que Sheiva
carregava secretamente, estavam relacionadas com esse antigo episódio.
Tive a sensação de ter estado durante anos engolfada numa letargia
espiritual, assim como meu próprio marido. Ele, porém, assim como
a maior parte da família, estava conformado com aquela vida estagnada.
Apenas em mim ela provocava angústias, as quais eu tentava esconder.
Foi então que
meu bebê parou de chorar. Ele parecia entender melhor que eu o que
estava acontecendo. O Homem deixou de andar por uns segundos e olhou
em minha direção. Olhei em volta, esperando que aquele olhar fosse
dirigido a outra pessoa, talvez algum de Seus familiares; mas não,
ele se dirigia a nós. Senti que meu filho tentava sair dos meus
braços para aproximar-se d’Ele. Aquele Homem, com ferimentos que
sangravam sem cessar, com uma coroa de espinhos na cabeça e uma
cruz nos ombros, havia conseguido sorrir para o bebê! E aquele olhar,
que só pode ser comparado a um arco-íris, se dirigiu a mim novamente,
e eu senti que Ele estava me esperando...
Essa mágica sensação
foi interrompida pelo estrépito de um látego sobre Suas costas e
por gritos a exigirem que Ele apertasse o passo. Ouvi meu próprio
grito, sentindo na minha pele a dor da chicotada. E o primeiro pensamento
que me passou então pela cabeça foi o de fugir daquele lugar. Quis
parar de pensar no que havia visto, porém o olhar sereno de meu
filho me dizia claramente que já não poderia fazer de conta que
nada havia acontecido.
Retornei correndo à minha casa, com a criança
chorando novamente. Olhei pela janela e me deparei com o céu totalmente
escuro, como se uma tempestade estivesse prestes a cair. Vi algumas
pessoas correndo assustadas para suas casas, e outras, sem prestar
atenção à chuva que já começava e ao vento, chorando como se carregassem
a tempestade dentro delas. Tentei amamentar o bebê, mas ele se recusava
a mamar e continuava em prantos, e eu me sentia novamente angustiada,
como tantas outras vezes havia me sentido na vida.
De repente, uma palavra despertou dentro
do meu coração, uma palavra que começou a palpitar no meu interior:
“Perdão!...”. Senti fortemente que devia pedir perdão, perdão por
ter vivido adormecida, por ter me escondido durante tanto tempo.
Eu tinha que pedir perdão pela ignorância do meu povo. O encontro
com aquele Homem havia desentranhado em mim um tesouro que estava
profundamente enterrado pelo tédio da banalidade e das tradições.
A sensação de ter estado perto d’Ele, espiritualmente e inclusive
fisicamente, havia sido tão real, tão verdadeira, que havia conseguido
fazer ruir por terra todos os preconceitos de outrora, cultivados
durante centenas de gerações, e me abrir para poder receber esse
tesouro. Senti brotar dentro de mim, pela primeira vez na minha
vida, o amor puro. Só a partir desse momento meu bebê aceitou ser
amamentado e repousou então tranqüilo...
Graças a essa
lucidez, pude começar a compreender que o amor sem fronteiras não
é uma utopia, e me lembrei de que as pessoas na UDV, sem se importarem
em saber se sou judia, cristã ou muçulmana, me chamam de “irmã”.
Senti a força dessa palavra que clama pela união entre os homens
do mundo inteiro.
Mesmo que mil
teólogos tivessem tentado me convencer a respeito da força espiritual
de Jesus, eles certamente não teriam conseguido o que a Oaska conseguiu
fazer através desse vislumbre que me fez vibrar e reavaliar o que
estava adormecido dentro de mim. Assim, constatei que as falas dos
sábios e a leitura das escrituras não poderiam nunca ter produzido
o efeito que um olhar verdadeiramente puro e um exemplo de sacrifício,
vivificado em segundos de burracheira, conseguiram produzir no meu
coração. É por essa experiência pessoal que estou convencida de
que só através da União do Vegetal os judeus poderão se libertar
da dormência provocada por uma insensibilidade milenar.
Antes de haver
sido iniciada na espiritualidade, eu considerava que tanto os acontecimentos
bons como os difíceis da minha vida eram
casuais. Hoje, após reconhecer o orgulho e a arrogância que
tanto haviam caracterizado a minha conduta, e estando mais ciente
da importância de tudo o que recebo de Deus, do Mestre e da Oaska,
só posso sentir gratidão, sentimento esse que eu desconhecia, tal
como ainda acontece com a maior parte dos judeus. Agradeço pela
dádiva da vida. Agradeço ao Mestre por me aceitar como discípula.
E agradeço por todas as manifestações da Justiça Divina em minha
existência, pois todas podem ser transformadas em preciosas ferramentas
a serviço de minha evolução espiritual e da evolução das pessoas
com quem convivo.” Linda
Isabel Flomembaum União
do Vegetal
A Irmandade
da Rosa
“A
história da rosa pode ser recordada pela memória do
homem, que é Seu reflexo. E, ao mesmo tempo em que
é recordada, tem o poder de lhe trazer graus de memória
capazes de fazê-lo recompor sua própria história.” Mestre Joaquim José de Andrade Neto
A rosa é considerada, desde a mais remota antigüidade, como a mais
elevada manifestação do reino vegetal, tanto por sua beleza como
pelo significado misterioso de sua origem. Sua imagem foi eleita
para simbolizar o Conhecimento, o ápice da espiritualidade, aparecendo
através da História ligada às religiões que tratam do Oculto, da
Ciência Sagrada.
O motivo que conduziu o homem a essa eleição
é um segredo que bem poucos conhecem, cujo desvendamento reside
na observação da forma como a rosa vem ao reino da natureza, que
é análoga ao processo do despertar da consciência espiritual no
homem.
A rosa, na União do Vegetal, além de estar
presente no próprio significado do nome Oaska (palavra que, em língua
indígena primitiva, significa rosa) e também na história do chá,
encontra-se gravada, pela própria natureza, no interior do Mariri,
fato que mostra a origem desse símbolo sagrado. E, além de manifestar-se
nele de forma material, através de seu desenho, que pode ser visto
nos cortes transversais do cipó, manifesta-se também espiritualmente
nos ensinamentos trazidos pela força estranha que é a burracheira.
Então, esse surpreendente registro natural
da imagem da rosa que a mão da natureza deixou gravado no cipó Mariri
é uma indicação inequívoca, no mundo físico, do que se pode encontrar,
por meio da Oaska, no mundo espiritual. E todos os que a comungam
têm a oportunidade de confirmar a veracidade de tal indicação, pois
sentem nascer dentro de si aquilo que essa flor simboliza, ou seja,
o Conhecimento. E se tiver grau suficiente para empreender a jornada
em direção a si mesmo, o discípulo poderá um dia ser merecedor de
sentir o perfume santificado da rosa por ocasião do florescimento
desta em seu corpo, que é sua cruz.
Por estar a rosa tão fortemente presente
na Oaska – em seu nome, em sua história, em uma das plantas que
a compõem e, sobretudo, nos ensinamentos transmitidos através dela
ao homem – é que se pode dizer que o desenho de sua imagem no cipó
corresponde à mensagem “Você chega até mim através de mim”, reconhecida
como verdadeira por todos os que já tiveram a graça de sentir o
poder desse misterioso líqüido em seus espíritos.
A rosa, com sua
beleza e mistério, só se manifesta a uma pessoa quando esta, após
atravessar o íngreme percurso de espinhos que ela mesma semeou com
sua ignorância, torna-se mais humana, mais sensível à obra de Deus.
A Oaska, com seu poder de despertar o espírito do homem para os
próprios erros, prepara-o paulatinamente, através das mais variadas
formas de manifestação de luz e força, para esse processo de sensibilização.
Nesse sentido,
contribuindo para a evolução espiritual do homem desde os primórdios
da civilização, a Oaska vem lhe trazendo, desde então, o Evangelho
da Rosa, que constitui o conjunto infinito de ensinamentos da União
do Vegetal, os quais são transmitidos aos discípulos durante as
sessões. O Mestre Geral Representante, que mantém um estado de sintonia
permanente e irrestrita com o MESTRE Gabriel, cuja presença se manifesta
através da burracheira, tem o condão de transmitir pelo Verbo o
que lhe for permitido ler no livro encantado da natureza, onde esse
Evangelho está gravado.
A palavra evangelho
(do grego euaggelio, cujo significado é mensagem), utilizada sobretudo
a partir do Cristianismo, está relacionada com a Oaska na medida
em que mensagem é o nome com que se designa o resultado da colheita
do Mariri e da Chacrona por ocasião do preparo do chá. O Evangelho
da Rosa manifesta-se ao homem de acordo com seu grau espiritual.
O que não está dito aqui por respeito ao segredo pode ser perguntado
à rosa pelo discípulo no momento em que ele encontrá-la e senti-la
através da comunhão com a Oaska, quando então este poderoso instrumento
de intermediação entre a memória humana e a do universo se encarregará
de fazer aflorar as respostas em seu espírito através da recordação. Religião
e Ciência
Diante de um instrumento tão extraordinário e surpreendente como
a Oaska, muitos indagam sobre a natureza da Ordem responsável por
sua distribuição. Será ela uma seita? Uma filosofia? Uma religião?
Exigirá alguma crença?
A União do Vegetal não pode ser uma seita
(do latim secta, ou seja, divisão) porque não resulta de facções
ou ramificações de outras doutrinas religiosas. Ao contrário, ela
é a própria união, fonte do Conhecimento, sendo sua história tão
antiga quanto a própria origem do ser humano. Não é teoria ou filosofia,
ou seja, um enfoque a mais sobre a vida, passível de polêmica e
discussões, pois o que ela apresenta ao discípulo, com toda a nitidez,
é nada mais nada menos que a verdade, a qual é reconhecida incontinenti
pelos olhos da consciência. Tampouco exige crença de seus discípulos:
tudo é visto, sentido e confirmado por cada um que bebe o chá. Das
revelações recebidas nasce a convicção, único estado capaz de trazer
a paz da certeza ao coração do homem. E, por fim, não é uma religião
a mais dentre tantas, pois, na medida em que proporciona ao homem
aproximar-se de Deus e o orienta sobre como desfrutar de maneira
permanente de um estado de espírito livre de ilusão, a União do
Vegetal é religião e é também Ciência, fim e meio simultaneamente.
A
religião (do latim religatio), ou seja, a religação da criatura
com o Criador, é um estado ao qual todos estão destinados a chegar
um dia, mais tarde ou mais cedo, seja pelo sofrimento ou pelo Conhecimento.
As inúmeras e sucessivas encarnações de cada espírito aqui na Terra
constituem etapas dessa longa caminhada com destino à Perfeição.
Portanto, a religião representa uma meta, um objetivo a ser atingido.
A União do Vegetal é religião porque possibilita
ao homem, dentro do tempo de burracheira, essa religação com Deus,
a volta à origem, ao estado de divindade em que foi criado. Os momentos
de religação, vivenciados nas sessões, são amostras do ponto ao
qual ele deve chegar de forma permanente e definitiva. Através dessas
amostras, o discípulo se sente motivado a seguir com firmeza pelo
caminho da retidão, pois compreende que se agir assim desfrutará
cada vez mais do contato com a Força Superior. Prepara-se então
para essa conquista, a qual se dá paulatinamente e de acordo com
o merecimento de cada um, já que o único meio de chegar a Deus é
pela prática, pelo cumprimento de Suas Leis. E por ensinar o homem
a atingir esse objetivo, trazendo-lhe a Ciência Sagrada, isto é,
os ensinamentos sobre como conduzir-se na vida para que possa alcançar
a religião, é que dizemos que a União do Vegetal, além de religião,
é também Ciência.
A religião pode ser simbolizada por uma
imensa escada, infinita como a própria evolução do espírito. Os
degraus representam o trajeto obrigatório do homem que caminha em
direção à luz. A Ciência é a instrução proporcionada ao discípulo
para que ele possa subir essa escada degrau por degrau, vencendo
a ignorância que até então o escravizara. Não é possível chegar
à religião senão através da Ciência.
O termo Ciência está sendo utilizado aqui
no sentido sagrado, e não no profano. A ciência profana trabalha
com os reinos da natureza unicamente no sentido físico, visando
o progresso e o bem-estar materiais, assim como determinadas facilidades
técnicas a ele relacionadas, e utilizando-se da mente e da experimentação.
Já a Ciência sagrada explica o universo sob o prisma do espírito,
que não é levado em conta pela primeira. Além disso, está a serviço
de algo superior ao progresso: a evolução do homem, sem a qual ele
não alcança paz e felicidade. E a evolução não é o resultado de
um acúmulo de informações: ela só ocorre quando a criatura, vencendo
a ilusão, entra em sintonia com a ordem e o dinamismo do Cosmos
e, assim integrada, prossegue em ascensão ao longo da infinita escada
que a reconduz a Deus. A Ciência sagrada ainda se diferencia da
profana pelo fato de ser regida exclusivamente pelo mistério das
determinações divinas. A maior prova disso é que a ela só têm acesso
os que realmente almejam evoluir, pois somente estes estão preparados
para recebê-la.
A União do Vegetal é, em suma, uma prática
ordenada pela Força Superior, uma vez que toda a sua doutrina e
todas as instruções que ela oferece ao discípulo conduzem à prática
dos ensinamentos de Deus. E cumprir as Suas leis, através da autodisciplina,
implica cuidar simultaneamente do corpo, da mente e do espírito.
Esses três níveis estão estreitamente ligados, de modo que é impossível
negligenciar qualquer um deles sem afetar os demais. Da União do
Vegetal recebe-se toda a orientação necessária para cuidar, educar
e purificar cada um dos três. E quem se esforça no seu dia-a-dia
para cumprir à risca os princípios da Ciência certamente não deixará
de desfrutar, durante o tempo de burracheira, do elevado e supremo
êxtase da religião. Cuidado
! O
Mestre não se responsabiliza pelo preparo e distribuição de
chá de Mariri e Chacrona por pessoas curiosas e de forma clandestina.
A esse respeito, ele costuma contar a seguinte história: 
Um jovem chamado Alad procurou um Mestre com o desejo de alcançar
a iluminação. E o que ele tinha mesmo era desejo, e não vontade,
porque, na verdade, ele estava era curioso para saber alguma coisa
a respeito do poder mágico de um enorme diamante que o Mestre usava
para corrigir as falhas de caráter nas pessoas durante as misteriosas
sessões que dirigia. Falava-se ainda que com esse diamante qualquer
um poderia realizar o milagre que desejasse. E então, Alad se apresentou
na casa do Mestre. Este, depois de um olhar longo e penetrante,
aceitou que ele ficasse em sua ermida durante um ano. Sua função
seria a de porteiro. Um
mês depois, o Mestre, que não lhe dirigira mais a palavra, convocou-o
para cuidar da porta de um salão onde haveria uma Sessão. Advertiu-o,
porém, de que não olhasse para dentro nem permitisse que outras
pessoas o fizessem. Alad
foi então para o seu posto guardar a porta do salão. Algum tempo
depois, começou a ouvir ruídos estranhos: suspiros, gemidos, choros
e movimentos bruscos. Havia uma sensação misteriosa de energia sendo
liberada...
– Que estranho! – pensou Alad.
E deixando-se levar pela curiosidade, olhou
pelo buraco da fechadura. Ficou assombrado com o que viu: uma luz
tênue na sala, o Mestre caminhava por entre os discípulos, levando
na mão um enorme diamante de formas perfeitas: o diamante mágico,
que brilhava com um etéreo esplendor! Um a um, o Mestre tocava a
todos na fronte com o diamante. Alguns gritavam, outros debruçavam
a cabeça sobre a mesa em êxtase. Era, enfim, uma verdadeira catarse.
E, quando cada um deles era tocado, faíscas de energia saíam das
mãos do Mestre... Alad
ficou perplexo: –
Que espetáculo surpreendente! – pensava. – Isto é o que quero! Posso
tornar-me grande e estender a todos essa grandeza! O diamante divino! Por isso é que o Mestre pediu
que eu cuidasse da porta: eu sou o que sabe guardar esse tesouro
sagrado! E
começou então a formular um plano para furtar o diamante do Mestre. –
Poderei usá-lo para transformar o mundo: um trabalho muito maior
que o de ajudar um pequeno grupo de buscadores! Semanas
depois, Alad viu sua oportunidade surgir. Descobrira que o Mestre
guardava o diamante numa caixa de madeira ao lado de sua cama. Conseguiu
entrar em seu quarto em hora avançada da noite e pegar a caixa. De
posse do diamante, decidiu marcar uma Sessão já para a noite seguinte
com a família e amigos, na qual mostraria o extraordinário poder
da preciosa pedra. As pessoas iriam compreender a grandeza do que
ele tinha sob seu controle! No
momento da Sessão, Alad vestia uma longa túnica branca. As luzes
eram tênues e havia um incenso perfumando o recinto. Quando todos
haviam fechado os olhos, pegou cuidadosamente o diamante da caixa.
Começou então a mover-se entre os presentes de forma cerimoniosa,
tocando a fronte de cada um como havia feito o Mestre. Mas logo
se deu conta de que nada acontecia, permanecendo todos em silêncio,
sem mover-se. Quando as lâmpadas voltaram a se acender, alguns começaram
a rir, e logo todo o auditório estava às gargalhadas. Alad não compreendia
em que havia falhado... Na
noite seguinte, ele foi para uma cidade vizinha e realizou outra
Sessão. Nada. De novo as pessoas acabaram rindo. Ele estava mortificado... Depois
disso, Alad recolheu-se em sua casa durante muitos dias, olhando
com mau humor o diamante e perguntando-se o que havia acontecido.
Quanto mais o olhava, menos ele brilhava e mais opaco se tornava.
Um dia, por fim, Alad exclamou: –
Este diamante não vale nada! Nem sequer é belo! Por que é que quando
estava nas mãos do Mestre... E
recordou-se da formosura com que a grande jóia havia brilhado e
cintilado, plena da luz que brotava dos dedos do sábio... De repente,
o jovem Alad saiu de seu sono e compreendeu tudo afinal: o poder
do diamante não provinha do diamante, mas sim do Mestre! A pedra
preciosa era só um instrumento, uma jóia resplandecente usada por
ele... Que deveria fazer agora? Pensou em vendê-la e fugir, mas
acabou desistindo, pois sabia que devia devolvê-la... Dias
mais tarde, vencendo seu medo, regressou à ermida do Mestre. Este,
assim que o viu, lhe perguntou: –
E então: conseguiste transformar o mundo? Alad,
tremendo, respondeu: –
Senhor, eu... levei seu diamante... O
Mestre então lhe disse: –
Mas o diamante não é mais meu do que teu, meu jovem ladrão. O que
ele faz é captar o esplendor do Eterno. A luz que emana dele pode
transformar o caráter de um discípulo, melhorando-o. Vês? Inclusive
a ti ele mudou. Teu desejo impuro fez com que ele perdesse seu esplendor,
seu poder... Mas, assim mesmo, quando te lembraste da luz, te tornaste
humilde e pudeste regressar a mim. Então, responde: pode um ladrãozinho,
apesar de tudo, converter-se num santo? E
dizendo isso, o Mestre sorriu pela primeira vez ao discípulo corrigido: –
Procura, pois, encontrar a origem de tudo o que brilha. No diamante
não poderás encontrá-la. As
religiões e a Oaska
Desde que a Terra recebeu os homens por habitantes, o Criador, para
facilitar a trajetória de Seus filhos, cujo destino é a purificação
e o conseqüente resgate de seu estado original, colocou à disposição
deles, como prova de amor e misericórdia, as duas plantas misteriosas
que compõem o chá Oaska com o objetivo de ensiná-los a se conduzir
de acordo com Suas leis.
Sabe-se, pela história da Oaska, que Caiano,
uma das encarnações de MESTRE Gabriel, é o primeiro Oaskeiro, ou
seja, o primeiro homem que bebeu o Vegetal na Terra. O fato aconteceu
ainda nos primórdios da civilização indígena. Desde então a União
do Vegetal vem sendo a fonte inspiradora de inúmeras religiões do
planeta, as quais adotam em suas doutrinas grande parte dos ensinamentos
que têm sido revelados ao espírito humano ao longo dos séculos por
esse misterioso líqüido.
A mensagem ancestral da Oaska revela, através
da memória do Mestre, que a raiz semântica de todas as designações
religiosas, como hindu, budista, judeu, cristão, muçulmano e outras,
é a denominação original e primitiva do homem – índio –, que significa,
como todas as outras, filho de Deus. Assim, todas essas designações
têm o mesmo significado, o qual, por sua vez, indica nossa origem
comum.
Neste momento
de entrada no terceiro milênio, a humanidade, frágil e impotente
diante da avalanche de problemas individuais e sociais, encara cada
vez com mais ceticismo o aprisionamento em crenças e dogmas (mesmo
porque estes, até hoje, não conseguiram trazer soluções para suas
dificuldades), ansiando, antes, pelo despojamento das diferenciações
rotuladoras que tanto têm distanciado os homens entre si. A Oaska
se apresenta como o instrumento redentor por excelência desses sectarismos
religiosos, pois, ao atingir o âmago da essência humana, que é divina
e comum a todos, atinge igualmente, de forma direta, nítida e intensa,
o objetivo máximo e fundamental de todas as religiões, que é proporcionar
o encontro com Deus.
Esse encontro, que é na verdade um reencontro,
torna-se um marco significativo para o espírito humano na medida
em que encerra um período de crença e inaugura um de convicção em
relação à existência do Criador. Nessa nova fase, o iniciante recebe
a dádiva de se sentir irmanado com todos os homens, independentemente
de suas distinções sociais, culturais e religiosas. Ele é, ao mesmo
tempo, um e todos, e todos são um em seu coração, unidos ao Pai
que os criou.
Além disso, quando no decorrer de sua trajetória
espiritual o discípulo se depara com o conjunto de condições a serem
cumpridas que lhe são exigidas por sua própria consciência em prol
de seu aperfeiçoamento pessoal, ele constata a importância de determinadas
virtudes proclamadas pelas religiões mais conhecidas do mundo e
praticadas por seus Mestres. Descobre, por exemplo, a relevância
do desapego de Gautama Buda em relação aos prazeres mundanos; a
sabedoria da entrega e da não resistência do Taoísmo; a coragem
de Moisés, demonstrada por ele por ocasião da travessia do deserto
em busca da terra prometida; e a perseverança de Maomé em doutrinar
e unir tribos nômades inimigas. Reconhece também o valor do Hinduísmo
por divulgar a verdade sobre a reencarnação, a importância da descoberta
da luta entre as forças opostas (a luz de Ormuz e as trevas de Arimã)
da religião de Zaratustra, além do exemplo máximo de amor concedido
pelo Divino Mestre Jesus através de Seu perdão.
Conduzindo os homens a este reconhecimento
da verdade existente em cada uma das religiões, a Oaska contribui
de forma eficaz para que eles se despojem dos preconceitos que os
têm dividido. Através de sua luz, enxerga-se o belo, ouve-se a sabedoria
e sente-se a força da virtude de todas elas.
A relação da Oaska com as religiões pode
ser simbolizada por uma roda cujo centro seja a própria Oaska e
na qual a circunferência e os raios correspondam, respectivamente,
à humanidade e às inúmeras correntes religiosas. Ela é o centro,
em primeiro lugar, por um fator cronológico, uma vez que seus ensinamentos
constituem a fonte original das doutrinas de várias religiões do
mundo. E, além disso, porque é através de sua luz que temos a oportunidade
de sentir, de forma eficaz, a beleza e a importância de todas as
manifestações de consagração ao Criador.
Nessa roda, os raios partem do centro em
direção à circunferência, realizando assim um movimento de divergência.
Da mesma forma, as diferentes tendências religiosas divergem em
suas doutrinas e, sobretudo, nos métodos que propõem para que o
homem alcance o divino. Porém, as mesmas linhas que se deslocam
do centro para as extremidades da roda também convergem para o centro,
apontando assim para o destino comum de todas as ilusórias divergências
humanas. Nessa trindade geométrica – centro, circunferência e raios
– pode-se contemplar o movimento, a evolução, razão primeira da
vida.
Assim sendo,
a roda apresenta-se como um símbolo exemplar do mecanismo de emanação-retorno
que marca a relação da Oaska com as mais diversas religiões do planeta,
bem como da evolução do homem e do Universo. Pois da mesma forma
que esse misterioso chá irradiou a essas religiões sua luz, ele
agora as atrai, num processo magnético de volta ao centro comum
de convergência após uma longa preparação espiritual através da
História.
 |
 |
|
A
Oaska, desde sua primeira aparição na Terra, sempre
foi um veículo de manifestação de Jesus, o que
significa que a história do amor do Cristo pela
humanidade tem a idade do Tempo. Desta história
fazem parte três momentos, representados por três
comunhões celebradas pelo Divino Mestre com os
homens.
O Velho Testamento narra
um episódio em que um homem chamado Melquisedec,
rei de Salém e intitulado “Sacerdote do Altíssimo”,
celebrou com Abraão uma comunhão de pão e vinho.
Esta foi, na verdade, a primeira comunhão celebrada
na Terra por Jesus, que, manifestando-se na figura
misteriosa de Melquisedec, comungou o pão e o
vinho com Abraão, o pai de todos os judeus. Por
esta razão é que Jesus afirmou: “Antes de Abraão
ser, Eu Sou”. A segunda comunhão foi a Santa Ceia,
realizada por Jesus com doze apóstolos, que representam
as doze tribos de Israel e, portanto, todos os
filhos do povo hebreu. E a terceira é a que se
realiza neste século através da Oaska, que permite
aos homens a experiência do sagrado.
Assim, enquanto a primeira
foi celebrada com o pai dos judeus e a segunda
com seus filhos, representados estes, simbolicamente,
pelos apóstolos, a atual recriação da União do
Vegetal realiza a terceira, na qual a Oaska se
revela como o próprio Espírito Santo, o Consolador,
o Paracleto já anunciado por Jesus, que promove
a religação do Filho com o Pai e a reconciliação
entre o Novo e o Velho Testamento.
Esta terceira
comunhão é uma confirmação e um coroamento da
relação de Jesus com a humanidade. Com ela, Seu
poder se implantou definitivamente na Terra e,
através dela, Sua palavra há de ser cumprida integralmente.
Ela é, ainda, a nova e eterna aliança, porque
veio para ficar. É universal porque não se dirige
a um determinado povo, mas sim a todos, estando
destinada a uni-los. Os primeiros eflúvios deste
processo já são sentidos dentro do âmbito da União
do Vegetal, onde judeus e cristãos se unem como
irmãos. As cinco pontas da Estrela da UDV se situam
entre as quatro pontas da cruz e as seis pontas
dos triângulos entrelaçados de David. É a estrela
do Oriente que estende as duas mãos unindo judeus
e cristãos:
Quando a União do Vegetal conseguir eliminar definitivamente
essa divergência milenar, unindo dois grupos cujos
princípios doutrinários pareciam inconciliáveis,
o mundo não mais poderá duvidar que a Oaska tem
poder suficiente para unir todos os povos sob
a égide da luz, da paz e do amor. Aí então, dentro
dessa nova Ordem, todos os homens poderão beber
da Fonte da Saudade de Nosso Pai Comum.
|
|
|
 |
 |
Texto extraído do site
www.geh.com.br
Estou
inserindo neste Fórum, com a autorização da
Administração Geral do Centro Espiritual Beneficente
União do Vegetal, a Resolução nº 5 do
CONAD, a qual foi publicada em 10.11.2004 no Diário Oficial
da União, e que trata sobre assunto referente ao uso religioso
da ayahuasca.
Apesar da União do Vegetal não reconhecer esse nome
com referência ao chá preparado sob a competência
e responsabilidade do Mestre Geral Representante da União
do Vegetal, Joaquim José de Andrade Neto, com as plantas
mariri e chacrona, o qual é chamado pelo nome de Oaska, e
apesar de já haverem sido feitos inúmeros esclarecimentos
através de obras literárias e entrevistas sobre as
grandes diferenças que existem entre o Centro Espiritual
Beneficente União do Vegetal e outros grupos que bebem chá
das mesmas plantas, foi solicitado ao Mestre do referido Centro
que se manifestasse sobre a supracitada resolução.
O pedido foi feito pela jornalista Daniela Marcacini Vargas Rodrigues
da revista Chronica Brasil.
Na condição de membro do quadro de advogados da União
do Vegetal tive acesso às correspondências eletrônicas
trocadas entre o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal
e a mencionada jornalista.
Certa de que o conteúdo das correspondências pode contribuir
para o esclarecimento sobre essa questão, mesmo porque, até
pessoas que se dizem entendidas no assunto insistiam
em fazer confusão sobre o mesmo, insiro a seguir a resolução
do CONAD, a solicitação da jornalista e a resposta
do Mestre, considerado a maior autoridade no assunto.
Adriana
Hoffmann
Advogada.
Edição
Número 216 de 10/11/2004
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência
da República Presidência da República Secretaria
Nacional Antidrogas
RESOLUÇÃO N o 5-CONAD, DE 4 DE NOVEMBRO DE 2004 (*)
Dispõe sobre o uso religioso e sobre a pesquisa da ayahuasca
O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL ANTIDROGAS - CONAD, no uso de
suas atribuições legais, observando, especialmente,
o que prevê o art. 6° do Regimento Interno do CONAD; e
CONSIDERANDO que o plenário do CONAD aprovou, em reunião
realizada no dia 17 de agosto de 2004, o parecer da Câmara
de Assessoramento Técnico-Científico que, por seu
turno, reconhece a legitimidade, juridicamente, do uso religioso
da ayahuasca, e que o processo de legitimação iniciou-se,
há mais de dezoito anos, com a suspensão provisória
das espécies vegetais que a compõem, das listas da
Divisão de Medicamentos DIMED, por Resolução
do Conselho Federal de Entorpecentes - CONFEN, n° 06, de 04
de fevereiro de 1986, suspensão essa que tornou-se definitiva,
com base em pareceres de 1987 e 1992, indicados em ata do CONFEN,
publicada no D.O. de 24 de agosto de 1992, sendo os subseqüentes
considerandos baseados na já referida decisão do CONAD;
CONSIDERANDO que a decisão adequada, da Administração
Pública, sobre o uso religioso da ayahuasca, foi proferida
com base em análise multidisciplinar;
CONSIDERANDO a importância de garantir o direito constitucional
ao exercício do culto e à decisão individual,
no uso religioso da ayahuasca, mas que tal decisão deve ser
devidamente alicerçada na mais ampla gama de informações,
prestadas por profissionais das diversas áreas do conhecimento
humano, pelos órgãos públicos e pela experiência
comum, recolhida nos diversos segmentos da sociedade civil;
CONSIDERANDO que a participação no uso religioso da
ayahuasca, de crianças e mulheres grávidas, deve permanecer
como objeto de recomendação aos pais, no adequado
exercício do poder familiar (art. 1.634 do Código
Civil), e às grávidas, de que serão sempre
responsáveis pela medida de tal participação,
atendendo, permanentemente, à preservação do
desenvolvimento e da estruturação da personalidade
do menor e do nascituro;
CONSIDERANDO que qualquer prática religiosa adotada pela
família abrange os deveres e direitos dos pais "de orientar
a criança com relação ao exercício de
seus direitos de maneira acorde com a evolução de
sua capacidade" , aí incluída a liberdade de
professar a própria religião e as próprias
crenças, observadas as limitações legais ditadas
pelos interesses públicos gerais (cf. Convenção
Sobre os Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil, promulgada
pelo Decreto nº 99.710, de 21/11/1990, art. 14);
CONSIDERANDO a conveniência da implementação
de estudo e pesquisa sobre o uso terapêutico da ayahuasca,
em caráter experimental;
CONSIDERANDO que o controle administrativo e social do uso religioso
da ayahuasca somente poderá se estruturar, adequadamente,
com o concurso do saber detido pelos grupos de usuários;
RESOLVE:
Art. 1º Fica instituído GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO
para levantamento e acompanhamento do uso religioso da ayahuasca,
bem como para a pesquisa de sua utilização terapêutica,
em caráter experimental.
Art. 2º O GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO será composto
por seis membros, indicados pelo CONAD, das áreas que atendam,
entre outros, aos seguintes aspectos: antropológico, farmacológico/bioquímico,
social, psicológico, psiquiátrico e jurídico.
Além disso, o grupo será integrado por mais seis membros,
convidados pelo CONAD, representantes dos grupos religiosos, usuários
da ayahuasca.
Art. 3º O GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO escolherá
seu presidente e vice-presidente e deverá, como primeira
tarefa, promover o cadastro nacional de todas as instituições
que, em suas práticas religiosas, adotam o uso da ayahuasca,
devendo essas instituições manter registro permanente
de menores integrantes da comunidade religiosa, com a indicação
de seus respectivos responsáveis legais, entre outros dados
indicados pelo GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO.
Art. 4º O GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO estruturará
seu plano de ação e o submeterá ao CONAD, em
até 180 dias, com vistas à implementação
das metas referidas na presente resolução, tendo como
objetivo final, a elaboração de documento que traduza
a deontologia do uso da ayahuasca, como forma de prevenir o seu
uso inadequado.
Art. 5º O CONAD, por seus serviços administrativos,
deverá consolidar, em separata, todas as decisões
do CONFEN e do CONAD sobre o uso religioso da ayahuasca, para acesso
e utilização dos interessados que poderão,
às suas próprias expensas, extrair cópias,
observadas as respectivas regras administrativas para tanto.
Art. 6º Esta Resolução entrará em vigor
na data de sua publicação.
JORGE ARMANDO FELIX
Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional e
Presidente do Conselho Nacional Antidrogas
(*) Republicada por ter saído com incorreção
no DOU do dia 08/11/2004, Seção 1, página 8.
----- Original Message -----
From: Daniela Marcacini Vargas Rodrigues
To: atendimento@uniaodovegetal.org.br
Sent: Monday, December 06, 2004 5:27 PM
Subject: pedido de entrevista
Caros,
Sou
jornalista e sub-editora da revista Chronica Brasil (www.agenda4.com.br),
editada em Goiás e com circulação em treze
capitais brasileiras.
Estamos
preparando uma matéria que tem como foco a ayahuasca, sua
aplicação religiosa e terapêutica, interferências
antropológicas e culturais e os reflexos da resolução
do Conad que pretende disciplinar o seu uso a partir da instauração
de um Grupo Multidisciplinar de Trabalho.
Gostaria
de poder contar com a opinião do Mestre Joaquim José
de Andrade Neto que, como autoridade no assunto e representante
maior da União do Vegetal, não poderia faltar na abordagem
de um assunto como esse. Isso seria possível?
Torcendo
para que a resposta seja positiva, antecipo-me (diante do prazo
apertado de fechamento da matéria, previsto para o dia 10.12.04)
enviando algumas questões para serem respondidas pelo Mestre
Joaquim.
Atenciosamente,
Daniela Marcacini.
01.
A Resolução do Conad, de novembro de 2004, que institui
o Grupo Multidisciplinar de Trabalho para o levantamento e acompanhamento
do uso religioso e terapêutico da ayahuasca, é bem
vista pela UDV?
02.
Que perspectivas pode-se alimentar com essa resolução
que pretende disciplinar o uso da ayahuasca?
03.
A necessidade de suspensão do uso desse chá, que constitui
sacramento para a União do Vegetal e outras religiões,
interferiria na sobrevivência de manifestações
e grupos religiosos?
04.
Atualmente, como vêm se desenvolvendo os programas ambientais
que têm a participação da UDV? Essa postura
mantém alguma relação com o uso religioso da
hoasca?
05.
No site da UDV, é compartilhada a informação
de que a ayahuasca ou a hoasca vem sendo avaliada pela comunidade
científica internacional, numa iniciativa da própria
UDV. Como se dá essa iniciativa e quais os resultados
mais recentes do referido trabalho científico?
06.
Para o senhor, a ayahuasca enquanto patrimônio espiritual
da humanidade é suficiente para que sejam desencorajados
episódios como o do laboratório norte-americano que,
em 1996, quis patentear o chá quando o mesmo deixou de ser
considerado alucinógeno?
07.
Agora uma pergunta de ordem pessoal (se considerar impertinente,
por favor, desconsidere-a): Em 1975, o que levou o senhor a procurar
o então chamado Centro Espírita Beneficente União
do Vegetal e o que o fez ficar e assumir a condição
de Mestre?
__________________________________________________
Converse com seus amigos em tempo real com o Yahoo! Messenger
http://br.download.yahoo.com/messenger/
----- Original Message -----
From: Respostas Mestre
To: danimarcacini@yahoo.com.br
Sent: Monday, December 06, 2004 9:11 AM
Subject: RESPOSTA
Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal
Rua Abílio Vilela Junqueira, 299 Guará
Barão Geraldo Campinas São Paulo
Brasil
CEP 13 085 040 - Tel: 19 3287 5040 www.uniaodovegetal.org.br
___________________________________________________________________
REVISTA
CHRONICA BRASIL
A/C : Daniela Marcacini Vargas Rodrigues
ASSUNTO: ENTREVISTA COM O MESTRE DA UNIÃO DO VEGETAL
Prezada
srª Daniela Marcacini Vargas Rodrigues
Com relação à sua primeira pergunta temos a
dizer que recentemente tomamos conhecimento desta resolução
do Conad, mas, diante de tantos trabalhos importantes que vimos
realizando dia a dia, ainda não tivemos tempo de analisá-la.
Porém, já podemos adiantar que consideramos tal resolução
de instaurar um grupo multidisciplinar de trabalho absolutamente
desnecessária no que diz respeito à União do
Vegetal. É possível que a mesma seja de alguma utilidade
no que se refere a grupos que bebem chá de mariri e chacrona
de forma clandestina. Conforme já vimos esclarecendo em diversas
oportunidades, o chá dessas duas plantas sagradas que não
é cultivado e preparado pelo Mestre, e que é distribuído
sem a sua autorização expressa, é considerado
clandestino e, por isso mesmo, não é Oaska. Portanto,
tais grupos, ainda que registrados em cartórios, são
considerados espiritualmente irregulares e ilegítimos pela
União do Vegetal.
Ressaltamos, que, no que diz respeito à União do Vegetal,
não sentimos nenhuma necessidade de uma interferência
por parte do Estado em nossos rituais sagrados e nem em nossos trabalhos,
uma vez que a responsabilidade e a autoridade do Mestre são
suficientes para oferecer a seus discípulos todas as condições
favoráveis para que eles se mantenham num estado de espírito
limpo e sadio, cumprindo com seus deveres de forma responsável
e digna.
Entretanto, consideramos que de fato existem casos prementes e necessitados
da ingerência do Estado, principalmente no que diz respeito
à lavagem de dinheiro, pedofilia, corrupção
de menores e demais temas que são alvo de manchetes diárias
na imprensa mundial.
O Mestre, em seus quase trinta anos cultivando, preparando, bebendo
e distribuindo o Vegetal, graças ao Bom e Poderoso Deus,
vem se sentindo preenchido pela Supervisão da Justiça
Divina e prestando contas ao seu Bem Maior: a Consciência.
Com
relação às demais perguntas a senhora poderá
encontrar as respostas nas seguintes obras:
Oaska:
o Evangelho da Rosa Joaquim José de Andrade neto
Oaska o chá da recordação - Vídeo documentário
E também o site oficial da União do Vegetal: www.uniaodovegetal.org.br
Todas
as obras acima citadas são editadas pela Sama Multimídia
Educação e Arte.
www.samamultimidia.com.br
Aproveitamos
para recomendar o site dos Grupos de Estudos Humanus (GEH) www.geh.com.br
onde está veiculando uma interessante e reveladora entrevista
com o Mestre Joaquim José de Andrade Neto.
Autorizando a publicação na íntegra do texto
acima
despedimo-nos com votos de Luz, Paz e Amor.
Atenciosamente,
Alia Spártacus
INÍCIO
|