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A
presença do Mestre no processo de evolução espiritual com a Oaska é fundamental:
sem ele não há Iniciação, não há aprendizagem.
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer
que o simples cozimento das duas plantas (Mariri e Chacrona) pode produzir
um chá, mas esse não será necessariamente Oaska, uma vez que o encontro
do ponto-luz do chá está condicionado ao
grau espiritual de
quem o prepara. E para isso é preciso que a história de vida do dirigente
esteja relacionada à história da União do Vegetal na Terra. Isso equivale
a dizer que sem o Mestre não há Oaska. Tampouco haveria a própria obra
da União do Vegetal, pois ele é quem mobilizou todos os recursos necessários
para que o trabalho espiritual se desenvolvesse.
Em 1975 ouviu falar do chá Oaska, que é preparado
com duas plantas da floresta amazônica e comungado em rituais religiosos
pela União do Vegetal (UDV), Ordem espiritualista de origem milenar que
foi recriada neste século por MESTRE José Gabriel da Costa, desencarnado
em 1971. Dirigiu-se então a Porto Velho (RO) para participar de uma Sessão,
onde pôde constatar a importância do chá para a evolução espiritual da
humanidade e se recordar do seu vínculo com a história da UDV na Terra.
Porém, devido aos desvios de comportamento daqueles
que se diziam "discípulos" de MESTRE Gabriel, sentiu-se, com
o passar dos anos, cada vez mais pressionado pelas circunstâncias a reconstituí-la
no intuito de preservar a pureza de seus ensinamentos e resguardá-la das
mãos de pessoas que não estavam preparadas para assumir uma responsabilidade
tão elevada.
E assim, em 1981, recebeu ordem superior para
constituir o Centro Espiritual Beneficente União do Vegetal, o que implicou
um paciente trabalho de reconstrução da obra. Com seus próprios recursos
construiu um templo, adquiriu e doou à União uma grande área em Mato Grosso,
onde hoje se situa a Fazenda Rei Salomão, na qual se encontra a maior
plantação do mundo de Mariri e Chacrona, as duas plantas que compõem o
chá. Em 1988 fez publicar a primeira edição do livro Oaska, O Evangelho
da Rosa, com o qual iniciou um trabalho de esclarecimento, em âmbito nacional,
sobre os benefícios do chá, trabalho esse que teve continuidade através
de inúmeras reportagens em jornais e revistas, videodocumentários, entrevistas
pela televisão, além de artigos retificando informações da mídia, após
o quê as dúvidas e equívocos de outrora em relação à Oaska foram totalmente
dissipados.
Atualmente o Centro contém em seu quadro de associados
pessoas de toda a América do Sul, dos Estados Unidos e da Europa, as quais
vêm em busca do poder de iluminação desse misterioso chá, que é preparado
pelo Mestre e distribuído sob sua orientação.
Há uma bela história quéchua
que sintetiza o trabalho do Mestre.
Yuyari,
discípulo do Mestre Pacaric, lhe perguntou um dia:
- Em que consiste a sabedoria?
- Em amar aos homens, respondeu-lhe o Mestre.
Em outra ocasião, Pirgue, outro discípulo de Pacaric, lhe perguntou:
-Em que consiste a sabedoria?
- Em conhecer os homens, respondeu-lhe o Mestre.
Então, Mizque, outro discípulo, o interpelou:
- Mestre, uma vez disseste a Yuyari que a sabedoria
consiste em amar aos homens. E agora respondes
a Pirgue que a sabedoria consiste em conhecer os homens.
Calou-se o discípulo e o Mestre o animou:
- Prossegue, por que te deténs?
- Mestre, continuou ele, quero saber afinal em que consiste a sabedoria.
Respondeu-lhe Pacaric:
- A sabedoria
consiste em amar aos homens apesar de conhecê-los.
"Portanto,
a missão do Mestre é espinhosa, porque o discípulo, embora esteja sendo
auxiliado, reage contra quem o educa e o estima. Aos pouquinhos, ele começa
a se beneficiar dos ensinamentos, mas sempre contrariado e negando a fonte
da qual eles provêm. Isso até o momento de acordar. E, até lá, o Mestre
tem que continuar amando-o, mesmo enxergando-o com absoluta clareza.
O Mestre é quem tem a habilidade suficiente para
desmontar a ilusão, ou seja, a mentira, que impede as pessoas de estarem
despertas. Se o discípulo conseguir enxergar a verdade, ele deixará de
ser dominado pela mentira. Então o Mestre tem que localizar, através das
mais variadas estratégias que primem pela originalidade e imprevisibilidade,
o ponto de vulnerabilidade da mentira, para que cada um possa enxergar
a verdade. Esse é o primeiro passo para que o adversário dê lugar ao discípulo.
Refiro-me àquele adversário que todo homem tem dentro de si e que procura
resistir ao Bem. Quando o discípulo pára de reagir, é porque a
mentira que o dominava já foi vencida, já foi dissolvida pela verdade.
A partir de então, o discípulo torna-se um agente, podendo assim auxiliar
na obra. E essa
vitória não deixa de representar
a ascensão a um novo degrau na escada da sua evolução."
(Texto
extraído da obra, Oaska, O Evangelho da Rosa,
Campinas, Sama Editora)
A
característica principal do Mestre é estar sempre na frente. Por conseguinte,
ele conhece o discípulo mais do que o discípulo se conhece e só por isso
é que tem condições de auxiliá-lo. Sem o Mestre não há cobrança, e sem
cobrança não há verdadeiramente evolução, mas sim uma viagem do ego. Nesse
sentido, beber o chá por conta própria, além de ser uma experiência ineficaz,
é também uma aventura leviana e perigosa, que pode ter conseqüências nocivas.
O Mestre Geral Representante do Centro
Espiritual Beneficente União do Vegetal, Joaquim José de Andrade Neto
esclarece que não detém o monopólio coercitivo sobre o uso das plantas,
mas também não se responsabiliza pelo uso das mesmas sem a sua autorização
expressa.
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