Matéria publicada no anuário 
cultural Humanus I, ano 2000


Oaska, o Misterioso
chá da Amazônia
 

     Considerado o Grande Avatar pela sua poderosa capacidade de despertar a divindade no homem, o chá Oaska, composto a partir de duas plantas da Floresta Amazônica e comungado em rituais religiosos desde eras remotas, ganha cada vez mais adeptos em toda a América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa. O que atrai estas pessoas é o poder de atuação desse misterioso líqüido no espírito humano, que lhes possibilita conhecer o verdadeiro significado da existência, recordar-se de suas vidas passadas e aprender a construir um futuro melhor a partir da consciência adquirida.
     Iluminando a humanidade através dos séculos e deixando sinais de sua doutrina em inúmeras religiões do planeta, a UNIÃO DO VEGETAL (UDV), a Ordem Religiosa que distribui o chá em seus rituais religiosos e que é também a mais antiga do mundo, ressurge no final do século XX inaugurando a era de Aquário pelo seu poder de fazer superar as ilusórias divergências e as rotulações religiosas, no sentido de despertar os homens para a legítima e única dimensão da espiritualidade: a união.
     Deste modo, o chá Oaska representa a esperança para um mundo onde a desunião e o desequilíbrio tomaram proporções tão inauditas que se torna difícil conceber uma solução para ele. Embora para muitos a existência de um chá dotado de tamanho poder possa parecer algo impossível, ele existe, e em território nacional, encontrando-se à disposição de todos os que têm busca espiritual. Requisito para experienciar esse poder? Uma boa dose de coragem para se enfrentar. E como recompensa, a avaliação de toda uma vida dentro da dimensão espiritual, além da força suficiente para livrar-se do falso e do ilusório.

A luz em sua própria casa

     Em 1974, dois jovens saíram de um mosteiro budista do Rio de Janeiro com o objetivo de empreender uma viagem a um templo do Tibete em busca de algo que os auxiliasse na conquista do autoconhecimento. Baseando-se em informações contidas em livros e em algumas revistas de cunho espiritualista, alimentavam  a esperança de que lá encontrariam o caminho espiritual que aqui ainda não haviam conseguido encontrar.
     Após uma estafante viagem de quase uma semana, constituída de algumas dezenas de horas de vôo, embarques em trens, ônibus e navios, além de uma longa escalada a pé pelas montanhas do Himalaia, chegaram afinal ao templo tibetano, situado num dos inúmeros picos dessa cordilheira.
     Faltava apenas a entrevista com o Lama, que ocorreu dois dias depois da chegada. Assim que foram recebidos por ele, expressaram-lhe suas inquietações a respeito da busca pelo verdadeiro caminho da espiritualidade, a qual os motivara a fazer tão longa jornada. O ancião os fitava sem nada dizer, até que, após um longo silêncio, revelou:
     – A Grande Luz que durante tanto tempo clareou o Oriente deslocou-se para o Ocidente. Encontra-se na América do Sul, no país maior. Só lá poderão encontrar o que procuram.
     Os dois peregrinos não podiam acreditar no que estavam ouvindo: tanto trabalho e esforço, tanto dinheiro e tempo gastos para terem de ouvir que a Grande Luz estava no Brasil! Não sabiam se ficavam desolados ou felizes diante de tão forte revelação, mas não tiveram outra alternativa senão regressar.
     Em 1989, a história se repete, desta vez com dois profissionais de São Paulo. Um professor de Tai Chi Chuan, estudioso da filosofia oriental, convenceu um amigo seu, gerente industrial, a acompanhá-lo até um mosteiro de linha tibetana na Índia à procura de um certo monge do qual ele ouvira falar, pois acreditava  ser sua doutrina religiosa a mais próxima da verdade. O monge, da mesma forma que o outro fizera no Tibete quinze anos antes, revelou-lhes que a luz que eles procuravam se encontrava aqui no Brasil...
     Os dois primeiros viajantes, alguns meses depois de sua chegada, relataram o fato à pessoa que um ano depois encontraria a Oaska e após seis se tornaria o dirigente da União do Vegetal: o Mestre Joaquim José de Andrade Neto, que sempre sentira e soubera que o caminho da verdadeira espiritualidade se encontra na própria América do Sul. Os outros dois que passaram por experiência semelhante contaram o ocorrido para o proprietário de uma academia de Tai Chi Chuan; e esta pessoa, no ano seguinte, encontraria a União do Vegetal e se tornaria discípulo do Mestre. Assim, a grande boa nova para o habitante do continente sul-americano é a presença desse chá neste mesmo contintente, fato esse que pode poupá-lo de ter que se deslocar até o Himalaia, à Índia ou a outros lugares em busca da experiência com o sagrado.
     Aliás, os episódios ocorridos com esses brasileiros são simbólicos, na medida em que a primeira revelação proporcionada pela Oaska é a de que a luz tão procurada pelo homem se encontra em sua própria casa, ou seja, no interior de si mesmo. Também Lídia Carmeli, discípula que é jornalista e ex-professora de yoga, passou por experiência semelhante, tendo ido até à Índia e lá permanecido quatro meses em busca do autoconhecimento: “Não dá nem para comparar as inúmeras horas que despendi com exercícios de meditação e yoga com um minuto de experiência com a Oaska: a experiência é tão forte e grandiosa que depois da minha primeira Sessão eu ria de mim mesma por ter esperado alcançar o êxtase em terras tão distantes e através de exercícios meramente mentais.” Adriana Simon, também discípula, sintetiza da seguinte forma o impacto que representou para ela encontar-se pela primeira vez sob o efeito do chá: “Quatro horas de experiência com a Oaska foram suficientes para me dar as respostas existenciais que eu há anos procurava. Quando já estava tendo crises de depressão, descobri  todas as respostas dentro de mim mesma.”
     Assim, a Floresta Amazônica, considerada “o pulmão verde do mundo”, além de contribuir para a qualidade de vida do homem no nível físico através da purificação do ar, ainda favorece a sua qualidade de  vida no nível espiritual, justamente por abrigar, dentre as milhares de espécies vegetais que a compõem, as duas plantas surpreendentes com as quais o chá Oaska é preparado, o Mariri e a Chacrona, cujos efeitos podem representar a solução para os problemas humanos. Esse fato explica a atração que inúmeros povos de outros continentes sentem pela gigantesca mata sul-americana, ainda que desconhecendo o mistério que ela guarda em seu seio.


A busca pelo êxtase

     A busca pelo sentimento de plenitude do ser – o êxtase – é uma característica da natureza humana, de modo que a esperança de experimentá-lo jamais se extingue. Essa esperança é que deu origem às religiões e ao que de melhor se criou na arte, nas ciências e na filosofia. Paradoxalmente, a busca pelo êxtase também levou o homem a descaminhos. Veja-se, por exemplo, o caso do grande número de pessoas de uma das gerações do nosso século que arriscou sua saúde física e mental em experiências alucinógenas na ilusão de que as mesmas poderiam lhes proporcionar a ligação com algo transcendental. 
     Tais pessoas ignoravam, sem dúvida, que o êxtase é infinitamente mais do que sensações de bem estar acompanhadas de visões. A necessidade de senti-lo está relacionada à busca pelas respostas para as questões existenciais. Sem saber exatamente o que está fazendo neste mundo, o homem encontra dificuldades para traçar diretrizes ou princípios de vida e, mais ainda, para ser fiel a esses princípios. E é justamente essa carência de respostas que explica a existência das guerras, das perseguições, da escravidão e de outras aberrações que marcam a História da Civilização. Nesse sentido, a consciência do porquê da vida é algo imprescindível para a conquista da harmonia da espécie humana na Terra.

     No entanto, embora a experiência do êxtase faça parte dos anseios recônditos de cada um, o caminho que conduz a ele é dos mais difíceis, porque só é possível senti-lo quando o canal de acesso ao Sublime se encontra desobstruído. E isso só acontece quando conseguimos transcender os estreitos limites de nosso pequeno ser individual e enxergar adiante de nós mesmos, descobrindo os liames invisíveis que nos ligam a todos os outros seres e a toda a natureza. Ângela Regina Canazza Corrêa, professora de música e associada à União do Vegetal há quatro anos, esclarece: “A Oaska é capaz de nos fazer chorar por toda a humanidade, amando intensamente cada homem que existe no mundo, e ainda nos prepara para podermos contribuir para a regeneração desse grande organismo do qual somos parte integrante.”
     Mas até chegar a esse ponto há uma longa travessia a ser realizada dentro de si mesmo, para a qual a Oaska é considerada o mais eficaz dos instrumentos. Ao comungá-la, o discípulo normalmente tropeça nas faltas do passado, enxerga a queda e constata suas fraquezas, manhas e maldades. Os membros da UDV afirmam que a lucidez adquirida nessa caminhada é suficiente para diagnosticar problemas espirituais e questões mal resolvidas. E como as pessoas sempre se julgam melhores do que elas  realmente são, não é raro que levem um susto diante da constatação dos entulhos acumulados durante anos. Porém, depois da limpeza, o espírito se rejubila e se eleva: “Tive que atravessar o inferno que eu mesmo havia criado para chegar ao paraíso”, declara a maioria dos que já comungaram o misterioso líqüido.


Oaska: espelho espiritual

     Pode parecer ilógico, absurdo ou fictício, mas a verdade é que duas plantas nativas da Floresta Amazônica, o cipó Mariri e o arbusto Chacrona, quando cozidas com água e preparadas por um Mestre que faz parte da história destas plantas sobre a Terra, produzem um chá que tem efeitos surpreendentes na vida das pessoas, conferindo-lhes a capacidade de enxergarem a si mesmas espiritualmente como se estivessem se olhando num espelho. Assim, a Oaska atua como instrumento de justiça divina de forma infalível, revelando a cada um o seu estado espiritual.
     O efeito surpreendente desse misterioso líqüido no espírito humano tem o nome de burracheira, experiência capaz de mudar completamente a vida de uma pessoa, tal a força das verdades existenciais que traz à tona. Por esse motivo, não é difícil deduzir que o discipulado através da Oaska não seja fácil, mesmo porque não são todos os que procuram a Verdade; e, dos que a procuram, só alguns conseguem suportá-la, ainda mais em se tratando, como é o caso, de enfrentar a força da verdade no plano espiritual, o que é bem mais sério.
     A maioria das pessoas, infelizmente, ainda prefere fugir de si a ouvir a própria consciência, e para isso há uma série de recursos à disposição, como os entorpecentes (o álcool, tabaco e outras drogas); a psicoterapia, que é um meio de fuga mais sofisticado; ou, ainda, a televisão, que atua de forma mais sutil, absorvendo muitas horas no dia-a-dia das pessoas. São diferentes formas de adiar o auto-exame que deve ser feito. A Oaska  tem o poder de desmontar o castelo de ilusão criado por tais recursos e apresentar a cada um, com nitidez incontestável, o espetáculo do seu desequilíbrio. E de tal enfrentamento não há como fugir: o acerto de contas torna-se uma ordem inexorável. Esse é o primeiro passo para o autoconhecimento.
     Além desse importante diagnóstico, o discípulo adquire força e  coragem para operar em si as mudanças necessárias. Trata-se de um serviço completo, só restando à pessoa fazer jus à clareza recebida, cumprindo em seu cotidiano o que deve cumprir e deixando de fazer aquilo que não deve.
     A conquista paulatina do discernimento através desse processo contínuo de auto-avaliação contribui para que as pessoas evitem cometer desatinos , e essa retidão de conduta certamente contribuirá para atrair a boa sorte em suas vidas.

Efeitos morais e éticos da Oaska nos discípulos

    A Oaska, por trazer à tona a consciência espiritual, torna evidentes e nítidos os verdadeiros valores humanos e, com isso, contribui para que cada um adquira uma conduta cada vez mais reta e equilibrada. Seus efeitos são, portanto, de integração familiar e social. E, ao mesmo tempo em que espiritualiza o homem, cobra-lhe atenção redobrada em sua vida, apontando-lhe os deveres de filho, irmão, cônjuge, pai, profissional e membro social. “Não conheço nada tão eficiente para nos elevar e ao mesmo tempo nos manter com os pés no chão”, declara Eduardo Müller de Sá, membro da UDV há cinco anos. Outro membro, Marcos Francisco Marchini, empresário, se confessa surpreso com as suas próprias mudanças: “Nunca havia atingido um estado tão intenso de sensibilização em relação às pessoas que me cercam. Agora, cada pessoa na minha frente é para mim alguém especial e merece uma atenção especial”, afirma ele. Assim, cada um que comunga a Oaska enxerga a sua parte, ou seja, o que lhe compete fazer dentro dos seus deveres e, mais do que isso, sente o peso dessa responsabilidade. E a cobrança da burracheira acontece na proporção exata do que o discípulo pode e deve fazer no grau em que se encontra. A verdade é que, se cada pessoa cumprisse o seu dever de forma integral e eficiente, certamente os problemas humanos seriam abolidos da face da Terra e o homem alcançaria um novo estágio de evolução.
     Os associados da União do Vegetal, ao se darem conta da gravidade de suas omissões ou dos desvios que vinham cometendo há anos, querem a todo custo repará-los. Alguns sentem essa necessidade a partir da primeira Sessão, como é o caso de uma novata que viajou mais de 1.000 kilômetros para buscar o filho que ela abandonara há três anos e que deixara com o ex-marido; de um associado que confessou à esposa todos os seus adultérios; e de uma jovem que procurou o pai para uma reconciliação após dez anos de inimizade. Além disso, no quadro de associados da União do Vegetal constam casais que, antes da experiência com o chá, já estavam separados ou prestes a separar-se, e filhos que se indispunham com os pais, além de ex-drogados, ex-alcoólatras e ex-desocupados, todos tendo passado por esse mesmo processo de auto-exame e amadurecimento espiritual proporcionado pela Oaska, e desfrutando atualmente da integração com a família e com a sociedade.

Começando de si mesmo 

     Na burracheira as imperfeições do ser humano são enxergadas com os olhos do espírito, e nessa dimensão o homem descobre uma lucidez até então desconhecida, a espiritual, que é, aliás, a única capaz de fazê-lo compreender que tudo o que é horrível no mundo tem por causa o horrível que cada um tem dentro de si. Em outras palavras, ele compreende que, para mudar o exterior, é preciso começar do interior. Tendo isso por princípio e diretriz de vida, todos os associados da União do Vegetal são unânimes em afirmar que a lição mais importante da vida espiritual é a de que o único inimigo do homem está dentro dele mesmo, e que justamente por não saber disso é que ele cai no engano de julgar que os inimigos são os outros. Assim, os que chegam à União do Vegetal com idéias revolucionárias logo se deparam com a ordem inexorável, vinda da própria consciência, de primeiro mudarem a si mesmos antes de quererem mudar o mundo, pois compreendem que quem consegue mudar a si mesmo já está, na verdade, começando a mudar o mundo.
     Por isso, as revelações da Oaska trazem consigo a exigência de virem a ser incorporadas à vida cotidiana e de se transformarem nas diretrizes éticas norteadoras da conduta de quem as recebe. Este é o preço de todo verdadeiro conhecimento espiritual: uma vez constatada a verdade, quem tentar fugir dela terá sempre de prestar contas à sua consciência, que é o mais rigoroso de todos os juízes. Sob a luz da Oaska, este acerto de contas é tão marcante que aquele que não conseguir se harmonizar com a própria consciência certamente não conseguirá continuar a sua caminhada na vida espiritual.
     Como conseqüência dessa cobrança, o discípulo revê todos os seus valores e, a partir dessa nova concepção de vida, passa a policiar seus pensamentos, palavras e atitudes. O próprio conceito de honestidade, por exemplo, começa a ser encarado de forma bem mais ampla. “Ser honesto não é só não roubar, como pensam as pessoas. Para se chegar ao ponto de ser honesto espiritualmente é preciso parar de mentir, de omitir, de enganar, de tirar vantagens e de usar de manha para conseguir as coisas”, esclarece o Mestre.


Burracheira e mirações

     As imagens contempladas durante a burracheira recebem a denominação de mirações e podem se manifestar de formas infinitamente variadas: ora são duradouras, ora fugazes; ora nítidas, ora dotadas de tênues contornos; ora de aparência assustadora, ora de grande beleza. Muitas vezes as mirações revelam fatos do passado, às vezes de um passado anterior à atual encarnação. E, conforme a necessidade, até mesmo o futuro pode ser revelado. Em todas é possível encontrar um significado; todas pedem uma decifração. Mas a forma pela qual elas revelam seus conteúdos é também extremamente variável: às vezes são bastante claras e diretas; às vezes são enigmáticas e oraculares. Por este motivo, os discípulos podem precisar do auxílio do Mestre para conseguir compreender o seu significado.
     Na verdade, as mirações constituem recursos de ilustração utilizados pela burracheira para  revelar   ensinamentos e o estado de espírito de cada um. Porém, as revelações também podem se manifestar através de sentimentos, de sensações ou de inúmeras outras formas. As palavras do Mestre, por exemplo, são fonte inesgotável de revelações, como também o são os acontecimentos da vida diária, desde que corretamente interpretados.
     Apesar de ser a miração apenas uma das possíveis manifestações da burracheira, é comum acontecer de pessoas procurarem a UDV imaginando que a Oaska é bebida com o único objetivo de se “ver coisas”. Muitas vezes estas pessoas, após uma experiência marcante com a Oaska, afirmam que não tiveram burracheira pois “não viram nada”. Este tipo de idéia é, em grande medida, o efeito de uma série de publicações a respeito de experiências com chás preparados com Mariri e Chacrona sem a orientação do Mestre. Os relatos que estas publicações trazem praticamente se resumem à descrição de visões de formas exóticas e coloridas. Em muitos casos esses relatos estão impregnados daquela espécie de misticismo selvático tipo “exportação”, muito em moda ultimamente. Proliferam então os xamãs voadores furando os ares em direção ao arco-íris, os animais falantes de pelagem iridescente e os pequenos seres espirituais da floresta. Outros depoimentos não vão além de uma descrição cansativa de padrões geométricos complexos e coloridos ou de formas abstratas esvoaçantes em contínua metamorfose. Tudo isto não é senão uma prova tanto da falta de orientação das pessoas que preparam e ingerem aquelas beberagens como do escasso alcance espiritual das mesmas. Elas podem produzir visões, mas isso não quer dizer que estas provenham da burracheira, mesmo porque a burracheira é um efeito exclusivo da Oaska. E a Oaska só pode ser produzida pelas mãos do legítimo Mestre Geral Representante da União do Vegetal, e não por curiosos.
     De nada adianta ter visões se não se pode ter a compreensão trazida pela burracheira; e quem bebe a Oaska sabe perfeitamente que é bem melhor ter burracheira sem ter mirações do que ver muitas coisas sem ter burracheira.

As origens


     A possibilidade de certas plantas comporem um chá capaz de nos revelar o sentido de nossa vida é algo que o homem moderno – que desaprendeu a reverenciar a natureza e se tornou insensível aos seus mistérios – reluta em aceitar. De fato, não se pode demonstrar por meio de argumentos lógicos que haja esta possibilidade. Porém qualquer esforço de demonstração é desnecessário, uma vez que o chá existe e é acessível a todos os que quiserem comprovar os seus poderes e aprender com ele.
     Na verdade, como demonstram fartas evidências apontadas por antropólogos e etnobotânicos, a utilização de uma bebida composta pelo Mariri e pela Chacrona já existia antes mesmo do início da civilização ocidental. Este fato nos leva a indagar como é possível que em época tão remota tivesse sido descoberto que, da união de duas plantas específicas, selecionadas dentre as centenas de milhares de espécies que compõem a Floresta Amazônica, resultaria um líqüido com os poderes surpreendentes da Oaska, cujo benefício à humanidade supera o de todo o conhecimento tecnológico acumulado por nossa civilização. Tal descoberta, que não poderia ser obra do acaso e da experimentação, é uma indicação de que o surgimento da Oaska só pode ter sido fruto da intervenção direta da Força Superior que governa a natureza.
     Só mesmo a Oaska poderia desvendar o mistério de sua própria origem. E o chá misterioso revela que esta origem remonta à mais antiga cultura indígena, no primeiro alvorecer da cultura humana. Foi nesta época que Salomão, o Rei da Ciência, com a sua sabedoria inspirada, realizou a união entre o Mariri e a Chacrona e entregou o fruto dessa união, que é o chá Oaska, ao seu fiel vassalo Caiano, que, ao bebê-la, adquiriu a consciência espiritual e se tornou o primeiro Oasqueiro, ou seja, a primeira pessoa a comungar e a distribuir a Oaska na Terra. Nesta ocasião, Caiano recebeu de Salomão o sétimo segredo da natureza, a União do Vegetal e, com ela, a chave da palavra perdida, que permite entrar em contato com a Força Superior e penetrar nos encantos da natureza divina.
     Desde então, Caiano, sempre demonstrando grande abnegação, humildade e amor pela humanidade, vem se reencarnando sucessivamente na Terra e cumprindo sua missão de restaurar a União do Vegetal e de trazer aos homens a luz do verdadeiro conhecimento espiritual. Neste século, ele reencarna em Coração de Maria, Estado da Bahia, com o nome de José Gabriel da Costa, tendo se tornado conhecido na UDV como MESTRE Gabriel.
     De origem humilde, MESTRE Gabriel se desloca, quando adulto, para a cidade de Porto Velho, em Rondônia, a fim de trabalhar como seringueiro na Floresta Amazônica. No seringal boliviano chamado Guarapari, bebe o chá sagrado, o qual lhe permite recordar-se de sua missão e de suas encarnações passadas. Em 1961, após passar três anos examinando as revelações recebidas, MESTRE Gabriel recria a UDV, dando início ao seu trabalho de doutrinação e de distribuição do misterioso líqüido. Em 1971 ele desencarna deixando um precioso legado espiritual, em virtude do qual as gerações futuras hão de lembrar o seu nome com gratidão e reverência.

O  Ritual  

A Oaska é comungada exclusivamente nas sessões da União do Vegetal, as quais têm duração de quatro horas e são dirigidas pelo Mestre ou por quem for designado a representá-lo. A presença do Mestre dirigindo a Sessão e a observância ao ritual são imprescindíveis à concentração e ao auto-exame, garantindo também a harmonia do ambiente e a elevação espiritual do discípulo.
     Após haverem bebido a Oaska, os participantes da Sessão permanecem sentados até o final do ritual. O Mestre faz então as chamadas (cantos iniciáticos) de abertura e, em seguida, inicia os trabalhos de doutrinação espiritual, os quais podem ser intercalados com músicas contendo ensinamentos, selecionadas conforme a necessidade. Nessas ocasiões o discípulo tem oportunidade de ouvir aquilo que ele mais precisa ouvir, uma vez que o Mestre atua como um canal de ligação com a Força Superior, de onde vêm todos os ensinos espirituais.
     Encerrada a doutrinação, os participantes têm oportunidade de, mediante pedido verbal, se expressar e fazer perguntas ao Mestre. No prazo previsto do ritual, este entoa  as chamadas de encerramento e dá por encerrada a Sessão.

O Preparo

 

     O chá comungado nas sessões é preparado pelos próprios membros da União do Vegetal sob a orientação do Mestre, num ritual que constitui um verdadeiro culto à natureza. Os homens colhem o Mariri, que, em seguida, é raspado, amassado e desfiado. As mulheres colhem as folhas da Chacrona e lavam-nas, uma a uma. 

 

O Mestre dispõe então o Mariri e a Chacrona em caldeirões e verte sobre eles água suficiente para a fervura. Depois que o Vegetal é distribuído e comungado, são feitas as chamadas de abertura e é aceso o fogo sob os caldeirões. Com a chamada da União, o Mestre invoca a luz e a força, que são assimiladas pelo Vegetal e gravadas em sua memória.


     Esse fenômeno mágico através do qual um líqüido adquire a propriedade de fazer o poder de Deus se manifestar no espírito humano só é possível graças à intermediação que o Mestre realiza entre o plano espiritual e o mundo físico. É por isto que a existência da Oaska na Terra tem como condição essencial a presença de um Mestre consciente e recordado espiritualmente na direção do seu preparo e distribuição. Sem isso, o resultado pode ser um chá feito de Mariri e Chacrona, mas certamente não será Oaska, ou seja, não será provido dos seus efeitos misteriosos. E sem a verdadeira Oaska não há como experienciar a burracheira.


     Quanto aos demais participantes do preparo, exige-se de todos, durante os trabalhos, um alto nível de compenetração e de atenção. Cada um deve cuidar para que suas atitudes, palavras e seus pensamentos estejam sempre em sintonia com o dirigente e com a seriedade do trabalho que se está realizando.   


Fazenda Rei Salomão


     A Fazenda Rei Salomão é uma experiência de organização de uma irmandade  comunitária, na qual os associados da União do Vegetal podem desfrutar de uma vida saudável pautada pelo respeito mútuo e pelo amor à natureza. Está situada no município de Tapurah, Estado de Mato Grosso, no centro geográfico da América Latina, em plena Floresta Amazônica, abrangendo 500 hectares de extensão. É também o primeiro núcleo rural da UDV e, como tal, conta com um Centro de Ensino e Produção Agrícola (CEPA), entidade que é implementada em cada núcleo rural  da União do Vegetal e cujas funções prioritárias são o cultivo do Mariri e da Chacrona, bem como o ensino das técnicas de plantio destes vegetais, com os quais se realizará o preparo do chá que será comungado em todos os núcleos da UDV. Além de trabalhar por esses objetivos, os CEPAs desenvolvem atividades destinadas a possibilitar a autonomia e a auto-suficiência do grupo e atender às necessidades da sociedade local.
     Esses Centros têm também o objetivo de despertar o homem para a importância do trabalho físico (considerado na União do Vegetal um requisito de purificação inerente ao aperfeiçoamento espiritual), iniciando-o na prática do uso do prumo, do nível, do esquadro, do compasso e da enxada. Cada CEPA deverá implantar uma escola, que, além de instrução primária, fornecerá cursos técnicos sobre os fundamentos da agricultura e da construção civil. Cada Centro contará ainda com um Posto de Saúde, o qual, assim como a escola, atenderá tanto a demanda interna da UDV como a da comunidade circunvizinha.
     As condições inóspitas da mata já foram vencidas, e hoje os moradores e visitantes da Fazenda Rei Salomão podem desfrutar do ambiente paradisíaco que a natureza oferece e de todo o conforto de que dispõem na cidade. Sua produção abrange leite e derivados, além de diversos produtos hortifrutigranjeiros, tais como banana, abacaxi, limão, caju, laranja, mamão, jaca, mandioca, milho, raiz de lótus, palmito, e também mel. Faz parte ainda da cultura agrícola dessa fazenda uma variedade enorme de plantas medicinais, como guaco, boldo, sálvia, camomila, hortelã, melissa, etc. Mas a sua principal produção, sem dúvida, são as duas plantas que compõem a Oaska, o Mariri e a Chacrona, as quais são cultivadas em grande extensão e com um cuidado todo especial pelos associados da UDV.
     A Fazenda, entre outras coisas, permite ao homem da cidade descobrir o encanto do campo: respirar um ar isento de resíduos industriais e de fumaça de automóveis, banhar-se em águas de fontes cristalinas, pescar em rios largos e silenciosos e caminhar por estradas ladeadas por árvores frondosas em contato com aves e animais silvícolas. Permite-lhe arar a terra, escolher o que quer plantar e, depois do cultivo, preparar e comer o que plantou. Permite-lhe também descobrir o encanto que os relacionamentos humanos possuem quando cada um está centrado em si e cumprindo a sua parte.
     O grande destaque da paisagem da Fazenda Rei Salomão é um belíssimo lago, no centro do qual pode-se ver tremular num mastro a bandeira azul da União do Vegetal. Ao seu redor, estende-se um amplo jardim com plantas ornamentais e árvores frutíferas. Num suave aclive encontra-se um conjunto sóbrio e harmonioso de edificações, e, emoldurando todo este jardim, está a imponente floresta virgem, como um vasto oceano verde cheio de vida. Em nome do respeito à natureza, a UDV declarou toda a área de floresta virgem pertencente à Fazenda como reserva ecológica, preservando-a assim de qualquer tipo de agressão.

Instalações e recursos


     A Fazenda Rei Salomão demonstra que o respeito à natureza não está em contradição com a utilização da tecnologia: graças a décadas de dedicação por parte da Administração Geral da UDV, ela hoje se encontra bem equipada. Sua Sede administrativa conta com os recursos da telefonia e da informática, e seu refeitório de 500 m² possui anexa uma moderna cozinha industrial. Estão também edificados o Templo (onde são realizadas as sessões da UDV), diversos alojamentos constituídos de apartamentos confortáveis para os residentes fixos ou temporários, além de escritórios, secretaria e tesouraria.

 

     As funções desempenhadas pelos moradores da Fazenda visam não apenas manter suas boas condições como também ampliar as instalações e acomodações da mesma. Nesse sentido, esses associados colaboram para a expansão da obra, uma vez que propiciam condições para que a Fazenda possa acolher um número grande de pessoas, inclusive do exterior, tal como já vem acontecendo. Com esta finalidade, cuidou-se de treinar equipes para cobrir cada área de trabalho: a de edificações, a de alimentos, a de limpeza, a de manutenção elétrica e hidráulica e a que cuida da plantação do Mariri e da Chacrona. Um sino de grande porte anuncia o café da manhã às 6 horas, o almoço às 12 e o jantar às 19, sendo as refeições servidas no refeitório central.

 


A Constituição do Centro Espiritual 
Beneficente União do Vegetal


     MESTRE Gabriel ocupa o vértice superior da hierarquia da UDV, sendo a fonte de todos os ensinamentos desta. Por ter recebido a União do Vegetal das mãos do seu autor, o Rei Salomão, ele é o guardião espiritual dos segredos da Oaska, e esta se encontra indissoluvelmente ligada a ele. O cozimento conjunto do Mariri e da Chacrona só resulta no misterioso chá quando realizado sob sua supervisão e a serviço da obra que lhe foi confiada pela Força Superior. A Oaska é, por sua vez, o veículo pelo qual o MESTRE se faz presente na Terra, iluminando o caminho trilhado pela União do Vegetal.
     Após seu desencarnamento, ocorrido em 1971, MESTRE Gabriel continua a orientar os passos da União do Vegetal, mas a sua intervenção passa a se dar através de um representante. Por isto existe na UDV o cargo de Mestre Geral Representante, cujo titular é o responsável pela continuidade de sua obra. O Mestre Geral Representante está ligado ao MESTRE Gabriel por um vínculo de absoluta fidelidade e obediência, constantemente renovado e confirmado pelo poder da Oaska.
     Percebe-se que representar o MESTRE não é tarefa simples. Tampouco é simples a tarefa de escolher a pessoa que deverá desempenhar este mister, daí o fato de essa escolha, da qual depende a continuidade da UDV na Terra, não poder ficar a cargo de terceiros. O próprio MESTRE é quem convoca o seu Representante, e se não pode fazê-lo pessoalmente, o faz através do mistério. A força misteriosa da Oaska faz chegar a pessoa certa ao lugar certo. Foi o que aconteceu em 1975 em Porto Velho, quando um jovem chamado Joaquim José de Andrade Neto, que participava pela primeira vez de uma Sessão do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, tendo sido convidado a falar, discorreu sobre a União de uma forma absolutamente surpreendente. Nessa ocasião, ele expressou a sua firme determinação de servir de forma incondicional a União do Vegetal, com a qual demonstrou possuir uma relação pessoal aparentemente inexplicável, uma vez que bebia a Oaska pela primeira vez.
     Desde então, o referido jovem, que mais tarde se tornaria conhecido como Mestre Joaquim, não deixou jamais de agir de acordo com as palavras que proferiu naquela Sessão, trabalhando incansavelmente em prol da União. Inúmeras têm sido as suas demonstrações de amor e dedicação à UDV, e eloqüentes os muitos sinais de que sua presença na UDV é obra do mistério que permeia toda a história da Oaska.
     Ocorre, porém, que o zelo com que Mestre Joaquim sempre cuidou da preservação da integridade dos ensinamentos do MESTRE Gabriel, denunciando os abusos cometidos por aqueles que se diziam discípulos da UDV, passou a constituir motivo de revolta por parte dos mesmos, que viam ameaçados os seus interesses pessoais. Essa situação deu origem a uma série de acontecimentos, os quais tornaram inevitável a decisão do Mestre de se desligar do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.
     Consciente de que a humanidade corria o risco de perder mais uma vez a ligação com os mistérios da Oaska (como já ocorrera em outras ocasiões ao longo da História da UDV na Terra), o Mestre percebeu que a responsabilidade pela preservação desta ligação se encontra exclusivamente em suas mãos. Realizou então em 1981 uma Sessão no dia de São João, na qual recebeu ordem superior e autorização espiritual do MESTRE Gabriel para constituir novamente a UDV.
     Segundo a determinação superior, a data da nova constituição deveria ser o dia 22 de julho do mesmo ano, e a palavra “Espírita”, que remete à doutrina kardecista, deveria ser substituída pelo termo “Espiritual”, que melhor expressa o sentido da doutrina da UDV.
     Desde que foi constituído, o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal é o único baluarte da UDV na Terra. E o Mestre Geral Representante da UDV, Mestre Joaquim José de Andrade Neto, o único depositário da autoridade e do conhecimento necessários para orientar o preparo e a distribuição da Oaska.  Pelo canal de ligação com a Força Superior que o Mestre mantém sempre aberto, ele vem recebendo as revelações sobre todos os elos que compõem a história milenar desse misterioso chá. E enquanto houver na Terra alguém capaz de receber esta tradição e, com ela, a consciência clara da importância e da missão da UDV, a história da Oaska não terá fim.


 

 
Matéria publicada no anuário 
cultural Humanus III, ano 2002


União do Vegetal
a religião do sentir



     A União do Vegetal, também conhecida como Irmandade da Rosa, é instrumento de transmissão aos homens de ensinamentos que, pela clareza e força com que atuam em seu espírito, têm o poder de conduzi-los  à prática dos mesmos. Essa prática é ordenada pela Força Superior e ocorre na vida do discípulo de forma paulatina, à proporção que sua consciência espiritual é ampliada.
     Os ensinamentos a respeito de como se conduzir sobre a Terra são trazidos por alguém que já alçançou essa consciência: trata-se de um Mestre, que é quem cultiva, prepara, distribui e, como  todos os seus discípulos, bebe um chá misterioso denominado Oaska, fruto da união de dois vegetais, o cipó Mariri e o arbusto Chacrona, ambos encontrados na Floresta Amazônica. O chá é utilizado nas sessões da Ordem com fins exclusivamente religiosos e sob a responsabilidade do Mestre. Seu poder é incontestável, e a experiência vivida sob seu efeito, inesquecível. Com a Oaska, abre-se a porta ao desconhecido, e nesta nova dimensão o homem resgata a memória de sua esquecida aliança com o Criador.
     À primeira vista, pode parecer impossível às pessoas a existência de um líqüido mágico que as faça despertar para a vida espiritual e lhes descortine uma nova e mais elevada concepção de vida. Mas a Oaska existe, e em território nacional, ao alcance de todos os que buscam a verdade sobre os fenômenos existenciais e sobre seu próprio destino. Sua importância consiste em proporcionar aos homens limpeza espiritual e autoconhecimento. Só os que bebem esse chá podem falar sobre tão sagrada experiência. A estes, que com seus mistérios e encantos são agraciados, não é dado dizer a outros Sinta o que eu sinto, pois o imperativo do verbo sentir simplesmente não pode ser cumprido. Mas poderão dizer “Beba e sinta o que eu sinto!” 

A história da Oaska

“Não me bebas sem razão.
Não me distribuas sem honra.”
Mestre Joaquim José de Andrade Neto

     Em época antediluviana existiu um rei denominado Inca. Este rei tinha uma conselheira, uma mulher misteriosa que se chamava Oaska. Esta mulher, que conseguia prever acontecimentos e que sabia o que as outras pessoas não sabiam, orientava o rei em tudo o que ele fazia. Um dia Oaska desencarnou e foi então sepultada. Passados alguns dias o rei, sentindo-se desorientado sem a sua conselheira, foi até a sua sepultura e encontrou, nascida naquele lugar, uma árvore desconhecida, diferente de todas as outras árvores. Examinando-a, disse:
     – Se nasceu na sepultura de Oaska, é Oaska.
     Depois de muitos e muitos anos, nasceu no reinado do rei Inca um menino que recebeu o nome de Tiuaco. Ele chegou ao ponto de ser marechal de confiança do rei. Um dia o rei convidou Tiuaco para vir visitar a sepultura de Oaska. O marechal, sabendo do ocorrido com a mulher misteriosa, o acompanhou. Chegando à sepultura de Oaska, o rei disse:
     – E se nós fizéssemos um chá das folhas de Oaska? Quem sabe conseguiríamos falar com o seu espírito e saber dos seus segredos e mistérios! Vamos experimentar!
     Tirou umas folhas, preparou o chá e disse a Tiuaco:
     – Tiuaco, bebe o chá e vê se tu consegues falar com o espírito de Oaska para saber dos seus segredos e mistérios.
     Tiuaco bebeu o chá. A força de Oaska então se apresentou e cresceu tanto que Tiuaco não resistiu e fez a passagem dentro da força e da luz. E o rei então não pôde fazer outra coisa senão sepultar o seu marechal.
     Depois, com o tempo, o rei também desencarnou e o reinado ficou transformado em tapera. Muitos e muitos anos depois nasceu um menino que recebeu o nome de Salomão. Este menino era tão dotado de Ciência e de sabedoria que chegou a ser chamado de “curioso”, quando, na verdade, era inteligente, sendo que até hoje combate a curiosidade. 
     Salomão estudou de si e tornou-se o rei da Ciência. Um dia, chegou aos ouvidos de Salomão a história da mulher misteriosa. E só ele mesmo, como rei da Ciência, poderia descobrir os mistérios e segredos de Oaska. Vem então Salomão acompanhado de seu vassalo Caiano para a descoberta dos mistérios. Chegando à sepultura de Oaska, pegou uma folha da árvore e disse:
     – Essa que nasceu na sepultura de Oaska, da qual fizeram um chá que deram a Tiuaco, o qual bebeu e morreu, vem denominar-se Chacrona, que quer dizer chá temeroso, temeroso para quem não o respeita.
     Em seguida dirigiu-se à sepultura de Tiuaco e, encontrando ali um cipó, confiou que nele existia o marechal, e disse:
     – Tiuaco é Mariri. A palavra indígena Mariri quer dizer marechal. Tiuaco é marechal.
     Salomão tirou então uns pedaços do cipó Mariri e umas folhas da Chacrona e com eles preparou um chá. Realizava, nesse momento histórico para a humanidade, a União do Vegetal, a união do Mariri com a Chacrona. Em seguida, disse a seu vassalo Caiano:
     – Caiano, receba a comunhão do Vegetal e siga firme para receber os segredos da Oaska e todos os mistérios do Vegetal. Quando sentir que a força do chá, que é a burracheira, seja demasiada a ponto de não poder suportá-la, lembre-se de Tiuaco, que é Mariri, é o rei da força.
     Caiano bebeu e sentiu a Oaska se manifestando, e a força cresceu tanto que ele, sufocando num tempo de burracheira, lembrou-se da palavra do Mestre e chamou Tiuaco. Depois Caiano diz a Salomão:
     – Mestre, eu entrei nos encantos e vi tudo.
     Salomão repreende Caiano, esclarecendo que os encantos são da Natureza Divina e vivem fechados, e que só é possível neles entrar com a autorização da Natureza Divina. E ensina-o a trazer a chamada de abertura Minguarana, permitindo a Caiano entrar nos encantos da Natureza Divina e receber todos os segredos e mistérios do Vegetal.
     Assim, Caiano se recordou e se tornou consciente, sendo, a partir de então, o primeiro oaskeiro.
     Texto inicial da história da Oaska trazida através da recordação por MESTRE Gabriel, recriador da União do Vegetal neste século e seu guia espiritual
     A União do Vegetal (UDV) remonta aos primórdios da civilização humana e vem sendo recriada desde então na Terra através de seus agentes responsáveis. Quando, porém, as pessoas se distanciam da pureza de seus ensinamentos, ela se recolhe nas brumas do tempo, desaparecendo temporariamente.
     A doutrina da UDV é trazida de inesgotável fonte, a memória de seus Mestres, iluminando a todos os que a recebem. E tão significativa tem sido sua presença no mundo que seus ensinos podem ser identificados nas doutrinas de inúmeras Ordens religiosas, as quais até hoje apresentam ensinamentos revelados pela Oaska.
     Em tempos recentes, a União do Vegetal foi recriada por José Gabriel da Costa, o MESTRE Gabriel, fato que ocorreu em 1961, e teve de ser novamente constituída vinte anos depois, por determinação superior, pelo Mestre Joaquim José de Andrade Neto. Com o nome de Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal, ela tem sua Sede Geral em Campinas, São Paulo. E além da Sede Geral, que se situa no distrito de Barão Geraldo, em que os discípulos são atendidos em dois templos, conta ainda com três áreas rurais. Uma delas é a Fazenda Rei Salomão, em Mato Grosso, com 500 hectares, e as outras duas se situam na região de Campinas, uma das quais no bairro Tozan, onde se encontra o Núcleo Supairunã, e a outra numa montanha no subdistrito de Joaquim Egídio (a 20 km de Campinas), com 25 hectares. Todas as áreas já contam com a infra-estrutura necessária.
     Nesses locais, os discípulos têm a oportunidade de colocar em prática os ensinamentos recebidos do Mestre através de trabalho físico, intelectual e espiritual. A disciplina é desenvolvida em todos os sentidos, procurando-se aperfeiçoar o comportamento através da assiduidade, da pontualidade e da capacidade de cumprimento da própria palavra, entre outras virtudes.
     As atividades desenvolvidas permitem que os mais jovens descubram suas aptidões profissionais, dado que as ocupações podem abranger áreas diversas como a agricultura, a horticultura, a construção civil, o paisagismo e a informática, entre outras. Todos aprendem a trabalhar respeitando a natureza e procurando fazer um bom proveito dos seus recursos.
     Nos núcleos o Mestre organiza atividades que fazem parte de um contínuo processo de aprendizagem espiritual, trazendo a todos o verdadeiro autoconhecimento. E assim, ele vem permanentemente orientando e conduzindo seus discípulos a uma compreensão cada vez maior da verdade.

Oaska, o chá da recordação

Burracheira e Mirações

     Durante a burracheira, a força estranha que atua no espírito através da Oaska, cada um enxerga suas próprias imperfeições com os olhos do espírito, e nessa dimensão adquire-se uma lucidez até então desconhecida. Compreende-se, entre outras coisas, que tudo o que existe de horrível tem por causa o horrível que cada um tem dentro de si. Em outras palavras, torna-se claro que para mudar o exterior é preciso começar do interior. Tendo isso por princípio de vida, os discípulos da União do Vegetal são unânimes em afirmar que a lição mais importante da vida espiritual é a de que o único inimigo do homem está dentro dele mesmo, e que somente quando não se sabe disso é que se pode cair no engano de julgar que os inimigos são os outros.
     Assim, os que chegam à UDV com idéias revolucionárias logo se deparam com a ordem inexorável, vinda da própria consciência, de primeiro mudarem a si mesmos antes de quererem mudar o mundo. Compreendem, afinal, que quando se consegue mudar a si mesmo já se está começando a mudar o mundo.
     Por isso, as revelações da Oaska trazem consigo a exigência de virem a ser incorporadas à vida cotidiana e se transformarem nas diretrizes éticas norteadoras da conduta de quem as recebe. Este é o preço do autoconhecimento espiritual: uma vez constatada a verdade, quem tentar fugir dela terá sempre de prestar contas à sua consciência, e a própria consciência é o mais rigoroso de todos os juízes. Sob a luz da Oaska, este acerto de contas é tão marcante que aquele que não consegue harmonizar-se com a própria consciência certamente não conseguirá continuar a sua caminhada na vida espiritual.
     Como conseqüência dessa cobrança, o discípulo revê todos os seus valores e, a partir da nova concepção de vida que assim alcança, começa a policiar seus pensamentos, palavras e atitudes. O próprio conceito de honestidade, por exemplo, começa a ser encarado de forma bem mais ampla: “Ser honesto não é apenas não roubar, como pensam as pessoas. Para chegar ao ponto de ser honesto espiritualmente é preciso parar de mentir, de omitir, de enganar, de tirar vantagens e de usar de manha para conseguir as coisas”, esclarece o Mestre.
     As imagens contempladas durante a burracheira recebem a denominação de mirações. Elas revelam ensinamentos e refletem o estado de espírito de cada um,  podendo manifestar-se de formas infinitamente variadas: ora são duradouras, ora fugazes; ora nítidas, ora dotadas de tênues contornos; ora de aparência assustadora, ora de grande beleza. Muitas vezes as mirações revelam fatos do passado, às vezes de um passado anterior à atual encarnação. E, conforme a necessidade, até mesmo o futuro pode ser revelado. Em todas é possível encontrar um significado; todas pedem uma decifração. A forma pela qual elas revelam seus conteúdos é também extremamente variável: às vezes são bastante claras e diretas; às vezes são enigmáticas e oraculares. Por este motivo, os discípulos precisam do auxílio do Mestre para decifrar seus significados e sua relação com os acontecimentos da vida cotidiana.

Relato de experiência com o chá Oaska
de uma discípula de origem judaica

Ah, esse meigo e sublime Messias...

     “Lembro-me de que, durante os meus primeiros meses na UDV, talvez por estar ainda impregnada das tradições judaicas e sobretudo por ter morado por mais de uma década em Israel, não conseguia me sensibilizar com Jesus, mantendo-me totalmente apática em relação à Sua história e às Suas palavras. Meu coração parecia ser de pedra. Porém, aos poucos, fui tendo a oportunidade, através da comunhão com a Oaska, de fazer um exame minucioso das minhas origens. Foi um período difícil, em que, sem intervenções ou interferências, fiz uma revisão da bagagem ancestral que eu carregava. A partir desse auto-exame, comecei a entender o porquê do sofrimento do povo judaico e do meu próprio sofrimento.
     Foi numa Sessão de Páscoa, há seis anos, que tive uma miração realmente significativa a respeito desse assunto. Vi uma mulher com um bebê no colo no momento em que Jesus fazia a Via Crucis. Essa miração não durou muito tempo, pois senti que eu não estava ainda preparada para ver mais. Soube que aquela mulher era eu, mas não compreendi, naquela ocasião, a razão de estar vendo aquilo.
     Anos mais tarde, após ter vivido várias horas a mais de burracheira, depois de ter ouvido durante várias sessões as preciosas administrações do Mestre e de ter recebido do Vegetal inúmeros puxões de orelha espirituais, aquela miração voltou. No início quis resistir, dizendo a mim mesma que aquela mulher não era eu. Porém, a força estranha que me envolvia me transportou novamente àquela época: encontrava-me no ano 33, andando pelas ruas da velha Jerusalém, com o bebê no colo. Minha própria história me era relatada através de imagens que apareciam como um filme fotográfico sendo instantaneamente revelado. Sentimentos, nomes e sensações me eram conhecidos. Houve então uma luta entre minha mente, que tentava analisar tudo aquilo de forma lógica, e meu espírito, que buscava a verdade, doesse o que doesse. Mas como o poder da Oaska consiste justamente em fazer prevalecer o espírito, foi ele quem venceu, e eu pude então continuar a viver plenamente a grandiosidade dessa experiência.
     Soube que meu nome era Sheiva, e que tinha oito filhos e um marido estudando na ieshiva, uma espécie de escola para formação de rabinos. Meus pensamentos e atividades eram banais e voltados à vida doméstica. Um tumulto de pessoas chamou a minha atenção, e me aproximei delas. Após algum tempo a criança começou a chorar e eu pensei então em me retirar, mas de repente percebi que estava cercada de pessoas que gritavam impropérios e de outras que choravam silenciosamente, movendo a cabeça em sinal de que não acreditavam no que estava acontecendo. Senti necessidade de perguntar a um ancião que estava perto de mim o motivo de tudo aquilo, mas não tive tempo de emitir som algum, porque naquele momento presenciei tudo o que tinha que presenciar para sentir que minha vida, até então, havia sido uma coisa oca e sem sentido.
     Aquele homem, ou, melhor dito, o Homem, passou ao meu lado, carregando uma cruz, com o corpo ensangüentado. Subitamente, senti minha respiração suspensa e os pés enraizados naquele lugar. Não conseguia me mover. Apertei então fortemente meu filho contra o peito, pressentindo ser aquele acontecimento um dos mais importantes que a História iria registrar.
     Nesse instante da burracheira, soube que minhas angústias, as mesmas que Sheiva carregava secretamente, estavam relacionadas com esse antigo episódio. Tive a sensação de ter estado durante anos engolfada numa letargia espiritual, assim como meu próprio marido. Ele, porém, assim como a maior parte da família, estava conformado com aquela vida estagnada. Apenas em mim ela provocava angústias, as quais eu tentava esconder.
     Foi então que meu bebê parou de chorar. Ele parecia entender melhor que eu o que estava acontecendo. O Homem deixou de andar por uns segundos e olhou em minha direção. Olhei em volta, esperando que aquele olhar fosse dirigido a outra pessoa, talvez algum de Seus familiares; mas não, ele se dirigia a nós. Senti que meu filho tentava sair dos meus braços para aproximar-se d’Ele. Aquele Homem, com ferimentos que sangravam sem cessar, com uma coroa de espinhos na cabeça e uma cruz nos ombros, havia conseguido sorrir para o bebê! E aquele olhar, que só pode ser comparado a um arco-íris, se dirigiu a mim novamente, e eu senti que Ele estava me esperando...
     Essa mágica sensação foi interrompida pelo estrépito de um látego sobre Suas costas e por gritos a exigirem que Ele apertasse o passo. Ouvi meu próprio grito, sentindo na minha pele a dor da chicotada. E o primeiro pensamento que me passou então pela cabeça foi o de fugir daquele lugar. Quis parar de pensar no que havia visto, porém o olhar sereno de meu filho me dizia claramente que já não poderia fazer de conta que nada havia acontecido.
     Retornei correndo à minha casa, com a criança chorando novamente. Olhei pela janela e me deparei com o céu totalmente escuro, como se uma tempestade estivesse prestes a cair. Vi algumas pessoas correndo assustadas para suas casas, e outras, sem prestar atenção à chuva que já começava e ao vento, chorando como se carregassem a tempestade dentro delas. Tentei amamentar o bebê, mas ele se recusava a mamar e continuava em prantos, e eu me sentia novamente angustiada, como tantas outras vezes havia me sentido na vida.
     De repente, uma palavra despertou dentro do meu coração, uma palavra que começou a palpitar no meu interior: “Perdão!...”. Senti fortemente que devia pedir perdão, perdão por ter vivido adormecida, por ter me escondido durante tanto tempo. Eu tinha que pedir perdão pela ignorância do meu povo. O encontro com aquele Homem havia desentranhado em mim um tesouro que estava profundamente enterrado pelo tédio da banalidade e das tradições. A sensação de ter estado perto d’Ele, espiritualmente e inclusive fisicamente, havia sido tão real, tão verdadeira, que havia conseguido fazer ruir por terra todos os preconceitos de outrora, cultivados durante centenas de gerações, e me abrir para poder receber esse tesouro. Senti brotar dentro de mim, pela primeira vez na minha vida, o amor puro. Só a partir desse momento meu bebê aceitou ser amamentado e repousou então tranqüilo...
     Graças a essa lucidez, pude começar a compreender que o amor sem fronteiras não é uma utopia, e me lembrei de que as pessoas na UDV, sem se importarem em saber se sou judia, cristã ou muçulmana, me chamam de “irmã”. Senti a força dessa palavra que clama pela união entre os homens do mundo inteiro.
     Mesmo que mil teólogos tivessem tentado me convencer a respeito da força espiritual de Jesus, eles certamente não teriam conseguido o que a Oaska conseguiu fazer através desse vislumbre que me fez vibrar e reavaliar o que estava adormecido dentro de mim. Assim, constatei que as falas dos sábios e a leitura das escrituras não poderiam nunca ter produzido o efeito que um olhar verdadeiramente puro e um exemplo de sacrifício, vivificado em segundos de burracheira, conseguiram produzir no meu coração. É por essa experiência pessoal que estou convencida de que só através da União do Vegetal os judeus poderão se libertar da dormência provocada por uma insensibilidade milenar.
     Antes de haver sido iniciada na espiritualidade, eu considerava que tanto os acontecimentos bons como os difíceis da minha vida eram  casuais. Hoje, após reconhecer o orgulho e a arrogância que tanto haviam caracterizado a minha conduta, e estando mais ciente da importância de tudo o que recebo de Deus, do Mestre e da Oaska, só posso sentir gratidão, sentimento esse que eu desconhecia, tal como ainda acontece com a maior parte dos judeus. Agradeço pela dádiva da vida. Agradeço ao Mestre por me aceitar como discípula. E agradeço por todas as manifestações da Justiça Divina em minha existência, pois todas podem ser transformadas em preciosas ferramentas a serviço de minha evolução espiritual e da evolução das pessoas com quem convivo.”

Linda Isabel Flomembaum

União do Vegetal

A Irmandade da Rosa

“A história da rosa pode ser recordada pela memória do 
homem, que é Seu reflexo. E, ao mesmo tempo em que 
é recordada, tem o poder de lhe trazer graus de memória 
capazes de fazê-lo recompor sua própria história.”
Mestre Joaquim José de Andrade Neto

     A rosa é considerada, desde a mais remota antigüidade, como a mais elevada manifestação do reino vegetal, tanto por sua beleza como pelo significado misterioso de sua origem. Sua imagem foi eleita para simbolizar o Conhecimento, o ápice da espiritualidade, aparecendo através da História ligada às religiões que tratam do Oculto, da Ciência Sagrada.
     O motivo que conduziu o homem a essa eleição é um segredo que bem poucos conhecem, cujo desvendamento reside na observação da forma como a rosa vem ao reino da natureza, que é análoga ao processo do despertar da consciência espiritual no homem.
     A rosa, na União do Vegetal, além de estar presente no próprio significado do nome Oaska (palavra que, em língua indígena primitiva, significa rosa) e também na história do chá, encontra-se gravada, pela própria natureza, no interior do Mariri, fato que mostra a origem desse símbolo sagrado. E, além de manifestar-se nele de forma material, através de seu desenho, que pode ser visto nos cortes transversais do cipó, manifesta-se também espiritualmente nos ensinamentos trazidos pela força estranha que é a burracheira.
     Então, esse surpreendente registro natural da imagem da rosa que a mão da natureza deixou gravado no cipó Mariri é uma indicação inequívoca, no mundo físico, do que se pode encontrar, por meio da Oaska, no mundo espiritual. E todos os que a comungam têm a oportunidade de confirmar a veracidade de tal indicação, pois sentem nascer dentro de si aquilo que essa flor simboliza, ou seja, o Conhecimento. E se tiver grau suficiente para empreender a jornada em direção a si mesmo, o discípulo poderá um dia ser merecedor de sentir o perfume santificado da rosa por ocasião do florescimento desta em seu corpo, que é sua cruz.
     Por estar a rosa tão fortemente presente na Oaska – em seu nome, em sua história, em uma das plantas que a compõem e, sobretudo, nos ensinamentos transmitidos através dela ao homem – é que se pode dizer que o desenho de sua imagem no cipó corresponde à mensagem “Você chega até mim através de mim”, reconhecida como verdadeira por todos os que já tiveram a graça de sentir o poder desse misterioso líqüido em seus espíritos.
     A rosa, com sua beleza e mistério, só se manifesta a uma pessoa quando esta, após atravessar o íngreme percurso de espinhos que ela mesma semeou com sua ignorância, torna-se mais humana, mais sensível à obra de Deus. A Oaska, com seu poder de despertar o espírito do homem para os próprios erros, prepara-o paulatinamente, através das mais variadas formas de manifestação de luz e força, para esse processo de sensibilização.
     Nesse sentido, contribuindo para a evolução espiritual do homem desde os primórdios da civilização, a Oaska vem lhe trazendo, desde então, o Evangelho da Rosa, que constitui o conjunto infinito de ensinamentos da União do Vegetal, os quais são transmitidos aos discípulos durante as sessões. O Mestre Geral Representante, que mantém um estado de sintonia permanente e irrestrita com o MESTRE Gabriel, cuja presença se manifesta através da burracheira, tem o condão de transmitir pelo Verbo o que lhe for permitido ler no livro encantado da natureza, onde esse Evangelho está gravado.
     A palavra evangelho (do grego euaggelio, cujo significado é mensagem), utilizada sobretudo a partir do Cristianismo, está relacionada com a Oaska na medida em que mensagem é o nome com que se designa o resultado da colheita do Mariri e da Chacrona por ocasião do preparo do chá. O Evangelho da Rosa manifesta-se ao homem de acordo com seu grau espiritual. O que não está dito aqui por respeito ao segredo pode ser perguntado à rosa pelo discípulo no momento em que ele encontrá-la e senti-la através da comunhão com a Oaska, quando então este poderoso instrumento de intermediação entre a memória humana e a do universo se encarregará de fazer aflorar as respostas em seu espírito através da recordação.

Religião e Ciência

     Diante de um instrumento tão extraordinário e surpreendente como a Oaska, muitos indagam sobre a natureza da Ordem responsável por sua distribuição. Será ela uma seita? Uma filosofia? Uma religião? Exigirá alguma crença?
     A União do Vegetal não pode ser uma seita (do latim secta, ou seja, divisão) porque não resulta de facções ou ramificações de outras doutrinas religiosas. Ao contrário, ela é a própria união, fonte do Conhecimento, sendo sua história tão antiga quanto a própria origem do ser humano. Não é teoria ou filosofia, ou seja, um enfoque a mais sobre a vida, passível de polêmica e discussões, pois o que ela apresenta ao discípulo, com toda a nitidez, é nada mais nada menos que a verdade, a qual é reconhecida incontinenti pelos olhos da consciência. Tampouco exige crença de seus discípulos: tudo é visto, sentido e confirmado por cada um que bebe o chá. Das revelações recebidas nasce a convicção, único estado capaz de trazer a paz da certeza ao coração do homem. E, por fim, não é uma religião a mais dentre tantas, pois, na medida em que proporciona ao homem aproximar-se de Deus e o orienta sobre como desfrutar de maneira permanente de um estado de espírito livre de ilusão, a União do Vegetal é religião e é também Ciência, fim e meio simultaneamente.

      A religião (do latim religatio), ou seja, a religação da criatura com o Criador, é um estado ao qual todos estão destinados a chegar um dia, mais tarde ou mais cedo, seja pelo sofrimento ou pelo Conhecimento. As inúmeras e sucessivas encarnações de cada espírito aqui na Terra constituem etapas dessa longa caminhada com destino à Perfeição. Portanto, a religião representa uma meta, um objetivo a ser atingido.
     A União do Vegetal é religião porque possibilita ao homem, dentro do tempo de burracheira, essa religação com Deus, a volta à origem, ao estado de divindade em que foi criado. Os momentos de religação, vivenciados nas sessões, são amostras do ponto ao qual ele deve chegar de forma permanente e definitiva. Através dessas amostras, o discípulo se sente motivado a seguir com firmeza pelo caminho da retidão, pois compreende que se agir assim desfrutará cada vez mais do contato com a Força Superior. Prepara-se então para essa conquista, a qual se dá paulatinamente e de acordo com o merecimento de cada um, já que o único meio de chegar a Deus é pela prática, pelo cumprimento de Suas Leis. E por ensinar o homem a atingir esse objetivo, trazendo-lhe a Ciência Sagrada, isto é, os ensinamentos sobre como conduzir-se na vida para que possa alcançar a religião, é que dizemos que a União do Vegetal, além de religião, é também Ciência.
     A religião pode ser simbolizada por uma imensa escada, infinita como a própria evolução do espírito. Os degraus representam o trajeto obrigatório do homem que caminha em direção à luz. A Ciência é a instrução proporcionada ao discípulo para que ele possa subir essa escada degrau por degrau, vencendo a ignorância que até então o escravizara. Não é possível chegar à religião senão através da Ciência.
     O termo Ciência está sendo utilizado aqui no sentido sagrado, e não no profano. A ciência profana trabalha com os reinos da natureza unicamente no sentido físico, visando o progresso e o bem-estar materiais, assim como determinadas facilidades técnicas a ele relacionadas, e utilizando-se da mente e da experimentação. Já a Ciência sagrada explica o universo sob o prisma do espírito, que não é levado em conta pela primeira. Além disso, está a serviço de algo superior ao progresso: a evolução do homem, sem a qual ele não alcança paz e felicidade. E a evolução não é o resultado de um acúmulo de informações: ela só ocorre quando a criatura, vencendo a ilusão, entra em sintonia com a ordem e o dinamismo do Cosmos e, assim integrada, prossegue em ascensão ao longo da infinita escada que a reconduz a Deus. A Ciência sagrada ainda se diferencia da profana pelo fato de ser regida exclusivamente pelo mistério das determinações divinas. A maior prova disso é que a ela só têm acesso os que realmente almejam evoluir, pois somente estes estão preparados para recebê-la.
     A União do Vegetal é, em suma, uma prática ordenada pela Força Superior, uma vez que toda a sua doutrina e todas as instruções que ela oferece ao discípulo conduzem à prática dos ensinamentos de Deus. E cumprir as Suas leis, através da autodisciplina, implica cuidar simultaneamente do corpo, da mente e do espírito. Esses três níveis estão estreitamente ligados, de modo que é impossível negligenciar qualquer um deles sem afetar os demais. Da União do Vegetal recebe-se toda a orientação necessária para cuidar, educar e purificar cada um dos três. E quem se esforça no seu dia-a-dia para cumprir à risca os princípios da Ciência certamente não deixará de desfrutar, durante o tempo de burracheira, do elevado e supremo êxtase da religião.

Cuidado !

O Mestre não se responsabiliza pelo preparo e distribuição de
chá de Mariri e Chacrona por pessoas curiosas e de forma clandestina. 
A esse respeito, ele costuma contar a seguinte história:

     Um jovem chamado Alad procurou um Mestre com o desejo de alcançar a iluminação. E o que ele tinha mesmo era desejo, e não vontade, porque, na verdade, ele estava era curioso para saber alguma coisa a respeito do poder mágico de um enorme diamante que o Mestre usava para corrigir as falhas de caráter nas pessoas durante as misteriosas sessões que dirigia. Falava-se ainda que com esse diamante qualquer um poderia realizar o milagre que desejasse. E então, Alad se apresentou na casa do Mestre. Este, depois de um olhar longo e penetrante, aceitou que ele ficasse em sua ermida durante um ano. Sua função seria a de porteiro.
     Um mês depois, o Mestre, que não lhe dirigira mais a palavra, convocou-o para cuidar da porta de um salão onde haveria uma Sessão. Advertiu-o, porém, de que não olhasse para dentro nem permitisse que outras pessoas o fizessem.
     Alad foi então para o seu posto guardar a porta do salão. Algum tempo depois, começou a ouvir ruídos estranhos: suspiros, gemidos, choros e movimentos bruscos. Havia uma sensação misteriosa de energia sendo liberada...
     – Que estranho! – pensou Alad.
     E deixando-se levar pela curiosidade, olhou pelo buraco da fechadura. Ficou assombrado com o que viu: uma luz tênue na sala, o Mestre caminhava por entre os discípulos, levando na mão um enorme diamante de formas perfeitas: o diamante mágico, que brilhava com um etéreo esplendor! Um a um, o Mestre tocava a todos na fronte com o diamante. Alguns gritavam, outros debruçavam a cabeça sobre a mesa em êxtase. Era, enfim, uma verdadeira catarse. E, quando cada um deles era tocado, faíscas de energia saíam das mãos do Mestre...
     Alad ficou perplexo:
     – Que espetáculo surpreendente! – pensava. – Isto é o que quero! Posso tornar-me grande e estender a todos  essa grandeza! O diamante divino! Por isso é que o Mestre pediu que eu cuidasse da porta: eu sou o que sabe guardar esse tesouro sagrado!
     E começou então a formular um plano para furtar o diamante do Mestre.
     – Poderei usá-lo para transformar o mundo: um trabalho muito maior que o de ajudar um pequeno grupo de buscadores!
     Semanas depois, Alad viu sua oportunidade surgir. Descobrira que o Mestre guardava o diamante numa caixa de madeira ao lado de sua cama. Conseguiu entrar em seu quarto em hora avançada da noite e pegar a caixa.
     De posse do diamante, decidiu marcar uma Sessão já para a noite seguinte com a família e amigos, na qual mostraria o extraordinário poder da preciosa pedra. As pessoas iriam compreender a grandeza do que ele tinha sob seu controle!
     No momento da Sessão, Alad vestia uma longa túnica branca. As luzes eram tênues e havia um incenso perfumando o recinto. Quando todos haviam fechado os olhos, pegou cuidadosamente o diamante da caixa. Começou então a mover-se entre os presentes de forma cerimoniosa, tocando a fronte de cada um como havia feito o Mestre. Mas logo se deu conta de que nada acontecia, permanecendo todos em silêncio, sem mover-se. Quando as lâmpadas voltaram a se acender, alguns começaram a rir, e logo todo o auditório estava às gargalhadas. Alad não compreendia em que havia falhado...
     Na noite seguinte, ele foi para uma cidade vizinha e realizou outra Sessão. Nada. De novo as pessoas acabaram rindo. Ele estava mortificado...
     Depois disso, Alad recolheu-se em sua casa durante muitos dias, olhando com mau humor o diamante e perguntando-se o que havia acontecido. Quanto mais o olhava, menos ele brilhava e mais opaco se tornava. Um dia, por fim, Alad exclamou:
     – Este diamante não vale nada! Nem sequer é belo! Por que é que quando estava nas mãos do Mestre...
     E recordou-se da formosura com que a grande jóia havia brilhado e cintilado, plena da luz que brotava dos dedos do sábio... De repente, o jovem Alad saiu de seu sono e compreendeu tudo afinal: o poder do diamante não provinha do diamante, mas sim do Mestre! A pedra preciosa era só um instrumento, uma jóia resplandecente usada por ele... Que deveria fazer agora? Pensou em vendê-la e fugir, mas acabou desistindo, pois sabia que devia devolvê-la...
     Dias mais tarde, vencendo seu medo, regressou à ermida do Mestre. Este, assim que o viu, lhe perguntou:
     – E então: conseguiste transformar o mundo?
     Alad, tremendo, respondeu:
     – Senhor, eu... levei seu diamante...
     O Mestre então lhe disse:
     – Mas o diamante não é mais meu do que teu, meu jovem ladrão. O que ele faz é captar o esplendor do Eterno. A luz que emana dele pode transformar o caráter de um discípulo, melhorando-o. Vês? Inclusive a ti ele mudou. Teu desejo impuro fez com que ele perdesse seu esplendor, seu poder... Mas, assim mesmo, quando te lembraste da luz, te tornaste humilde e pudeste regressar a mim. Então, responde: pode um ladrãozinho, apesar de tudo, converter-se num santo?
     E dizendo isso, o Mestre sorriu pela primeira vez ao discípulo corrigido:
     – Procura, pois, encontrar a origem de tudo o que brilha. No diamante não poderás encontrá-la.

As religiões e a Oaska

     Desde que a Terra recebeu os homens por habitantes, o Criador, para facilitar a trajetória de Seus filhos, cujo destino é a purificação e o conseqüente resgate de seu estado original, colocou à disposição deles, como prova de amor e misericórdia, as duas plantas misteriosas que compõem o chá Oaska com o objetivo de ensiná-los a se conduzir de acordo com Suas leis.
     Sabe-se, pela história da Oaska, que Caiano, uma das encarnações de MESTRE Gabriel, é o primeiro Oaskeiro, ou seja, o primeiro homem que bebeu o Vegetal na Terra. O fato aconteceu ainda nos primórdios da civilização indígena. Desde então a União do Vegetal vem sendo a fonte inspiradora de inúmeras religiões do planeta, as quais adotam em suas doutrinas grande parte dos ensinamentos que têm sido revelados ao espírito humano ao longo dos séculos por esse misterioso líqüido.
     A mensagem ancestral da Oaska revela, através da memória do Mestre, que a raiz semântica de todas as designações religiosas, como hindu, budista, judeu, cristão, muçulmano e outras, é a denominação original e primitiva do homem – índio –, que significa, como todas as outras, filho de Deus. Assim, todas essas designações têm o mesmo significado, o qual, por sua vez, indica nossa origem comum.
     Neste momento de entrada no terceiro milênio, a humanidade, frágil e impotente diante da avalanche de problemas individuais e sociais, encara cada vez com mais ceticismo o aprisionamento em crenças e dogmas (mesmo porque estes, até hoje, não conseguiram trazer soluções para suas dificuldades), ansiando, antes, pelo despojamento das diferenciações rotuladoras que tanto têm distanciado os homens entre si. A Oaska se apresenta como o instrumento redentor por excelência desses sectarismos religiosos, pois, ao atingir o âmago da essência humana, que é divina e comum a todos, atinge igualmente, de forma direta, nítida e intensa, o objetivo máximo e fundamental de todas as religiões, que é proporcionar o encontro com Deus.
     Esse encontro, que é na verdade um reencontro, torna-se um marco significativo para o espírito humano na medida em que encerra um período de crença e inaugura um de convicção em relação à existência do Criador. Nessa nova fase, o iniciante recebe a dádiva de se sentir irmanado com todos os homens, independentemente de suas distinções sociais, culturais e religiosas. Ele é, ao mesmo tempo, um e todos, e todos são um em seu coração, unidos ao Pai que os criou.
     Além disso, quando no decorrer de sua trajetória espiritual o discípulo se depara com o conjunto de condições a serem cumpridas que lhe são exigidas por sua própria consciência em prol de seu aperfeiçoamento pessoal, ele constata a importância de determinadas virtudes proclamadas pelas religiões mais conhecidas do mundo e praticadas por seus Mestres. Descobre, por exemplo, a relevância do desapego de Gautama Buda em relação aos prazeres mundanos; a sabedoria da entrega e da não resistência do Taoísmo; a coragem de Moisés, demonstrada por ele por ocasião da travessia do deserto em busca da terra prometida; e a perseverança de Maomé em doutrinar e unir tribos nômades inimigas. Reconhece também o valor do Hinduísmo por divulgar a verdade sobre a reencarnação, a importância da descoberta da luta entre as forças opostas (a luz de Ormuz e as trevas de Arimã) da religião de Zaratustra, além do exemplo máximo de amor concedido pelo Divino Mestre Jesus através de Seu perdão.
     Conduzindo os homens a este reconhecimento da verdade existente em cada uma das religiões, a Oaska contribui de forma eficaz para que eles se despojem dos preconceitos que os têm dividido. Através de sua luz, enxerga-se o belo, ouve-se a sabedoria e sente-se a força da virtude de todas elas.
     A relação da Oaska com as religiões pode ser simbolizada por uma roda cujo centro seja a própria Oaska e na qual a circunferência e os raios correspondam, respectivamente, à humanidade e às inúmeras correntes religiosas. Ela é o centro, em primeiro lugar, por um fator cronológico, uma vez que seus ensinamentos constituem a fonte original das doutrinas de várias religiões do mundo. E, além disso, porque é através de sua luz que temos a oportunidade de sentir, de forma eficaz, a beleza e a importância de todas as manifestações de consagração ao Criador.
     Nessa roda, os raios partem do centro em direção à circunferência, realizando assim um movimento de divergência. Da mesma forma, as diferentes tendências religiosas divergem em suas doutrinas e, sobretudo, nos métodos que propõem para que o homem alcance o divino. Porém, as mesmas linhas que se deslocam do centro para as extremidades da roda também convergem para o centro, apontando assim para o destino comum de todas as ilusórias divergências humanas. Nessa trindade geométrica – centro, circunferência e raios – pode-se contemplar o movimento, a evolução, razão primeira da vida.
     Assim sendo, a roda apresenta-se como um símbolo exemplar do mecanismo de emanação-retorno que marca a relação da Oaska com as mais diversas religiões do planeta, bem como da evolução do homem e do Universo. Pois da mesma forma que esse misterioso chá irradiou a essas religiões sua luz, ele agora as atrai, num processo magnético de volta ao centro comum de convergência após uma longa preparação espiritual através da História.  

  A Oaska, desde sua primeira aparição na Terra, sempre foi um veículo de manifestação de Jesus, o que significa que a história do amor do Cristo pela humanidade tem a idade do Tempo. Desta história fazem parte três momentos, representados por três comunhões celebradas pelo Divino Mestre com os homens.
     O Velho Testamento narra um episódio em que um homem chamado Melquisedec, rei de Salém e intitulado “Sacerdote do Altíssimo”, celebrou com Abraão uma comunhão de pão e vinho. Esta foi, na verdade, a primeira comunhão celebrada na Terra por Jesus, que, manifestando-se na figura misteriosa de Melquisedec, comungou o pão e o vinho com Abraão, o pai de todos os judeus. Por esta razão é que Jesus afirmou: “Antes de Abraão ser, Eu Sou”. A segunda comunhão foi a Santa Ceia, realizada por Jesus com doze apóstolos, que representam as doze tribos de Israel e, portanto, todos os filhos do povo hebreu. E a terceira é a que se realiza neste século através da Oaska, que permite aos homens a experiência do sagrado.  
     Assim, enquanto a primeira foi celebrada com o pai dos judeus e a segunda com seus filhos, representados estes, simbolicamente, pelos apóstolos, a atual recriação da União do Vegetal realiza a terceira, na qual a Oaska se revela como o próprio Espírito Santo, o Consolador, o Paracleto já anunciado por Jesus, que promove a religação do Filho com o Pai e a reconciliação entre o Novo e o Velho Testamento.
    
Esta terceira comunhão é uma confirmação e um coroamento da relação de Jesus com a humanidade. Com ela, Seu poder se implantou definitivamente na Terra e, através dela, Sua palavra há de ser cumprida integralmente. Ela é, ainda, a nova e eterna aliança, porque veio para ficar. É universal porque não se dirige a um determinado povo, mas sim a todos, estando destinada a uni-los. Os primeiros eflúvios deste processo já são sentidos dentro do âmbito da União do Vegetal, onde judeus e cristãos se unem como irmãos. As cinco pontas da Estrela da UDV se situam entre as quatro pontas da cruz e as seis pontas dos triângulos entrelaçados de David. É a estrela do Oriente que estende as duas mãos unindo judeus e cristãos:
     Quando a União do Vegetal conseguir eliminar definitivamente essa divergência milenar, unindo dois grupos cujos princípios doutrinários pareciam inconciliáveis, o mundo não mais poderá duvidar que a Oaska tem poder suficiente para unir todos os povos sob a égide da luz, da paz e do amor. Aí então, dentro dessa nova Ordem, todos os homens poderão beber da Fonte da Saudade de Nosso Pai Comum.

 

 


 
Texto extraído do site www.geh.com.br

 

Estou inserindo neste Fórum, com a autorização da Administração Geral do Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal, a Resolução nº 5 do CONAD, a qual foi publicada em 10.11.2004 no Diário Oficial da União, e que trata sobre assunto referente ao uso religioso da ayahuasca.
Apesar da União do Vegetal não reconhecer esse nome com referência ao chá preparado sob a competência e responsabilidade do Mestre Geral Representante da União do Vegetal, Joaquim José de Andrade Neto, com as plantas mariri e chacrona, o qual é chamado pelo nome de Oaska, e apesar de já haverem sido feitos inúmeros esclarecimentos através de obras literárias e entrevistas sobre as grandes diferenças que existem entre o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal e outros grupos que bebem chá das mesmas plantas, foi solicitado ao Mestre do referido Centro que se manifestasse sobre a supracitada resolução.
O pedido foi feito pela jornalista Daniela Marcacini Vargas Rodrigues da revista Chronica Brasil.
Na condição de membro do quadro de advogados da União do Vegetal tive acesso às correspondências eletrônicas trocadas entre o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal e a mencionada jornalista.
Certa de que o conteúdo das correspondências pode contribuir para o esclarecimento sobre essa questão, mesmo porque, até pessoas que se dizem “entendidas” no assunto insistiam em fazer confusão sobre o mesmo, insiro a seguir a resolução do CONAD, a solicitação da jornalista e a resposta do Mestre, considerado a maior autoridade no assunto.

Adriana Hoffmann
Advogada.

Edição Número 216 de 10/11/2004
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República Presidência da República Secretaria Nacional Antidrogas
RESOLUÇÃO N o 5-CONAD, DE 4 DE NOVEMBRO DE 2004 (*)
Dispõe sobre o uso religioso e sobre a pesquisa da ayahuasca
O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL ANTIDROGAS - CONAD, no uso de suas atribuições legais, observando, especialmente, o que prevê o art. 6° do Regimento Interno do CONAD; e
CONSIDERANDO que o plenário do CONAD aprovou, em reunião realizada no dia 17 de agosto de 2004, o parecer da Câmara de Assessoramento Técnico-Científico que, por seu turno, reconhece a legitimidade, juridicamente, do uso religioso da ayahuasca, e que o processo de legitimação iniciou-se, há mais de dezoito anos, com a suspensão provisória das espécies vegetais que a compõem, das listas da Divisão de Medicamentos DIMED, por Resolução do Conselho Federal de Entorpecentes - CONFEN, n° 06, de 04 de fevereiro de 1986, suspensão essa que tornou-se definitiva, com base em pareceres de 1987 e 1992, indicados em ata do CONFEN, publicada no D.O. de 24 de agosto de 1992, sendo os subseqüentes considerandos baseados na já referida decisão do CONAD;
CONSIDERANDO que a decisão adequada, da Administração Pública, sobre o uso religioso da ayahuasca, foi proferida com base em análise multidisciplinar;
CONSIDERANDO a importância de garantir o direito constitucional ao exercício do culto e à decisão individual, no uso religioso da ayahuasca, mas que tal decisão deve ser devidamente alicerçada na mais ampla gama de informações, prestadas por profissionais das diversas áreas do conhecimento humano, pelos órgãos públicos e pela experiência comum, recolhida nos diversos segmentos da sociedade civil;
CONSIDERANDO que a participação no uso religioso da ayahuasca, de crianças e mulheres grávidas, deve permanecer como objeto de recomendação aos pais, no adequado exercício do poder familiar (art. 1.634 do Código Civil), e às grávidas, de que serão sempre responsáveis pela medida de tal participação, atendendo, permanentemente, à preservação do desenvolvimento e da estruturação da personalidade do menor e do nascituro;
CONSIDERANDO que qualquer prática religiosa adotada pela família abrange os deveres e direitos dos pais "de orientar a criança com relação ao exercício de seus direitos de maneira acorde com a evolução de sua capacidade" , aí incluída a liberdade de professar a própria religião e as próprias crenças, observadas as limitações legais ditadas pelos interesses públicos gerais (cf. Convenção Sobre os Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil, promulgada pelo Decreto nº 99.710, de 21/11/1990, art. 14);
CONSIDERANDO a conveniência da implementação de estudo e pesquisa sobre o uso terapêutico da ayahuasca, em caráter experimental;
CONSIDERANDO que o controle administrativo e social do uso religioso da ayahuasca somente poderá se estruturar, adequadamente, com o concurso do saber detido pelos grupos de usuários;
RESOLVE:
Art. 1º Fica instituído GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO para levantamento e acompanhamento do uso religioso da ayahuasca, bem como para a pesquisa de sua utilização terapêutica, em caráter experimental.
Art. 2º O GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO será composto por seis membros, indicados pelo CONAD, das áreas que atendam, entre outros, aos seguintes aspectos: antropológico, farmacológico/bioquímico, social, psicológico, psiquiátrico e jurídico. Além disso, o grupo será integrado por mais seis membros, convidados pelo CONAD, representantes dos grupos religiosos, usuários da ayahuasca.
Art. 3º O GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO escolherá seu presidente e vice-presidente e deverá, como primeira tarefa, promover o cadastro nacional de todas as instituições que, em suas práticas religiosas, adotam o uso da ayahuasca, devendo essas instituições manter registro permanente de menores integrantes da comunidade religiosa, com a indicação de seus respectivos responsáveis legais, entre outros dados indicados pelo GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO.
Art. 4º O GRUPO MULTIDISCIPLINAR DE TRABALHO estruturará seu plano de ação e o submeterá ao CONAD, em até 180 dias, com vistas à implementação das metas referidas na presente resolução, tendo como objetivo final, a elaboração de documento que traduza a deontologia do uso da ayahuasca, como forma de prevenir o seu uso inadequado.
Art. 5º O CONAD, por seus serviços administrativos, deverá consolidar, em separata, todas as decisões do CONFEN e do CONAD sobre o uso religioso da ayahuasca, para acesso e utilização dos interessados que poderão, às suas próprias expensas, extrair cópias, observadas as respectivas regras administrativas para tanto.
Art. 6º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.
JORGE ARMANDO FELIX
Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional e
Presidente do Conselho Nacional Antidrogas
(*) Republicada por ter saído com incorreção no DOU do dia 08/11/2004, Seção 1, página 8.


----- Original Message -----
From: Daniela Marcacini Vargas Rodrigues
To: atendimento@uniaodovegetal.org.br
Sent: Monday, December 06, 2004 5:27 PM
Subject: pedido de entrevista

Caros,

Sou jornalista e sub-editora da revista Chronica Brasil (www.agenda4.com.br), editada em Goiás e com circulação em treze capitais brasileiras.

Estamos preparando uma matéria que tem como foco a ayahuasca, sua aplicação religiosa e terapêutica, interferências antropológicas e culturais e os reflexos da resolução do Conad que pretende disciplinar o seu uso a partir da instauração de um Grupo Multidisciplinar de Trabalho.

Gostaria de poder contar com a opinião do Mestre Joaquim José de Andrade Neto que, como autoridade no assunto e representante maior da União do Vegetal, não poderia faltar na abordagem de um assunto como esse. Isso seria possível?

Torcendo para que a resposta seja positiva, antecipo-me (diante do prazo apertado de fechamento da matéria, previsto para o dia 10.12.04) enviando algumas questões para serem respondidas pelo Mestre Joaquim.

Atenciosamente,
Daniela Marcacini.

01. A Resolução do Conad, de novembro de 2004, que institui o Grupo Multidisciplinar de Trabalho para o levantamento e acompanhamento do uso religioso e terapêutico da ayahuasca, é bem vista pela UDV?

02. Que perspectivas pode-se alimentar com essa resolução que pretende disciplinar o uso da ayahuasca?

03. A necessidade de suspensão do uso desse chá, que constitui sacramento para a União do Vegetal e outras religiões, interferiria na sobrevivência de manifestações e grupos religiosos?

04. Atualmente, como vêm se desenvolvendo os programas ambientais que têm a participação da UDV? Essa postura mantém alguma relação com o uso religioso da hoasca?

05. No site da UDV, é compartilhada a informação de que a ayahuasca ou a “hoasca vem sendo avaliada pela comunidade científica internacional, numa iniciativa da própria UDV”. Como se dá essa iniciativa e quais os resultados mais recentes do referido trabalho científico?

06. Para o senhor, a ayahuasca enquanto patrimônio espiritual da humanidade é suficiente para que sejam desencorajados episódios como o do laboratório norte-americano que, em 1996, quis patentear o chá quando o mesmo deixou de ser considerado alucinógeno?

07. Agora uma pergunta de ordem pessoal (se considerar impertinente, por favor, desconsidere-a): Em 1975, o que levou o senhor a procurar o então chamado Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e o que o fez ficar e assumir a condição de Mestre?
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----- Original Message -----
From: Respostas Mestre
To: danimarcacini@yahoo.com.br
Sent: Monday, December 06, 2004 9:11 AM
Subject: RESPOSTA


Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal
Rua Abílio Vilela Junqueira, 299 – Guará – Barão Geraldo – Campinas – São Paulo – Brasil
CEP 13 085 040 - Tel: 19 – 3287 5040 – www.uniaodovegetal.org.br
___________________________________________________________________

REVISTA CHRONICA BRASIL
A/C : Daniela Marcacini Vargas Rodrigues
ASSUNTO: ENTREVISTA COM O MESTRE DA UNIÃO DO VEGETAL

Prezada srª Daniela Marcacini Vargas Rodrigues


Com relação à sua primeira pergunta temos a dizer que recentemente tomamos conhecimento desta resolução do Conad, mas, diante de tantos trabalhos importantes que vimos realizando dia a dia, ainda não tivemos tempo de analisá-la.
Porém, já podemos adiantar que consideramos tal resolução de instaurar um “grupo multidisciplinar de trabalho” absolutamente desnecessária no que diz respeito à União do Vegetal. É possível que a mesma seja de alguma utilidade no que se refere a grupos que bebem chá de mariri e chacrona de forma clandestina. Conforme já vimos esclarecendo em diversas oportunidades, o chá dessas duas plantas sagradas que não é cultivado e preparado pelo Mestre, e que é distribuído sem a sua autorização expressa, é considerado clandestino e, por isso mesmo, não é Oaska. Portanto, tais grupos, ainda que registrados em cartórios, são considerados espiritualmente irregulares e ilegítimos pela União do Vegetal.
Ressaltamos, que, no que diz respeito à União do Vegetal, não sentimos nenhuma necessidade de uma interferência por parte do Estado em nossos rituais sagrados e nem em nossos trabalhos, uma vez que a responsabilidade e a autoridade do Mestre são suficientes para oferecer a seus discípulos todas as condições favoráveis para que eles se mantenham num estado de espírito limpo e sadio, cumprindo com seus deveres de forma responsável e digna.
Entretanto, consideramos que de fato existem casos prementes e necessitados da ingerência do Estado, principalmente no que diz respeito à lavagem de dinheiro, pedofilia, corrupção de menores e demais temas que são alvo de manchetes diárias na imprensa mundial.
O Mestre, em seus quase trinta anos cultivando, preparando, bebendo e distribuindo o Vegetal, graças ao Bom e Poderoso Deus, vem se sentindo preenchido pela Supervisão da Justiça Divina e prestando contas ao seu Bem Maior: a Consciência.

Com relação às demais perguntas a senhora poderá encontrar as respostas nas seguintes obras:

Oaska: o Evangelho da Rosa – Joaquim José de Andrade neto
Oaska o chá da recordação - Vídeo documentário
E também o site oficial da União do Vegetal: www.uniaodovegetal.org.br

Todas as obras acima citadas são editadas pela Sama Multimídia Educação e Arte.

www.samamultimidia.com.br

Aproveitamos para recomendar o site dos Grupos de Estudos Humanus (GEH) www.geh.com.br onde está veiculando uma interessante e reveladora entrevista com o Mestre Joaquim José de Andrade Neto.


Autorizando a publicação na íntegra do texto acima
despedimo-nos com votos de Luz, Paz e Amor.

Atenciosamente,
Alia Spártacus



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Mestre Gabriel - O primeiro Oaskeiro


Mestre Joaquim José de Andrade Neto


Jesus


OASKA A Mulher Misteriosa


Sociedade Vegetarista Brasileira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



O Chá OASKA, inimigo letal de todas as drogas

    
O Chá Oaska e seus poderes iluminógenos

Em 1962, um jovem viciado em drogas, Howard Lotsof, experimentando um novo seis companheiros intoxicante que faz dele um amigo químico disse: Oaska. Contra todas as probabilidades, depois de 36 horas de experiência, o jovem norte-americano e seus amigos, todos viciados em heroína ou cocaína, foram libertados de seu vício. Um desmame definitivo Howard Lotsof e pelo menos seis meses para outro, durante o qual se manteve em contato .

O Oaska, muitas vezes chamado de "Sagrado Vegetal" é composto de um pequeno arbusto e de um cipó cujas raízes são usadas durante as sessões, uma ordem iniciática do Brasil, chamada Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal Luz Paz e Amor, cujo Mestre Geral Representante é Joaquim José de Andrade Neto. Possibilidade ou grande descoberta? Desde a década de 1980 e até sua morte em 2010, Howard Lotsof não parou de tentar convencer os cientistas, laboratórios, política e sociedade civil para tratar viciados com Oaska. Estas plantas que compõe o Chá Oaska , originário da Floresta Amazônica, trata-se de substâncias altamente concentradas de alcalóides ativos utilizados na medicina tradicional e nas cerimônias de iniciação no Brasil.

"Quando eu ouvi sobre a Oaska, fiquei muito interessado e cético. E quanto mais eu experimentei, mais ela se tornou interessante", diz Stanley Glick, professor e diretor de pesquisa do Centro de Neurofarmacologia e Neurociência na Albany Medical College, em Nova York. Através de experiências sobre dependentes de cocaína e morfina, Stanley Glick mostrou em 1991 que a Oaska, praticamente, provocou uma diminuição num índice de 100% do uso de drogas apenas duas sessões.

Propriedades anti -dependência

     Desde então, a pesquisa, principalmente realizada por americanos, a Oaska é um chá misterioso, considerado portador de substâncias profiláticas de alto poder curativo, físico, mental, espiritual, comprovados, além de benfeitor espiritual com reações iluminógenas capazes de elevar a compreensão do homem, livrá-lo da ilusão e ensiná-lo a se conduzir sobre a Terra, conforme afirmações do Mestre Joaquim José de Andrade Neto e experiências científicas realizadas. Estas substâncias interagem com o neurotransmissor, principalmente serotonina e glutamato, e bloqueia os receptores de opiáceos. É um antagonista dos componentes responsáveis pela dependência de drogas, além de ter efeitos antidepressivos e eliminatórios da síndrome de pânico. Receptores NMDA (ativados por glutamato), são capazes de explicar as suas propriedades anti-viciantes.
"É eficaz na retirada de opiáceos praticamente a maior parte do tempo. Alguns pacientes têm efeitos prolongados de anos. Mas nunca houve um estudo profundo, sendo a mais forte das provas às transformações comportamentais e a clareza de noção dos adeptos do uso do chá. Seria necessário definir a taxa de sucesso real ", diz Deborah Mash, professora de neurologia e farmacologia molecular e celular na Universidade de Medicina de Miami.

Os últimos estudos têm para os seus novos recursos significativos demonstrados: Oaska tem efeitos estimulantes sobre o metabolismo energético e, de acordo com o professor Dorit Ron Israel, a Oaska estimula a síntese e liberação de neurotrofina, que auxilia as vias nervosas até o cérebro regenerando-as e reorganizando-as.

Depoimentos confirmam sua eficácia: "Minha vida mudou completamente, 12 horas depois do meu tratamento com a Oaska, fui desmamado de dezessete anos de vício. Foi incrível, eu não posso explicar isso" atesta Roberto, 45 anos, um italiano que morava em Nova York e tinha um consumo diário de heroína, cocaína e metadona. Foi desmamado três anos de vício em cocaína em um fim de semana em 2004. “Desde então, eu nunca tive uma recaída”, disse Eric, um francês de 37 anos. "Minha libertação foi imediata. Enquanto era inimaginável para mim não tomar doses porque eu usava vários gramas por dia ", diz Nicolas, ex-viciado em cocaína, desmamados por três anos.

"Não é uma substância de recreio"

     Mas as falhas também existem: "Para mim, isso não funcionou", diz Daniel, dependente por mais de trinta anos à heroína, cocaína e "todos os tipos de drogas". "Tomei doses industriais e eu bati o fundo com metadona, a droga que os médicos sentem que dar-lhe como uma solução... " , brinca Daniel, que assumiu a metadona duas semanas após o tratamento.
Embora hoje, foram identificadas as principais ações da Oaska, a sua operação farmacodinâmica muito complexo não foi totalmente explicada. Mas o grande tabu Oaska é o é realmente uma das suas propriedades alucinógenas. "O Oaska não vêm em caixas, ela, não tem o perfil de drogas psicotrópicas, ela não é comercializada, sendo seu uso fora sessão considerada pelo Mestre como sacrílega, irregular e espúria. Esta não é uma substância de lazer, e suas ações são diferentes e mais complexas, não existindo nada semelhante”.

EFEITO "Psicose"

     Além disso, "A Oaska se tornou conhecido de uma maneira incomum, não foi descoberto por um cientista, que é por isso que, desde o início, ela foi recebida com ceticismo pela comunidade científica. Sua história na Floresta Amazônica também lhe deu uma dimensão mística que as pessoas não levavam a sério. E pelos seus efeitos iluminógenos, as pessoas pensam que nunca iria ser aprovada e reconhecida cientificamente. Ledo engano, diz o Mestre,” hoje ela é reconhecida mundialmente, o único é que a sua utilização em consultórios psiquiatras, por psicólogos, antropólogos e inclusive, em lojas maçônicas, não são reconhecidos e nem recomendados pelo Mestre Geral Representante da União do Vegetal Joaquim José de Andrade Neto.”
"A Oaska é parte de um todo, que expandiu a minha consciência, limpou a minha mente e meu corpo", acrescenta Eric. Além da retirada fisiológica, muitas testemunhas insistem no efeito sobre as visões que, em verdade, esclarece o Mestre, são mirações, tiveram durante o tratamento. Um especialista, ex-diretor de um famoso Instituto de Pesquisa em Vícios, refere-se ao aspecto mental: "Há um efeito psicológico. Estes efeitos são muito próximos do que os psicanalistas chamam de ab-reação. Eles trazem à tona as memórias perdidas e experiências relacionadas com os processos responsáveis pela dependência que pode ser trabalhado, realizando os objetivos buscados pelos dependentes e pelos mais necessitados".

Deborah Mash explica que a Oaska é uma "chá psicoativo, mas não como um alucinógeno. Estabelece sonho acordado por trinta e seis horas e, durante esse estado de consciência, o paciente revive as experiências de sua infância e descobre as raízes do seu vício " . "É como dez anos de psicanálise em três dias", disse muitas vezes Howard Lotsof.

FALTA DE monitorização terapêutica

     Este processo subjetivo cientificamente imensurável, na verdade contribui para atiçar medos e reservas sobre a Oaska e seu tratamento, enquanto estas visões revelam realidades, ainda que simbólica, para aqueles que vivenciam a iniciação.”
Os pacientes são então convidados a verbalizar sua experiência de apoio terapêutico. "Depois de seis meses de bem-estar, fiquei deprimida porque, na realidade, a Oaska pode curá-lo e dar-lhe a chance de dizer: 'OK, você pode colocar-se na vida, se você quiser'" diz Roberto. De acordo com a literatura científica e sociológica sobre Oaska, recaídas ocorrem frequentemente seis meses após o tratamento, devido a uma falta de persistência e vontade do necessitado ou devido ao ambiente e influências sociais desfavoráveis – capazes de provocar novas tentações.

Classificada como drogas, no passado, devido a ignorância científica e experiências comprovadas, desde 1967 nos EUA, hoje a Oaska, no entanto, é reconhecida e autorizada pela Suprema Corte dos Estados Unidos e pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA), a ser prescrito como parte de um protocolo de tratamento de direitos no início de 1990. Após o encontro com Howard Lotsof e observações empíricas realizadas naquela época no Instituto de Pesquisa em Vícios na Holanda e em uma clínica no Panamá, Deborah Mash, cética e impressionada, foi autorizada a realizar os primeiros testes clínicos para os Estados Unidos para a Fase I. Mas em 1995, após uma apresentação de representantes de empresas farmacêuticas, NIDA decidiu parar seu financiamento.

"A opinião da indústria farmacêutica tem sido no conjunto de críticas e teve uma grande influência na decisão de não mais financiar os testes. NIDA parou seu projeto sobre a Oaska, mas continua a apoiar a investigação pré-clínica", diz Kenneth Alper, professor de psiquiatria e neurologia da Universidade de Medicina de Nova York.

Menos rentável do que TRATAMENTO DE VIDA PARA A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

     Por que tanta resistência? "A maioria das empresas farmacêuticas não querem fazer com que a Oaska ou com o tratamento contra o vício em geral nada. A maioria das empresas acreditam erroneamente que eles não podem ganhar um monte de dinheiro no tratamento da toxicodependência. Além disso, eles acreditam que isso poderia levar a imagem ruim para eles, porque as pessoas estigmatizadas pelo vício acham que elas não merecem ser tratadas", afirma Stanley Glick. Tratar uma doença em um ou dois tratamentos é muito menos rentável do que o tratamento ao longo da vida. Com fundos privados Deborah Mash foi capaz de continuar sua pesquisa, seu laboratório entre Miami e a reabilitação nas ilhas de St. Kitts, no Caribe. Programas de pesquisa interessados em observações científicas e empíricas, outros governos iniciaram autorizando centros de atendimento com a Oaska, Israel e Índia, mantém ensaios clínicos que são conduzidos com o acordo dos Ministérios da Saúde do Brasil, México, Panamá e Caribe, centros de cuidados informais foram estabelecidas, Eslovénia, um centro da realização de trabalhos de pesquisa multidisciplinar desde 2005 e, desde 2009, a Nova Zelândia permite a prescrição da Oaska.

Património espiritual da humanidade, a União do Vegetal é de todos e de ninguém"
Mestre Joaquim José de Andrade Neto

     Gabão, depois de muito tempo permaneceu em insiders secretos, Oaska foi declarada "Patrimônio Nacional e reserva estratégica" , em 2000. Bernadette Rebienot, presidente do Sindicato dos curandeiros de saúde em Gabão, "tratamento Oaska remove o início de Oaska, não é realmente a fonte. No Ocidente, os pesquisadores acham que sabem Oaska, mas eles me fazem rir ... Nós, nós sabemos desde o início dos tempos. Requer colaboração entre nós é complementar e que é para o bem da humanidade " , avisa o Nganga ("tradipraticienne"), que defende com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para o reconhecimento farmacopeia tradicional.
Eslovénia, "o Instituto de Medicina Antropológica [IMO] aspira a restaurar a qualidade ea reputação de cura tradicional e remédios naturais através da avaliação científica desses métodos, a sua eficácia e segurança ", diz Roman Paskulin, especialista em dependência e diretor do IMO. Oferecemos aos nossos conselhos sobre tratamentos Oaska de redução de risco, mas não cuidam de agora. "O objetivo é desenvolver uma abordagem abrangente à saúde na dimensão física, mental e social, que reúne universidades de medicina, ciências sociais e biotecnologia, com o apoio do Ministério da Saúde e do Escritório de substâncias iluminógenas.”

Qual é então a taxa de sucesso deste tratamento incomum? Hoje, nenhum pesquisador caminha sobre a questão de números, exceto para dizer que este tratamento parece ser um dos melhores contra a dependência de opiáceos. Somente estimativas não oficiais são executadas. Por quê? Primeiro, porque não existem estudos científicos sendo realizados a longo prazo, e em segundo lugar porque a grande maioria do tratamento ocorre em um ambiente informal. A eficácia terapêutica de Oaska é principalmente através de observações empíricas e de provas que a ciência não tem sido capaz de avaliar e a falta de recursos econômicos, além de interesses políticos.


A Oaska e a Experiência

     Desde os anos 1960, os Estados Unidos, depois na Europa e redes mundiais de cuidados alternativos foram desenvolvidos de forma clandestina, porque a Oaska não foi reconhecida: os pacientes foram tratados com a iniciação no Brasil, através da União do Vegetal, com a finalidade unicamente visando a evolução espiritual, sendo o tema da dependência das drogas, apenas um detalhe, no universo de benefícios proporcionados pelo chá.
Em Nova York, um dos beneficiados, Dimitri, assume a sua função de defensor para o reconhecimento da Oaska. Drogado velho viciado em heroína e cocaína por quase vinte anos, desmamados com a Oaska, Dimitri que foi auxiliado por curandeiros tradicionais, tenta utilizá-la de forma cerimonial, através de rituais com música e orações para dar uma dimensão espiritual, “procurando alcançar um estilo de vida saudável", diz ele. No entanto, este tipo de cuidados informais, o perigo reside na ausência de um Mestre responsável pelo preparo e distribuição do chá.

"Trata-se de uma planta milagrosa, inédito, mesmo que seja uma planta da controvérsia", diz Jean-Noël Gassita. "Eu acho que a Oaska é ilegal nos Estados Unidos, mas Estou otimista de que este tratamento, um dia será aprovado", diz o pesquisador, ainda à espera de ensaios clínicos.

Deborah Mash dando continuidade a sua abordagem, desenvolvendo suas pesquisas sobre a Oaska, sem deixar de comentar um provérbio Africano: "Pode ser a melhor cantora, mas não pode exceder o compositor. Então, cuidado com notas falsas..." Assertiva esta, que vem acompanhada da cautela recomendada pelo Mestre da União do Vegetal Luz Paz e Amor.

 

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